
Capítulo 640
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Aviso do Autor: A Morte Sem Nome disse que usaria o Ventre do Diabo para criar um [Registro Akáshico] para seu Sistema. O nome foi alterado para [Registros Celestiais] para evitar confusão com o Registro Akáshico da terra.
…
A Morte Sem Nome voltou sua atenção para a forja principal e expirou lentamente.
Ele tinha tudo o que precisava.
Os materiais. O conhecimento. O tempo.
A Morte Sem Nome levantou-se e caminhou até o centro da forja.
Assim que alcançou a mesa principal de trabalho, a porta se abriu atrás dele.
Leonora entrou, puxando alguns fios soltos de cabelo da face.
"Ah, você está acordado", ela disse, com uma expressão levemente surpresa. "Conseguiu terminar o que queria com as meditações?"
"Sim", ele respondeu com um pequeno aceno de cabeça. "Há algum contato do Supremo da Água?"
"Não. Ainda não."
Ele não respondeu, apenas deu um zumbido suave em sinal de reconhecimento.
Não era surpresa.
Quanto mais aprendia sobre os Supremos, mais entendia o quanto a maioria deles era pervertida—cada uma à sua maneira.
Alguns eram passivo-agressivos (Supremo do Vazio). Outros eram distantes ou inalcançáveis (Supremo da Escuridão), ou simplesmente tão perigosos que não se sabia o que passava pela cabeça deles (Supremo das Sombras).
O Supremo da Água claramente não era exceção.
Ele deixou o pensamento de lado e levantou a mão direita.
As sombras ao redor de sua palma se torceram levemente, depois começaram a se reunir, condensando-se em um cubo compacto de energia negra.
Logo em seguida, a energia se estabilizou em um objeto tangível: uma caixa de aparência estranha, com bordas brilhantes e marcas desconhecidas que brilhavam suavemente na superfície.
Leonora inclinou a cabeça, franzindo a testa levemente.
"Isso é um…."
"Sim, é um console de videogame."
"…O Que?"
"Dentro têm jogos. São jogos de um universo diferente. Eu criei isso porque achei que você pudesse gostar."
Seus olhos se arregalaram.
"Você fala sério?"
Ele assentiu novamente, ainda focado em ajustar a interface do console.
"Eu os vi na casa do Cole— um Lugar de um Quebrador do Paraíso."
Sem dizer mais nenhuma palavra, Leonora se aproximou e pegou cuidadosamente o console de suas mãos.
Seus dedos tocaram a superfície lisa. Sua expressão passou de curiosidade a surpresa, e então a algo próximo da excitação infantil.
"…Obrigada", ela disse baixinho. "Vou… conferir."
Ela se virou e saiu rapidamente, mais rápido do que o normal.
A Morte Sem Nome não disse nada, mas permitiu-se um sorriso discreto.
Talvez aquilo ajudasse ela a relaxar, mesmo que fosse um pouquinho.
Com isso, ele voltou sua atenção para o próximo passo.
A criação do Ventre do Diabo.
Para isso, ele precisava de um metal especial.
Um que pudesse suportar o estresse de suas técnicas e se manter estável mesmo sob ressonância constante baseada em Conceitos.
Era aí que sua Afinidade Elemental de Metal entrava em cena.
Entre as dez afinidades elementais—Cristal, Obsidiana, Âmbar, Diamante, Quartzo, Ouro, Prata, Ferro, Cobre e Mítrio—foi a última que atenderia às suas necessidades.
Mítrio.
É um elemento estranho.
Flexível, mas resistente.
E, mais importante, podia ser transmutado em inúmeros metais derivados.
Ele estendeu a mão com sua afinidade e conjurou um bloco de Mítrio puro.
O metal prateado-azulado brilhava com um suave resplendor.
Sob sua orientação, começou a se transformar—primeiro em Aço do Vazio, um metal que ressoava com frequências espaciais, e depois em Cinzaíta, um mineral capaz de armazenar memórias sem degradar-se.
Essa era a singularidade das afinidades de metal.
Cada uma atuava como base, mas toda base podia ser transmutada em uma quantidade quase infinita de metais especializados.
Os manipuladores de metais não eram apenas manipuladores de minério bruto; eram alquimistas, ferreiros e escultores de matéria.
A Morte Sem Nome examinou os metais recém-formados, depois se moveu em direção às suas ferramentas.
A preparação estava concluída.
Tudo que restava agora era o processo de forjar.
Ele começou a criar o cubo— o Ventre do Diabo.
Ele tinha todo o conhecimento necessário, e foi ensinado pelo demônio sobre o processo de forjamento.
E ainda assim, a Morte Sem Nome achava difícil colocar isso em prática.
Repetidamente, falhava ao alinhar as Runas internas (Círculo Mágico desenhado no objeto).
Os estabilizadores espaciais colapsavam sob pressão.
O anel de contenção do núcleo trincava com o menor erro.
Às vezes, ele perdia uma nervura microscópica no metal, e toda a estrutura se desestabilizava.
Tinha que abandonar tudo antes de tentar de novo.
O demônio havia lhe alertado.
Até mesmo os maiores ferreiros do Império Ilantea— considerados os melhores na criação de forjas entre as estrelas— precisaram de séculos de colaboração para criar um único Ventre do Diabo.
A Morte Sem Nome era muito menos experiente que eles.
Mas tinha algo de diferente.
Ele possuía o Mundo de Ressonância de Tempo Nove Vezes e seu Conceito do Núcleo das Sombras.
Com os nove Núcleos, ele implantava nove mundos de dilatação temporal individual.
Depois, os fundia usando Ressonância.
O resultado era aterrorizante.
O tempo não apenas desacelerava, quase parava para ele.
Ele vivia milênios em cada fração de segundo.
E o Conceito do Núcleo das Sombras era igualmente importante. Era sua reserva de segurança.
Toda vez que cometia um erro, ele recriava um novo cubo, mas este ainda não tinha sido destruído pelo erro.
Ele simplesmente usava seu Conceito do Núcleo das Sombras para isso.
Como num jogo, ele salvava seu progresso. Se o processo de forjamento falhasse no meio, podia recarregar a versão anterior criando um cubo intacto e tentar novamente.
Era um poder quase de trapaça.
Claro que tudo isso tinha um preço alto.
O consumo de energia era gigantesco.
Então, ele fazia pausas frequentes.
Nesses momentos, meditava.
Às vezes, jogava algumas partidas com Leonora durante seu período de recuperação.
Certo dia, enquanto estavam ao lado da forja, Leonora apontou para o Ventre meio em construção e perguntou:
"Se você consegue criar qualquer coisa que entenda, isso significa que poderia montar um jogo que eu criei?"
A Morte Sem Nome piscou, surpreso com as palavras dela. "Posso tentar. Me conta sobre o jogo."
E assim, ela explicou o conceito. Ele criou as mecânicas. E nasceu um novo jogo.
Foi assim que a vida de A Morte Sem Nome começou a mudar.
Ele perdeu a noção do tempo.
Quantos meses se passaram? Anos? Décadas?
No mundo real, provavelmente apenas meses.
Mas, na sua própria percepção, viveu bilhões de anos dentro da forja.
Ele não contava quantas vezes tinha falhado.
Já não fazia mais diferença.