Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 638

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

O Pródigo Sem Nome estava prestes a começar a devorar o Espelho do Abismo quando notou duas notificações à sua frente.

[Título: Viajante – Conquistado]

Antiga: Você encontra mais facilidade para viajar entre os pseudo-ramos infinitos do 10º Éon.

*Título concedido por viajar fora do seu Éon e testemunhar a verdadeira forma do seu Cosmos.

[Título: Destruidor – Conquistado]

Antiga: Você consegue apagar a conexão de alguém com o Sistema Universal do Códice.

*Título concedido por ser capaz de destruir uma parte do Sistema Universal do Códice.

O Pródigo Sem Nome estreitou os olhos, relendo os detalhes novamente.

"Viajante, então o que eu vi foi o Cosmos." Ele franziu a testa, incerto. "Aquela... era uma forma estranha para um Cosmos."

Ele mudou o olhar para o segundo título.

Destruidor.

Ele permitia que cortasse os laços de alguém com o próprio sistema que governava a realidade.

"Útil," ele murmurou. "Mas ainda não é algo que eu precise."

Com isso, ele respirou fundo.

Era hora de devorar o Espelho do Abismo.

'O Supremo das Sombras não deveria conseguir me atacar, mesmo que fique bravo.'

'Espero que sim, pelo menos.'

A Vontade Universal interviria, não é?

No final das contas, um Supremo não tinha permissão para interferir diretamente nos assuntos do universo.

'Só vou saber se isso é verdade ou não quando devorar o Tesouro Sagrado do Supremo das Sombras.'

Ele fechou os olhos e olhou para a camada central de sua Semente da Existência.

O Espelho do Abismo flutuava dentro dela.

Ele estendeu a mão.

Sua Escuridão cresceu, tocando a borda do Espelho—

O mundo mudou.

Tudo escureceu.

Quando abriu os olhos, estava em um espaço que não fazia parte do universo que conhecia.

Um vazio sem céu se estendia acima.

O chão sob seus pés era de mármore, coberto por padrões semelhantes a um tabuleiro de xadrez.

Tudo era sombrio, distante e frio.

Algo se deslocou lá em cima.

O Pródigo Sem Nome olhou para cima.

No instante em que fez isso, uma dor atravessou seu corpo.

Seus ossos estalaram. Sangue escorreu de seus olhos. Seus órgãos se torceram violentamente por dentro, como se estivessem sendo rearranjados por uma força que não se importava com regras ou anatomia.

Ele quase caiu de joelhos, mas parou-se a tempo.

Trincando os dentes, ele se levantou novamente.

Estava se desfazendo, mas ainda respirava.

Ele encarou diretamente a silhueta gigante escondida nas sombras.

Supremo das Sombras.

Embora olhar sua verdadeira forma fosse prejudicial ao Pródigo Sem Nome, ele conseguia suportar sem morrer.

Isso mostrava seu progresso.

"Por quê... você me trouxe aqui...?" conseguiu dizer em voz rouca.

O Supremo das Sombras inicialmente não respondeu.

Em vez disso, virou a cabeça de lado.

Uma onda de pressão vindo à distância chegou, diferente de tudo que o Pródigo Sem Nome já tinha sentido.

Era colossal, profunda, absoluta. E antiga de uma maneira que os Supremos não eram.

A Vontade Universal tinha chegado.

"Supremo das Sombras. Envie-o de volta."

Sua voz ressoou pelo vazio, tremendo a estrutura deste mundo.

Os ouvidos do Pródigo Sem Nome estalaram.

Sangue escorreu de suas orelhas, e ele cambaleou.

O som não era feito para seres como ele ouvirem.

O Supremo ainda permaneceu em silêncio.

Seu olhar era tranquilo.

Então, sem dizer uma palavra, levantou a mão—um membro feito de sombras tão vasto que tocava as extremidades do mundo—e o balançou para baixo.

O Pródigo Sem Nome viu o ataque chegando.

Ele não se esquivou.

Não conseguiu.

Mas, antes que o golpe fosse desferido, uma força invisível agarrou seu braço.

"Zarek!" A voz da Vontade Universal retumbou novamente. Uma onda de raiva veio junto. "Você ousa ignorar minhas palavras? Vocês, Supremos, ficaram em seus pequenos mundos por tanto tempo que esqueceram seu verdadeiro lugar?"

O espaço começou a rachar.

Uma segunda pressão começou a entrar no Mundo das Sombras, ainda maior que a anterior.

Ela ainda não estava completamente aqui, mas sua presença curvou o vazio e trouxe o caos.

Era semelhante à Vontade Universal, mas mais forte. Muito mais forte.

Finalmente, Zarek, o Supremo das Sombras, falou.

"Posso matá-lo antes que sua verdadeira manifestação entre completamente neste mundo. Não ouse me testar."

Sua voz não era alta.

Mas fez a expressão da Vontade Universal ficar sombria.

"Então, apagarei você. Se você derrotar essa criança e quebrar os Princípios Celestiais, não hesitarei."

Falou calmamente, mas sua voz era mais fria que a morte.

Zarek voltou seu olhar para o Pródigo Sem Nome.

"Eu não sou quem está quebrando eles. Ele não pertence a este Éon. Seu destino já se encerrou há tempos. Você é quem está violando as regras deixando-o viver."

"Isso é uma questão completamente diferente," a Vontade Universal respondeu de forma seca. "Sabemos ambos por que nada pode ser feito contra os Ashborns. Ou você pretende enfrentar a ira da Escuridão?"

Nenhum dos dois recuou.

O vazio silenciou.

Os dois ficaram numa estagnação perfeita.

A Vontade Universal ainda não tinha entrado totalmente, e estava retardando sua chegada.

Era evidente que, se tentasse entrar no Mundo das Sombras à força, Zarek mataria o Pródigo Sem Nome instantaneamente.

O Pródigo Sem Nome respirou fundo.

"Eu... tenho uma pergunta."

Sua voz saiu quase um sussurro, mas ambos os gigantes ouviram. Sua atenção se voltou imediatamente para ele.

"Por que... é um problema eu devorar... o Espelho do Abismo?" Ele tossiu sangue, mas continuou. "Você me deu isso. Agora... é meu."

O olhar de Zarek escureceu.

"Eu te dei uma graça, Hargraves. E agora você a pisa como se fosse nada."

Sua voz não carregava raiva, apenas julgamento.

"É natural punir alguém que esquece o sentido de um presente assim."

O Pródigo Sem Nome até arregalou os olhos enquanto a pressão retornava, mais pesada que antes.

"Você acha que um Tesouro Sagrado é só um item? Tenta devorar meu filho e age como se nada tivesse feito de errado?"

Outra onda de pressão o atingiu com força.

Seus joelhos trincaram contra o chão, e sua visão escureceu de vermelho.

Mas a Vontade Universal voltou a agir.

Sua presença se intensificou, empurrando a força de Zarek para trás o suficiente para que o Pródigo Sem Nome respirasse.

Mesmo assim, estava claro.

Se isso continuasse, o Pródigo Sem Nome morreria de qualquer jeito. Não por um ataque direto, mas por ser esmagado pelas consequências do impasse.

Estava evidente.

Se essa situação persistisse, ele morreria de qualquer maneira.

Justamente então, uma risada ecoou pelo vazio.

"Não sabia que você ia usar tão rápido a vantagem que te dei."

Todos—Zarek, a Vontade Universal e o Pródigo Sem Nome—se voltaram para a origem da voz.

Cole Calloway.

Ele estava de pé casualmente ao lado do Pródigo Sem Nome, com as mãos nos bolsos, aquele mesmo sorriso preguiçoso no rosto.

Como se tivesse acabado de entrar em uma sala silenciosa e não em um campo de batalha entre seres supremos.

O Pródigo Sem Nome piscou, surpreso, mas parecia um pouco aliviado.

A Vontade Universal congelou enquanto Zarek manteve uma expressão neutra, quase como se tivesse esperado que Cole aparecesse.

"Faz tempo que não vejo vocês dois," disse Cole alegremente.

Ele acenou para a Vontade Universal, depois deu um breve aceno para Zarek, como quem cumprimenta um velho amigo.

E então, como se fosse a coisa mais natural do mundo, colocou um braço sobre o ombro do Pródigo Sem Nome.

Uma energia quente percorreu o corpo de Pródigo Sem Nome.

Seus ferimentos desapareceram instantaneamente.

A pressão que o oprimia há momentos desapareceu completamente. Nem a presença de Zarek nem a da Vontade Universal mais o afetavam.

Cole tinha feito dele intocável.

"Esse cara é meu amigo," disse Cole. "Você pode deixá-lo seguir em frente por minha conta, pequenino Zarek?"

A Vontade Universal permaneceu em silêncio.

Ela odeia Cole tanto quanto odeia Ultris e Neo, mas, pela primeira vez, o idiota realmente ajudava.

"Não posso," respondeu Zarek secamente.

"Seu jeito de fazer as coisas continua o mesmo, vejo." Cole suspirou e balançou a cabeça. "Não devia agir tão imprudentemente."

Ele levantou uma mão.

A pressão explodiu ao redor.

O chão sob eles rachou instantaneamente por quilômetros.

A estrutura do Mundo das Sombras começou a tremer, como um espelho lutando para manter sua reflexão.

Os ombros de Zarek abaixaram levemente ao sentir todo o peso do poder de Cole sobre ele.

Cole deixou a pressão continuar por alguns segundos, o bastante para fazer seu ponto. Depois, como se fosse algo comum, ela retraiu.

"Bem," disse ele com um encolher de ombro, "o que você faz com seu universo não é problema meu. Mas não vou mentir. Estou um pouco decepcionado, pequeno Zarek."

O olhar de Zarek permaneceu firme.

Cole fez um gesto com a língua e apontou para o Pródigo Sem Nome.

"Dê a ele o conhecimento do seu Tesouro Sagrado. Em troca, eu te ajudarei uma vez."

O Pródigo Sem Nome franziu a testa.

Não foi a oferta que o surpreendeu, mas a forma como Cole lidava com a situação.

'Ele sabe o que sua força implica. Por isso, não a usa de forma abusiva.'

'Ele talvez consiga fazer o Supremo das Sombras ouvi-lo. Mas, ao invés de forçar a mão, está tentando encontrar um meio termo.'

Cole não agia por fraqueza. Agia com intenção.

Seja porque não quer se envolver numa bagunça de outro universo, ou porque realmente acredita em não interferir demais, o Pródigo Sem Nome não sabia ao certo.

Mas o resultado era o mesmo.

"Aceitarei seu acordo," finalmente disse Zarek, como se estivesse esperando por essas palavras de Cole.

Ele levantou a mão e estalou os dedos.

O Pródigo Sem Nome sentiu algo mudar dentro dele.

O Espelho do Abismo, escondido na camada central de sua Semente de Existência, começou a se desintegrar.

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