
Capítulo 637
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Assim que o contato foi feito, uma forte sacudida percorreu seu corpo.
Ele convulsionou, mas não tentou se afastar.
Então, uma notificação apareceu na sua frente.
Eram textos brilhantes entregues diretamente pelo próprio Sistema.
Mas o Senhor da Morte Sem Nome não se incomodou em lê-los.
Em vez disso, ele derramou sua Escuridão dentro do cubo.
"Devore," ele murmurou.
A Escuridão contorceu-se ao redor de seus dedos, tentando consumir a superfície.
E então, nada.
"...Huh?"
Seus olhos se estreitaram.
A Escuridão dele simplesmente... escorregava do cubo.
Por mais que ele procurasse, não conseguia fazer ela aderir.
Não conseguia morder o cubo.
Ele tentou novamente, com mais força desta vez.
Ainda assim, nada.
O cubo era inatacável.
Uma estrutura tão perfeita e absoluta, nem mesmo sua Escuridão Verdadeira conseguia arranhá-lo.
O Senhor da Morte Sem Nome rangeu os dentes.
Ele não tinha muito tempo.
Já sentia algo puxando sua Existência, tentando expulsá-lo daquele lugar.
Ele ativou o Firmamento da Escuridão. Então, sobrepôs a Escuridão Verdadeira.
As duas forças se fundiram e avançaram juntas, girando enquanto atacavam o cubo.
Houve resistência, depois algo cedeu.
Só um pouco.
Uma lasca, menor que uma partícula minúscula, quebrou-se, e ele conseguiu devorá-la.
O Senhor da Morte Sem Nome concentrou-se, pronto para aproveitar a vantagem, mas foi aí que o espaço se moveu.
Uma presença se deslocou.
Lentamente, mas de forma inconfundível, a silhueta acorrentada virou a cabeça.
Seus olhos — se é que podem ser chamados assim — abriram-se.
E fixaram-se em Nome Sem Nome.
Ele não conseguiu respirar.
Um peso esmagou seu peito enquanto o espaço ao redor começava a colapsar para dentro.
A linha que ele seguira, as linhas ao seu redor, o cubo —
"Huff! Huff...!"
Ele ofegou por ar. Acordou na forja.
Seu peito subia e descia rapidamente, e sua túnica estava encharcada de suor.
Leonora olhou para ele. "Uma hora."
"Huh?"
Ela franziu a testa. "Faz uma hora que você começou a meditar."
Nome Sem Nome piscou, ainda com o coração acelerado.
Aquela frase — "Uma hora" — ela já tinha dito. Exatamente assim.
Ele a encarou.
"Por que você está me dizendo isso?"
"Você perguntou quanto tempo fazia que estava meditando. Eu te disse. Uma hora."
Seu olhar se intensificou.
Não, ele não havia lhe perguntado nada, não agora.
Isso aconteceu antes.
'O tempo voltou atrás', pensou, atônito. 'Mas por quê? E por quem?'
Rapidamente, verificou sua Intenção de Existência.
Estava intacta.
Ele ainda nem tinha começado a devorá-la de fato.
Isso confirmou sua suspeita.
Algo — ou alguém — tinha retrocedido o tempo.
Mas quem seria?
A entidade acorrentada?
Por quê?
'Foi ele quem fez isso porque eu danifiquei o Sistema do Códice Universal.'
Nome Sem Nome tentou reentrar naquele espaço estranho, concentrando-se no fio de informação (conexão do Sistema do Códice Universal) que o levou até lá.
Nada.
Sua Escuridão nem mesmo conseguiu encontrar a entrada desta vez.
"...Droga."
Ele recostou-se, olhando para a palma da mão.
Não adianta forçar.
'Se não posso voltar... vou me concentrar no que consegui conquistar.'
Ele talvez não tivesse conseguido devorar o cubo inteiro, mas o pedacinho minúsculo que conseguiu arrancar foi mais do que suficiente.
A estrutura do Caminho da Conquista… a lógica por trás dele… agora ele entendia como funcionava.
Baseava-se em uma única coisa: Fé.
Toda vez que alguém testemunhava um ato que desafiava as expectativas, algo que realmente acreditava merecer reconhecimento, a sua crença formava um fio.
Esse fio se transformava em Fé.
E essa Fé se tornava a base de um Título.
Dependendo de como as pessoas te percebessem, a Fé que elas entregavam era diferente.
O Único Que Superou Todas as Probabilidades.
O Que Nunca Caiu.
O Invencível.
Cada título refletia a maneira como os outros te viam.
Quanto mais pessoas acreditavam numa determinada versão de você, mais forte ficava seu Caminho da Conquista.
Maior era a energia que você podia extrair dele.
Nome Sem Nome fechou lentamente a mão, absorvendo a informação.
'Isso é absurdo.'
'O Caminho do Cole não é brincadeira.'
Se o Caminho da Conquista dependia da Fé dos outros nele, como é que as pessoas conseguiam enxergar o que ele fazia?
Como desconhecidos sabiam que ele tinha conquistado alguma coisa?
Para acreditar nele, eles precisavam testemunhar suas ações.
Mas, na maior parte das vezes, não havia ninguém por perto.
Então, como isso funcionava?
"Ah,"
De repente, a última peça da revelação se encaixou ao seu entendimento.
Quem observava tudo não eram pessoas.
Eram [Elementais].
"Então é assim…"
Elementais estavam por toda parte.
Invisíveis para a maioria. Observadores silenciosos. Presentes em tudo.
Existiam na chama que dançava na tocha, na brisa que passava despercebida, nas ondas de água e no peso da terra.
Eles viam tudo.
Assistiam.
E se lembravam.
Seus registros tornaram-se a base da Fé.
Agora tudo fazia sentido.
Elementais não eram apenas espíritos inertes ou forças da natureza errantes.
Eram os olhos do Supremo.
Cada Elemental tinha sua própria mente, mesmo sendo uma colmeia com o Supremo.
O Caminho da Conquista era um poder que funcionava com Fé. Claramente, não era algo deste mundo.
'Aquele cara realmente criou algo absurdo.'
Ganho de poder só por outros reconhecerem você era impressionante.
Cole certamente era um gênio por conseguir criar um conceito assim e por ser capaz de executá-lo.
Nome Sem Nome tinha o lugar perfeito para usar o poder da [Fé] em seu próprio Caminho.
'A Fé de muitos faz um Deus,' pensou Nome Sem Nome.
Ele sorriu.
Finalmente, entendeu como o Caminho das Conquistas funcionava.
'Agora, o próximo passo.'
Criar um Caminho não era simples.
Nome Sem Nome precisava construir a base aos poucos.
'Está na hora de devorar o Espelho do Abismo.'
O Espelho do Abismo era poderoso.
Ele podia escanear técnicas — sejam de magia, de combate ou híbridas — e permitir que você as copiasse.
Se essas técnicas fossem dominadas completamente, poderiam até ser evoluídas para níveis superiores.
Há muito tempo, Nome Sem Nome tinha interesse em incorporar essa habilidade ao seu próprio Caminho.
Sua Criação de Núcleo já era potente — permitindo multiplicar a força de suas técnicas ao colocá-las em vários núcleos.
'Se eu devorar o Espelho do Abismo e fundir sua lógica com minha Criação de Núcleo… poderei aprimorar todo o processo.'
Com isso, conseguiria copiar a função de subir de nível nas habilidades.
Porém, havia um problema.
Assim como Cole tentou tocar o Sistema do Códice Universal e foi interceptado, o Supremo das Sombras apareceria assim que ele tentasse devorar o Espelho do Abismo.
No final, embora o Espelho tivesse sido concedido a ele, ainda era uma Sagrada Relíquia do Supremo.
Algo mais precioso para o Supremo do que sua própria família.
Já era chocante que o Supremo lhe entregasse a relíquia sagrada, mas devorá-la seria ultrapassar um limite.