
Capítulo 623
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Parecia que o Deus Criador estava fazendo eles julgarem a si mesmos, pois desejava que afundassem em uma tristeza ainda maior.
Ele queria que soubessem o quão perto tinham estado da salvação, de como a esperança e a graça estavam ao alcance das mãos deles, mas escorreram por entre os dedos.
Devíamos ter optado por uma punição mais leve. Devíamos ter pensado com mais cuidado.
Aos olhos deles, o Deus Criador não precisava julgá-los de uma maneira tão convoluta. Ele poderia simplesmente ter os julgado diretamente.
No entanto, ele zombava deles ao mostrar-lhes a própria vida. Devia achar engraçado como puniram um criminoso e o enviaram ao inferno, só para descobrir que o criminoso eram eles mesmos.
Repugnante
Havia muitos que pensavam assim.
Eles ressentiam-se de Neo, e o karma negativo proveniente desse ressentimento acumulava-se.
"Por que você sempre assume tudo pra si? Você poderia ter escolhido um FINAL normal, e o karma negativo que recebessem teria sido muito menor."
Hades sentia-se impotente.
Sentia nojo de si mesmo. Ver que seu filho tinha escolhido um caminho tão difícil e não conseguir aliviar seu sofrimento fazia-o odiar-se.
Ele nunca esteve lá para elogiar Neo. Nunca esteve lá para protegê-lo.
Tudo o que fazia era tratá-lo como uma arma fracassada e descartá-lo.
Quando Hades percebeu seu erro e quis fazer melhor, já era tarde demais.
As escolhas que fez não podiam mais ser mudadas.
— Droga!
Ele quebrou o punho contra a parede.
Qual era o sentido de ser um dos deuses mais poderosos?
Nem mesmo proteger sua família, ele conseguia. Nem mesmo fazer eles sorrirem.
Ele não podia ser um escudo para eles.
Ele não podia ser o teto deles.
Sua esposa e seus filhos sofriam sem parar por causa das decisões que tomou.
— Droga! Droga!
Apesar de ter vivido por nove eras, Hades não conseguiu mudar nada.
Sua força protegia tudo.
— Pai.
A Morte Sem Nome tentou confortar Hades instintivamente. Mas sua mão atravessou-o, e sua voz nunca chegou aos seus ouvidos.
Tudo o que pôde fazer foi ver seu próprio pai desabar, amaldiçoando sua própria impotência.
Foi então que o som de armaduras tilintando ecoou.
Hades ergueu a cabeça e viu um corpo sem cabeça se aproximando. O corpo sem cabeça vestia uma armadura e empunhava uma espada.
Hades rapidamente se recomposing.
Não podia mostrar uma aparência feia para ninguém.
Então, observou o guerreiro sem cabeça.
— Um Dullahan, mas não um comum. Você é o guardião deste lugar—
Antes que pudesse terminar sua frase, o Dullahan quebrou sua espada ao lado de Hades. O chão rachou com sua força bruta.
Hades ficou surpreso. O Dullahan tinha senso de si mesmo. Mais importante, ele estava bravo com Hades.
— Você está agindo assim porque sou um invasor? — Hades suspirou. — Este lugar deveria reconhecer minha presença desde…
Hades parou de falar.
Ele sentiu o aumento do desejo de matar do Dullahan.
Isso fez com que ele olhasse mais de perto para o Dullahan, e foi aí que o reconheceu.
— Dios? — Hades piscou. — Onde está sua cabeça?
A Morte Sem Nome podia jurar que, se Dullahan tivesse sua cabeça, os cantos dos lábios dele estariam se contorcendo em um sorriso irônico.
O Dullahan colocou a espada de volta na bainha após Hades reconhecê-lo. Então, ele fez um gesto para que Hades o seguisse.
Hades compreendeu o gesto e o seguiu por trás.
O Dullahan percorreu vários corredores. Antes que Hades e a Morte Sem Nome soubessem, estavam dentro de uma sala de escritórios.
Ele indicou para Hades se sentar e começou a preparar o café.
— Eu prefiro chá, — disse Hades, brincando apesar do que estava sentindo.
O Dullahan parou, virou-se para ele como se perguntasse por que ele estava sendo tão insolente. Depois de um tempo, deu um sinal de positivo com o polegar, mostrando que havia entendido a mensagem de Hades.
No entanto, o Dullahan continuou preparando um café.
A sobrancelha de Hades pulou. Mesmo após tantos anos, ele e Dios sabiam exatamente como acabar com a calma um do outro.
Finalmente, o Dullahan serviu o café e se sentou do outro lado da mesa, cruzando os braços.
— Então, por que trouxe eu aqui? — perguntou Hades.
O Dullahan permaneceu em silêncio, imóvel.
Sabendo o que aquilo significava, Hades fez uma graça e respondeu: — Quer saber mais sobre mim e minha esposa?
Ainda sem resposta, era um sinal para continuar.
— Heh, aposto que você não conseguiu dormir por semanas depois que eu te disse, nas minhas últimas palavras, que nos reencontraríamos.
Isso pareceu impactar o Dullahan.
Ele parecia pronto para dar um soco no rosto de Hades, mas freou-se. Hades sorriu, sabendo que isso o irritaria ainda mais.
Ao ver a expressão zombeteira, o Dullahan puxou sua espada. Este lugar o tinha fortalecido, pois ele era seu guardião, e ele estava preparado para derrotar Hades.
— Certo, certo. Sentar-se, — Hades riu. — Eu sei que você tem várias perguntas. Vou respondê-las agora.
O sorriso de Hades desapareceu, e uma expressão extremamente séria tomou seu rosto.
Seu comportamento mudou, deixando-o parecer frio e distante.
O Dullahan sentou-se de volta e cruzou os braços.
— Não se preocupe. Não pretendo mais esconder nada. Como estamos em outro Cosmos, posso falar livremente aqui. —
Justo quando ele ia continuar, a Morte Sem Nome sentiu uma puxada. Seu corpo foi puxado para trás.
Uma vertigem imensa atingiu sua cabeça.
Quando sua mente ficou em paz novamente, ele se viu cercado por chamas brancas.
— Isso… Eu voltei para o Mar de Todas as Consciências—
— Sim, você voltou, — respondeu a Bruxa da Ganância, interrompendo-o.
— Por que te puxaram de volta agora? Tinha algo que eu queria ouvir. —
— O tempo acabou. Eu já te deixei entrar naquele lugar até o limite das minhas habilidades. —
A Morte Sem Nome rangeu os dentes.
Sintia que tinha perdido informações extremamente importantes.
Uma ideia surgiu em sua cabeça. Será que, se ele pudesse reingressar no Cosmos, teria como ouvir o que seu pai tinha a dizer?
— Ei, — virou-se para a Bruxa da Ganância — Me envie de volta naquele lugar de novo.
— Não. —
— Só isso uma vez— —
— Não tenho motivo para te ajudar, — disse a Bruxa da Ganância, interrompendo no meio da frase.
Aquelas palavras fizeram a Morte Sem Nome sair de seu estado de confusão. Ele respirou fundo. Claro, não havia jeito de a Bruxa da Ganância ajudá-lo.
Ele precisava encontrar uma resposta por si próprio.
— Agora que você recebeu o pagamento, é hora de eu te contar por que o Supremo do Vácuo está protegendo os Sítios, — disse ela. — Me siga. —