Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 624

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

A Feiticeira voou pelo céu.

Enquanto a acompanhava, olhou de relance para a Espada de Chama gigante.

Solitária.

Foi assim que ela chamou a espada.

Estava coberta de rachaduras, e nenhuma outra Chama estava próxima dela, como se evitasse sua presença.

'Não está tão sozinha assim', pensou a Morte Sem Nome ao recordar os séculos passados em outro Cosmos.

Um sorriso apareceu em seu rosto.

Embora pudesse levar algum tempo, ela certamente voltaria, e encontraria todos.

A Feiticeira e a Morte Sem Nome pararam no céu.

Ela olhou para ele com um olhar penetrante.

"Achei que você ficaria mais bravo comigo. Eu recusei você, afinal."

"Não há motivo para eu ficar bravo com você só porque você não compartilhou o que é seu."

O conhecimento que a Feiticeira possuía era dela. Se ela não quisese dividir, então a Morte Sem Nome aceitava a escolha.

"Então, está pronto?" ela perguntou.

"Sim", respondeu ele.

A Morte Sem Nome estaria mentindo se dissesse que não estava curioso. Por que ela tinha tanta confiança de que ajudaria o Supremo do Vazio após receber a resposta?

Uma luz emanou das palmas abertas da Feiticeira.

Ela a engoliu, assim como a Morte Sem Nome.

Eles surgiram no céu. Lá embaixo, podiam ver a terra coberta por uma neblina vermelha — Elementais do Caos.

Os Elementais do Caos estavam desaparecendo lentamente.

No chão, Zagreus e a Morte Sem Nome estavam ofegantes.

"Conseguimos. Salvamos o Sítio", disse Zagreus, com a respiração ofegante. "A influência do Berserker se foi. Agora, só precisamos dar vida a esse planeta."

A Feiticeira e a Morte Sem Nome, que flutuavam no céu, observaram o irmão lá embaixo. A verdadeira Morte Sem Nome franziu o rosto.

"Esta é a visão do futuro?"

"Não, é um futuro simulado. Para ser exato, estou mostrando o que aconteceria se você conseguisse ajudar Zagreus", ela respondeu. "Agora, preste atenção."

Zagreus murmurou, "Ainda tem muita coisa—"

"Hmm, isso é surpreendente", disse uma figura que apareceu repentinamente ao lado de Zagreus.

Ele tinha uma silhueta magra, pele metálica verde, e uma cabeça em forma de lágrima de cristal. Seu corpo era humanoide, e sua presença era régia.

O que mais chamava atenção eram seus olhos. As pupilas tinham o formato de uma cobra mordendo o próprio rabo.

A cobra parecia viva. Continuava comendo seu próprio rabo, mas nunca ficava sem nada para mastigar.

"Quem é você?" Zagreus perguntou, franzindo o rosto. Sentiu uma sensação ameaçadora ao ver aquela 'pessoa' nova.

"Ah, peço desculpas por não ter dado atenção a você." O homem fez uma reverência. "Acabei de ler as memórias deste lugar. Vocês foram os que nos ajudaram a encontrar esse local."

"Agradeço por isso. Eu sou… Eu sou um Eterno", respondeu, usando seu título ao invés de nome, já que ouvir seu nome poderia matar Zagreus.

"Agora, peço desculpas novamente, mas falarei com vocês após concluir meu trabalho aqui", disse o Eterno.

As cobras em seus olhos brilharam e ele olhou ao redor.

"Tanta Cinza…"

O Eterno levantou a mão. Um brilho dourado se materializou ao redor do seu braço e se transformou em cobras douradas.

Eles rastejavam ao redor de seu antebraço.

Ele estendeu a palma da mão, apontando-a para frente. Então, o Eterno torceu o braço na direção oposta.

"Pare…", disse Zagreus, com uma sensação ruim. "Eu—"

"Por favor, descanse um pouco."

Assim que o Eterno falou aquilo, Zagreus e a Morte Sem Nome — aquela da visão — caíram no chão, unconscious.

O Eterno continuou olhando ao redor.

De repente, sua mão parou.

"O que é isso? Essas Cinzas aqui estão relacionadas à criação do Universo?"

Uma expressão de preocupação apareceu no rosto do Eterno.

"Hmm, eliminar esse lugar vai causar muitos problemas na linha do tempo. Teria que reiniciar todo o universo desde o começo."

"Não, até uma reinicialização é inútil. Como essas Cinzas são essenciais para a criação deste universo, sem elas, ele nunca nascerá."

A expressão do Eterno ficou ainda pior.

Eliminar as Cinzas que encontrou ali significava apagar o próprio Universo.

Porém…

"Acredito que, neste caso, esse Universo teria que terminar prematuramente." Ele balançou a cabeça.

Então, finalmente, virou a mão novamente, e tudo escureceu.

A Morte Sem Nome ficou paralisada. Não percebeu, mas suas costas estavam cobertas de suor.

"O que foi isso?" perguntou à Feiticeira.

"O universo foi apagado pelo Eterno."

"Por quê?"

"Ele disse que, não? Por causa das Cinzas — as estátuas que você viu nos Sítios. Essas coisas não podem existir, e por isso, os Eternos as apagam."

Ela sorriu e continuou:

"O Supremo do Vazio está escondendo os Sítios ao cobri-los com seus Elementais por causa disso. Se as Cinzas forem encontradas, o universo será apagado."

"Eles… aquilo…"

A Morte Sem Nome ficou sem palavras. Seu coração pulsava forte no peito. O universo seria destruído?

Assim, de repente?

Por que a Vontade Universal não fez nada? E os Supremos?

"Eles não podem fazer nada", ela respondeu, como se lesse seus pensamentos. "Por que você acha que nunca reportaram a existência das Cinzas aos Eternos?"

"Porque sabiam que, assim que os Eternos as encontrassem, eles as apagariam — todas as Cinzas que levaram à criação do universo, e tudo acabaria."

"Entendo…"

A Morte Sem Nome ainda achava tudo difícil de acreditar.

O Universo poderia realmente ser destruído assim, de uma hora para outra?

O Eterno torceu a palma da mão no sentido anti-horário, e isso foi suficiente?

'acalme-se', disse a si mesmo. 'Talvez ela esteja mentindo para mim.'

"Ah, é verdade. Você pode achar que estou mentindo ou que ainda assim não quer ajudar o Supremo do Vazio. E isso não me importa."

"Fiz minha parte no contrato. O que você decidir daqui para frente é uma escolha só sua."

Ela o olhou nos olhos, desfrutando de sua confusão.

"Você pode partir agora, Órfão Sem Nome."

Uma porta apareceu atrás de Zagreus Sem Nome.

Ele olhou para a porta, depois para a Feiticeira. Sabendo que ela não iria lhe dar nenhuma resposta, praguejou e voou até a porta.

Assim que a tocou, voltou para o Sítio Voraka.

Ele surgiu sob o Buraco Branco.

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