Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 618

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

“…?”

Artemis parou diante de uma habitação comunitária. Ela olhou ao redor e apontou para uma casa.

“Expanda seus sentidos naquela casa.”

Obitus ficou alerta. Seria um inimigo? Ou havia algo errado acontecendo lá?

Ela rapidamente estendeu seus sentidos, permitindo-lhe ver e ouvir além das paredes e….

“Aah~ mais forte~”

Obitus estremeceu ao ver o homem e a mulher envolvidos um com o outro. Seus corpos suados se moviam em um ritmo. Eles olhavam um para o outro com um olhar cheio de desejo.

Obitus ficou com a face totalmente vermelha.

Antes que pudesse retrair seus sentidos, Artemis comentou ao lado: “Não desvie o olhar. Ainda não somos nem humanos. Por que se envergonhar de assistir dois humanos transando?”

Havia lógica nas palavras dela. Por que eles, que estão acima dos deuses neste Cosmos, deveriam sentir vergonha?

No entanto, a lógica era uma coisa, e o que Obitus sentia, outra completamente diferente.

“M-mas é…”—

“É?”

“É… tão… indecente…”

Obitus escondia o rosto com as mãos. Mas ainda assim, mantinha seus sentidos estendidos para fora.

Esta foi a segunda vez que ela assistia a algo indecente, a primeira foi quando viu Neo e Elizabeth.

“Hehe, aquele cara fingia ser santo, mas olha só como as pessoas do Cosmos dele são safadas e pervertidas. Com certeza algo foi influenciado por ele.”

Obitus olhou ao redor.

Sua face ficou vermelha como um tomate ao ver o que as outras pessoas faziam dentro de suas casas.

“N-Néo não é pervertido,” ela conseguiu dizer, porém suas palavras tinham pouca força.

“Tem certeza?” Artemis sorriu de lado. “Nós duas assistimos ‘aquela’ coisa, sabia?”

“Não fala assim do Neo!” Obitus fez cara de raiva.

No entanto, Artemis não estava errada.

Com o tema Neo vindo à tona, Artemis facilmente fez Obitus falar. A espada espiritual nem percebeu que estava sendo conduzida por ela como um boi de piranha.

As duas começaram a conversar sobre o passado, enquanto se sentavam na bancos sob o céu noturno.


Depois que terminaram, Artemis finalmente quebrou o silêncio: “Então, por que você se trancou no seu quarto?”

“Porque sou inútil,” respondeu Obitus. Depois de abrir seu coração aos poucos ao longo do dia, ela achou mais fácil liberar suas emoções reprimidas. “Eu… nem sei pelo que o Neo está passando, e não posso fazer nada para ajudá-lo.”

Obitus já tinha atingido há tempos o núcleo do [Cosmos da Matéria Primeval].

Lá ela encontrou parte da Intento de Existência de Neo. Se ela o devorasse, poderia se tornar seu Avatar.

Mas no momento em que tentou devorá-lo…

“Fiquei congelada.” As lágrimas começaram a escorrer pelos seus olhos. “Não consegui devorar a Intento de Existência dele. Só de pensar nisso, fiquei enjoada. Eu… não consigo fazer isso.”

Obitus deveria ter colocado de lado seus sentimentos e devorado a Intento de Existência. Assim, ela poderia abrir o Cosmos e ajudar Neo.

Porém, entre o que deveria fazer e o que queria fazer, ela escolheu a pior opção.

“Q-que tal se ele estiver morto? E se estiver sofrendo em algum lugar, esperando eu salvá-lo? Ele deve me odiar agora por eu ser tão inútil.”

A expressão desanimada de Obitus voltou. Ela tremeu sem controle, encolheu-se, abraçou suas pernas ao peito e chorou.

“O que devo fazer, Artemis? Como—”

Suas palavras foram interrompidas quando Artemis a abraçou.

“Está tudo bem agora. Você trabalhou duro. Tenho certeza de que sabe, mas Neo nunca vai te odiar.”

Suas palavras simples pareciam ter tocado um ponto sensível no coração de Obitus.

Ela chorou como uma criança, as lágrimas escorrendo como se uma represa tivesse quebrado.

Em vez de falar alguma coisa, Artemis passou a mão pelas suas costas até ela parar de chorar.

A liberação das emoções reprimidas por séculos deixou Obitus aliviada e exausta. Ela adormeceu nos braços de Artemis, despertando só após alguns dias.

“Onde é isso?” Obitus cobriu seus olhos com o rosto banhado de luz intensa do sol.

Sua visão foi lentamente se ajustando e ela percebeu que estava em seu quarto. As cortinas tinham sido finalmente abertas e o pó tinha sido limpado. “Quem fez tudo isso?”

O ambiente parecia vibrante e cheio de energia, diferente de antes.

“Você está acordada,” disse Artemis enquanto trazia o café da manhã para si mesma. Ela olhou para seu prato, depois para Obitus, e comentou: “Vamos dividir isso. A cozinha fica longe demais para ir e voltar.”

As duas comeram em silêncio.

Embora Obitus não precisasse comer, ela comeu mesmo assim, só para esconder a vergonha da última vez.

“Ummm…” Obitus hesitou. Uma leve cor rosada apareceu em seu rosto. “Sobre a noite passada, eu—”

“Ah, você quer assistir ‘aquilo’ de novo? Eu sabia! Você gosta de coisas boas.”

“Não era isso que eu ia dizer!” Obitus gritou, com o rosto vermelho. “E você deveria parar também! Ou vou reclamar com os Supervisores!”

“Bua, você não tem graça,” reclamou Artemis.

Obitus deu uma fungadela, ignorando-a, concentrada na comida.

Depois de alguns minutos, ela murmurou: “Obrigada.”

Artemis sorriu e ficou em silêncio.

A rotina de Obitus melhorou imensamente após a intervenção de Artemis. Ela foi conversar com os Supervisores e pediu desculpas por tê-los preocupado com ela.

Eles a acolheram de volta.

A Firmeza da Espada da Morte ficou feliz por seu retorno, assim como os outros Supervisores.

Depois que tudo se acalmou, a Firmeza do Tirano chamou Obitus para sua sala.

“Olá.”

“Sente-se.”

Obitus seguiu as instruções e sentou-se na cadeira com nervosismo.

Talvez por o Tirano se parecer com Elizabeth, ela sempre ficava tensa perto dele.

Ela olhou para cima do documento que ele folheava e o encarou.

“Café?”

“H-huh?”

“Quer café ou chá?”

“Ah, chá.”

O Tirano se levantou e começou a preparar chá para ambos. Obitus observava enquanto ele falava:

“Não se preocupe tanto em abrir o Cosmos.”

Obitus estremecceu. O assunto era doloroso para ela.

O Tirano continuou como se não tivesse notado sua reação.

“Por enquanto, não podemos abri-lo. Sei que você está preocupada com Neo, mas foque no que pode fazer ao invés de se fixar no que não pode.”

“Mesmo que o Cosmos esteja selado, haverá um dia em que ele será aberto. Quando isso acontecer, precisamos estar preparados para ajudar Neo.”

Ela trouxe o chá para Obitus.

Obitus deu um gole e murmurou: “Está ótimo.”

O Tirano assentiu, parou ao lado dela e deu uma palmadinha na cabeça da espada espiritual.

“O mais importante é você estar feliz. Como você acha que Neo se sentiria se visse você sofrendo há cem anos?”

Obitus respondeu com um leve som de aprovação.

O Tirano sorriu.

“Não coloque toda a culpa só em você, e compartilhe sua dor conosco, tá? Somos uma família.”

Obitus respondeu com outro som de aprovação.

Ela abaixou a cabeça enquanto tomava o chá.

Mas o Tirano percebeu que ela lutava para segurar as lágrimas.

Nameless Death, que tinha assistido tudo, sorriu.

“Obrigada.”

Embora nem o Tirano nem Artemis pudessem ouvi-lo, seus sentimentos eram sinceros.

“Obrigada por ajudá-la.”

Ele já tinha entendido que o Neo de quem estavam falando era ele.

Embora não se lembrasse de ninguém neste Cosmos, a ligação íntima que sentia com eles confirmava seus pensamentos.

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