Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 617

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

“Esqueça, eu vou entender o que está acontecendo quando a vir,” Murmurou a Morte Sem Nome, balançando a cabeça.

O aposento de Obitus ficava no canto mais profundo do palácio.

Dentro dele, as janelas estavam fechadas e as cortinas puxadas, criando uma escuridão total no ambiente.

Obitus estava deitada na cama, com os cabelos espalhados por baixo dela.

Seu olhar era vazio. Parecia uma boneca sem vida.

A Morte Sem Nome passou dias ao seu lado. Ela nunca se mexia, exceto por sussurros ocasionais de soluços. Era como se tivesse desistido de viver e agora estivesse esperando a morte.

Assistir a ela assim, como se tivesse perdido tudo, era doloroso para ele. Não conseguia entender por que se sentia assim.

"Este lugar com certeza tem alguma ligação comigo. Tudo aqui é familiar, e essas pessoas mais ainda."

Obitus transmitia a maior sensação de familiaridade para ele.

Ele queria enxugar suas lágrimas e dizer que tudo ficaria bem, mas não podia tocá-la, nem chamá-la.

"Por que ela está assim?"

A Morte Sem Nome mordeu os lábios. Uma raiva começou a surgir em seu coração. Obitus era claramente alguém importante.

Então por que os Vigilantes e Administradores não estavam ajudando ela a superar sua dor?

Ele cerrava os punhos.

Eles iam até sua porta e chamavam por ela. A Firma Tirano frequentemente visitava, mas como Obitus não respondia, eles nunca abriam a porta do aposento.

Ela recusava ajuda, então eles só podiam voltar.

“Esses idiotas.” A Morte Sem Nome rangeu a mandíbula.

E se ela estivesse recusando ajuda?

Deveriam ter forçado a entrada.

Apesar dos sentimentos dele, ele não podia fazer mais do que assistir.

"Vai ficar tudo bem," disse ele enquanto tentava acariciar sua cabeça, mas fracassou. Seus braços atravessaram seus fios de cabelo, e sua voz não foi ouvida.

Passou décadas ao lado dela, cuidando dela.

O próprio coração dele se despedaçava aos poucos ao vê-la afogada em dor e culpa.

Quase um século se passou até que as portas do aposento de Obitus foram finalmente abertas.

As portas, que nunca se moveram, foram esmagadas e abertas de repente.

"Como vai minha querida Obitus?" ecoou uma voz jovial e encantadora.

Uma mulher com cabelos prateados e olhos prateados estava na porta. Sua figura parecia emitir luz. Era deslumbrantemente linda, um pouco menor que a altura média.

"Quem...?" perguntou Obitus, levantando levemente a cabeça. "Não, só... vá embora..."

Ela levantou a mão para afastar a mulher à força, mas antes que pudesse, ela já estava sentada ao seu lado, segurando seu rosto com ambas as mãos.

"Ai, meu. Por que você está tão magra? Não tem comido nada?"

"Quem... você...?" só saiu em pedaços dos lábios calejados de Obitus. Mesmo agora, seus olhos continuavam opacos e sem vida.

"Finalmente me manifestei depois que minha Benção se fuse totalmente, e você nem me reconhece?" a mulher fingiu estar magoada, mas depois assentiu exageradamente. "Faz sentido, você nunca viu minha verdadeira aparência."

Ela se levantou, deu uma volta, e assumiu uma pose.

"Como estou? Você deve estar impressionada com minha beleza."

Obitus finalmente olhou para ela. Não a reconhecia. Mas essa ousadia, essa maneira estranha de falar, e o fato de ela se chamar de Benção...

"Ártemis?"

"Claro que me reconhece, minha beleza divina não pode ficar escondida," ela sorriu com orgulho e satisfação por ser reconhecida. "Agora, vamos sair. Já esperando por conversar com você há séculos!"

Antes que Obitus pudesse resistir, Ártemis segurou sua mão e puxou-a para fora do aposento.

A Morte Sem Nome, que observava tudo, soltou um suspiro de alívio.

Estava preocupado que Obitus fosse rejeitar a mulher, mas parecia que ela era ousada demais para ir embora, mesmo depois de terem mandado que fosse embora.

'Só alguém como ela pode ajudar Obitus.'

Ele torcia para que ela pudesse salvar Obitus, e desejava que não agravasse mais a condição dela.

Depois de pensar por um momento, decidiu seguir atrás delas.

Ártemis levou Obitus a um restaurante. As pessoas não sabiam quem eram, mas ainda assim olhavam de relance para a dupla impressionante.

Os olhares fizeram Obitus estremecer e se encolher.

"O que vai comer?" perguntou Ártemis. "Eu vou pegar..."

A mulher de olhos prateados encomendou dezenas de pratos. A mesa ficou cheia até a borda. Até Obitus ficou surpresa.

"Pode... pode comer tanto assim?" perguntou timidamente.

"Finalmente tenho corpo depois de séculos. Vou comer tudo, mesmo que meu estômago exploda."

Enquanto comia, ela ofereceu um pedaço a Obitus, que recusou, fazendo Ártemis dar de ombros e comer ela mesma.

Depois, Ártemis puxou Obitus pelo braço em direção a um cinema, depois a um mercado, depois a um parque de diversões.

A mulher ousada não dava descanso a Obitus.

"Vamos para..."

Elas continuaram indo de um lugar ao outro. Até então, Ártemis era uma Benção sem hospedeiro e, por isso, não conseguia comunicar-se com ninguém.

Mas isso mudou hoje.

Como Ártemis finalmente tinha um corpo, ela queria fazer tudo o que não pôde antes.

A Morte Sem Nome percebeu que a Firma Tirano, a Firma Espada da Morte, e outros Vigilantes estavam seguindo o grupo à distância.

Pareciam preocupados com Obitus, e pelo que parecia, todo o dia tinha sido planejado por eles juntos.

'Então, também estavam preocupados com ela,' pensou.

Na retrospectiva, fazia sentido. Devem ter ficado preocupados com Obitus. A Morte Sem Nome tinha ficado simplesmente muito brava com eles para considerar seus pensamentos.

Os Vigilantes queriam ajudar Obitus, mas tinham medo de piorar a situação.

Só após Ártemis aparecer de manhã e dizer que cuidaria de tudo, eles tomaram uma atitude.

"Haaah, estou morrendo," disse Ártemis, sentada em um banco na rua.

Ela estava coberta de suor, respirando pesadamente.

Virando a cabeça, notou que Obitus estava completamente bem.

"Como você não está cansada depois de tudo isso?"

Já era noite, e ventos fresquinhos sopravam pela área. O movimento no mercado ainda estava intenso.

"Uh..." Obitus falou de forma constrangida, sem acostumar a falar após séculos isolada. "Por que você está cansada? Não somos pessoas normais que se cansam com tão pouco."

"Huh? Não sei. Talvez seja meu corpo? Embora tenha levado um bom tempo pra se formar, e eu consiga sentir que tem potencial enorme, por agora parece fraco, como um corpo humano."

Ártemis fez uma expressão ressentida.

Ao vê-la assim, Obitus lembrou das várias expressões que Ártemis tinha mostrado ao longo do dia.

Uma risada escapou de seus lábios.

"Como sua personalidade ainda é tão estranha?" perguntou, rindo.

"Encantadora, quer dizer," Ártemis sorriu com um sorriso malicioso.

Ela olhou para Obitus com um sorriso, vendo-a finalmente fazer uma expressão diferente, por um momento.

"Agora, é hora do grande momento!" Ártemis pegou novamente sua mão e puxou-a.

"Para onde vamos?" perguntou Obitus, num humor muito melhor. Ela mesma não tinha percebido o quanto ansiava pela companhia de alguém, e, após um dia com Ártemis, seu humor tinha relaxado.

"Hehe, já é noite. Então, é claro que vamos assistir 'aquela coisa'."

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