
Capítulo 564
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
O Sete Soberanos das Emoções rosnou. "Vamos tentar novamente. Ele vai quebrar. Até o aço se rompe quando é aquecido várias vezes. Até diamantes se fragmentam sob a pressão certa."
Mas aquilo não era aço.
E não se tratava de pressão.
Era algo diferente.
A Morte Sem Nome abriu os olhos na próxima pesadela.
Desta vez, ele era um jovem de pé diante de um santuário desmoronado. Novamente sozinho. Não tinha memória, nem guia.
Tudo que tinha era uma espada antiga e um céu cheio de cinzas.
Ele deu um passo adiante.
Não porque se lembrasse.
Não porque soubesse o que o aguardava.
Mas porque algo dentro dele se recusava a parar.
Um pé. Depois o outro.
O vento uivava. O santuário desmoronou atrás dele.
E ele continuou andando.
Dentro da prisão, a mulher observou aquele diamante rachado pulsar mais uma vez. Era um ritmo lento e constante, e o pulso estava mais forte do que antes.
Ela recuou do espírito. Seus dedos se arquearam. O sorriso desapareceu de seus lábios.
"Ele não desistiu." Ela morde suas unhas. "Será que ele sabe mesmo o que é desistir?"
Os Sete Soberanos das Emoções estreitaram seus olhos que mudavam constantemente.
Eles ficaram em silêncio.
Mas, pela primeira vez, hesitaram.
Os sete Soberanos das Emoções se voltaram para a mulher.
"Pedimos apenas mais um pouco de tempo," disse calmamente o Soberano do Desespero.
O Soberano da Alegria a seguiu, com tom de súplica. "Tem alguma outra coisa que possamos tentar. Um caminho diferente, um adiamento, qualquer coisa."
Mas a expressão da mulher era indecifrável. Seus olhos, que antes eram pacientes, agora carregavam o peso do final.
"Não há mais tempo," ela afirmou. "A Morte Sem Nome será tomada pela Aliança em um mês. Isso já está decidido."
O Soberano da Raiva cerrara os punhos. "Podíamos detê-los. Vossa Majestade, não deveria dar ouvidos àqueles—"
"Silêncio." Sua voz atravessou-o, calma porém firme. "Todos tiveram sua chance. Vocês não conseguiram despertá-lo."
Os Soberanos ficaram em silêncio.
Um a um, olharam para ela, esperando encontrar hesitação em seu olhar.
Ao invés disso, viram uma vontade fria e firme.
Não havia espaço para súplicas.
"Não preciso mais de vocês," ela disse. "Vão embora."
Nenhum deles se moveu.
Então, ela os olhou, e eles estremeceram.
Aquele olhar não era algo que tinham visto dela antes.
Era o olhar de alguém que havia abandonado a dúvida. De alguém que estava prestes a dar um passo final, custe o que custar.
Viraram-se de costas.
Primeiro o Soberano da Raiva desapareceu, depois o do Medo, e por último, o da Esperança.
Um após o outro, os Soberanos sumiram, deixando-a sozinha na câmara silenciosa. Sozinha com ele.
A Morte Sem Nome ainda jazia imóvel, amarrada em silêncio.
A mulher avançou e ajoelhou-se ao lado dele.
Sua mãos tremiam por um instante. Depois, pararam.
De seus dedos emergiram chamas brancas.
O poder do Elemento da Força de Vontade cintilou e se lançou ao ar, cobrindo o espaço ao redor com uma intensidade sem calor.
Normalmente, ela quebraria a vontade de alguém antes de absorvê-la.
Era o único método seguro.
Até uma vontade fraca de outro mundo poderia puxá-la para dentro, contaminar sua essência, fundir-se com sua mente se ela não fosse cuidadosa.
Mas ela não tinha tempo para cautelas.
E não podia enfraquecer a vontade dele, mesmo após séculos tentando.
A vontade dele era menor que a dela, mas mais pura.
Era perigoso absorvê-la.
Mas a mulher escolheu o seu caminho.
Depois de absorver outras por eras, sua própria vontade havia crescido e se tornara massive, carregando ecos de incontáveis outras vontades.
Porém, a densidade e a pureza da vontade dele eram incomparáveis.
Isso a tornaria uma Quebradora do Céu.
Então, ela iniciou a fusão.
As chamas brancas ao seu redor se intensificaram. Seu corpo se tornou rígido. Ela podia sentir a pressão da vontade dele encontrando a dela. Suas mentes se tocaram, então colidiram.
No próximo instante, a câmara desapareceu.
Ela se viu em um espaço branco, vasto e vazio.
Era o mundo mental dele.
Ele estava lá.
A Morte Sem Nome permanecia a uma curta distância. Seu olhar era calmo enquanto a encarava. Não havia surpresa ou fúria em seus olhos.
A mulher franziu o cenho levemente e avançou.
"Esperava que estivesse bravo," ela disse. "Ou que tivesse vindo me atacar. Afinal, agora deve lembrar de tudo. Então, por que está tão calmo?"
"Você realmente quer se tornar uma Quebradora do Céu?" ele perguntou, ao invés de responder.
Seu rosto fechou-se. "Do que você está falando?"
Ele a olhou com aquela mesma calma inquietante.
"Não me lembro de nada," ele disse. "Mas há uma voz dentro de mim. Ela me disse para dizer isto: Você não pode se tornar uma Quebradora do Céu com vontade emprestada. Tem que ser sua. Você precisa superar sua fraqueza — não roubar a força de alguém."
Ela não respondeu imediatamente.
Dentro de um mundo mental, mentiras eram impossíveis.
Aqui, tudo que alguém dizia refletia sua verdadeira essência.
Se aquelas palavras vinham do Nameless Death, então carregavam verdade, mesmo que ele não entendesse.
Seu rosto afundou ainda mais. Mas antes que pudesse falar, ele prosseguiu.
"Vou te ajudar," disse. "Vou te ajudar a se tornar uma Quebradora do Céu."
Ela levantou uma sobrancelha, cautelosa. "Vai?"
"VOU," repetiu. "Mas a voz dentro de mim diz que vai ser perigoso—"
"Faça," ela interrompeu.
Ele piscou.
"Seja lá o que for," ela afirmou. "Faça. Eu cheguei até aqui. Não vou recuar."
Ele a olhou por mais um instante, então suspirou suavemente.
"Muito bem."
Ele ergueu a mão e estalou os dedos.
O mundo branco desmoronou num instante.
Toda a luz desapareceu, engolida por uma fenda de silêncio.
A mulher se viu em um vazio negro, sem forma ou limite.
Suspensa na nada.
Ele falou, embora ela não conseguisse vê-lo.
"Sabe por que não estou bravo com você?"
Sua voz era calma, distante.
"É porque tenho pena de você. Você tocou algo que não compreende. Quer se tornar uma Quebradora do Céu, mas nunca viu desespero. Não sabe como ele se parece, e mesmo assim... decidiu abraçá-lo."
Ela se virou tentando localizá-lo na escuridão, mas ele já havia desaparecido.
Não havia presença ou som.
Somente o vazio permanecia.
A mulher tentou se mover, mas seu corpo não respondia.
Ela tentou falar, mas nenhuma palavra saiu.
Querendo partir, mas não havia para onde.
Tudo que restou foi o pensamento. E o tempo.
Tempo para refletir.
Tempo para esperar.
Tempo para entender o que realmente significava buscar o poder de uma Quebradora do Céu.
Tempo para compreender o Verdadeiro Desespero.
E, pela primeira vez em muito tempo, a mulher sentiu algo estranho rastejando na ponta de sua mente.
Incerteza.
Ela fechou os olhos.
E esperou.
E esperou.
Continuou flutuando no nada, despojada de sensação, voz e forma.
O tempo aqui não tinha significado.
Poderiam ter passado segundos ou séculos. Ela não sabia, nem podia saber.
A escuridão não se moveu, não se agitou.
Não era sufocante nem barulhenta.
Simplesmente existia.
No começo, ela esperou.
Acreditava que fosse um teste. Que essa cena fosse algo que o Nameless Death tinha experimentado, ajudando-o a treinar sua vontade.
Então, logo, isso acabaria.
Ele tinha dito que seria perigoso. Mas, com o passar do tempo, ela percebeu uma coisa.
Isso não era perigo, nem uma prova. Era... desespero.
O desespero dele.
Ela tentou falar novamente. Tentou gritar, só pra ouvir o eco de sua própria voz.
Mas nada veio. Seus pensamentos tornaram-se sua prisão, e começaram a se desfazer.
Memórias flutuavam de um lado para o outro — rostos, nomes, guerras, vitórias — mas até esses pareciam distantes. Detachados. Sem sentido.
Então ela começou a entender o que era o Verdadeiro Desespero.
Não era moldado por tragédia ou perda. Não nascia de tristeza ou sonhos quebrados.
Era a percepção de que nada importava. Que, independentemente do que fizesse, por mais forte que se tornasse, esse vazio seria sempre presente — silencioso, paciente, à espera.
O Verdadeiro Desespero não gritava. Não precisava de truques ou apagamento de memória.
Ele só precisava de silêncio.
E quando alguém finalmente encontrasse esse silêncio, entenderia que era impossível vencê-lo.
O horror do Verdadeiro Desespero quebrou a mulher enquanto ela passava a eternidade no vazio escuro e sem fim.