
Capítulo 563
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
A mulher estudava a força de vontade da mesma maneira que um ferreiro examina metais.
Em seus olhos, a força de vontade da maioria das pessoas parecia uma bola de gás.
Era leve, sempre mudando, fácil de desintegrar. Bastava um puxão —um pouco de medo, um pouco de desespero— e ela se dispersava como fumaça.
Ela nem precisava se esforçar muito.
Depois, ela absorvia essa força de vontade para fortalecer a sua própria.
Ela tinha extraído força de toda espécie de ser.
Alguns resistiam melhor que outros.
A força de vontade deles não se dispersava com tanta facilidade.
Não era uma esfera gasosa, mas algo mais pesado — uma argila.
A esfera de argila era espessa, compacta, moldada pelas suas experiências de vida e crenças.
No entanto, ela podia enfiar os dedos, espremer partes da sua determinação e lentamente destruí-la. Só que exigia mais esforço.
A mulher tinha vivido bilhões de anos vivendo dessa forma.
Ela havia alcançado um nível onde sua força de vontade chegava ao ponto de ebulição.
Agora, ela não precisava de quantidade, mas de qualidade.
Ela precisava de uma força de vontade diferente de qualquer outra.
Se ela pudesse absorvê-la, tornar-se uma Quebra-Céus não seria mais um sonho.
'Huuuh…'
'É isso.'
'Posso consegui-la com ele.'
Morte Sem Nome.
Ela fitou a sua força de vontade. Não era uma esfera de gás, nem de argila.
O que pairava diante dela era uma esfera perfeita, fria e brilhante como um diamante.
Estava sem defeitos e era imóvel.
Seus dedos não conseguiam penetrar nela. Sua influência não podia manchá-la. Nenhuma quantidade de desespero ou dor poderia fazer uma marca.
No começo, achou aquilo fascinante.
Depois, irritante.
E então, enlouquecedora.
Ele se colocava à sua frente, com os olhos vazios pelo peso do que tinha suportado, e ainda assim não quebrava.
Sua postura tremia, mas seu olhar permanecia firme.
Ela e os Sete Soberanos das Emoções despejaram pesadelo após pesadelo em sua alma. Ele deveria ter se rendido após algumas horas, ou talvez poucos dias.
Mas resistiu séculos.
E ainda permaneceu firme.
Os Sete Soberanos das Emoções, envoltos em máscaras de cores e vozes mutantes, riram frustrados.
"Por mais forte que seja sua força de vontade," sussurraram, cercando-o, "ela vai se quebrar mais cedo ou mais tarde. Tudo se desfaz."
Morte Sem Nome não respondeu.
Essa era uma das coisas que a tornava ainda pior. Não eram as palavras que dizia, mas o silêncio. Não era desafiador. Não era pacífico.
Era teimoso.
Era uma montanha imóvel no meio de uma tempestade.
Então, mudaram suas estratégias.
Pararam de tentar esmagá-lo com desespero puro. Em vez disso, reescreveram a tortura.
Cada vez que ele adormecia — ou era forçado a perder a consciência — ele despertava em uma nova vida. Sem memória de quem realmente era.
Um covarde numa vila condenada.
Um cavaleiro com um juramento quebrado.
Um rei traído pelo próprio povo.
Um guerreiro lutando uma guerra que nunca poderia vencer.
Um estudioso tentando salvar um mundo à beira da extinção.
Um amante arrancado dos braços de alguém que nunca poderia ver novamente.
Cada versão dele tinha sua própria história.
Nenhuma delas se lembrava das versões anteriores.
Mas todas terminavam em ruína.
E, toda vez, quando aquela persona desmoronava, sua alma era puxada de volta ao núcleo da prisão. Cada vez, ela ficava um pouco mais rachada, um pouco mais cansada, até ser jogada em mais uma vida.
Essas vidas não eram pesadelos.
Eram a realidade.
A mulher, Deusa da Morte do seu mundo, enviava-o por várias reencarnações.
Ela garantia que sua alma não pudesse se recuperar e forçava sua alma a suportar a pressão trazida pela montanha de desespero.
As feridas se acumulavam. Camada após camada. Corte após corte. Mas ela nunca deixava a alma se romper completamente. Era forçada a permanecer, o que a fazia apodrecer por dentro.
Após cem anos, a Morte Sem Nome derramou lágrimas.
Após trezentos anos, sua alma tremia a cada descida para uma nova vida.
Após quatrocentos anos, as rachaduras na sua força de vontade eram visíveis. Eram profundas e afiadas.
A mulher percebia que estavam próximas do fim.
"Está perto," ela sussurrou, mais para si do que para qualquer outro. "Só mais um pouco. Ele vai se quebrar finalmente."
Os Sete Soberanos das Emoções pairavam perto dele, sua presença mudando como neblina e fogo.
"Como é," perguntaram, com vozes sobrepostas em dezenas de tons, "perder tudo de novo e de novo e ainda assim não se lembrar do porquê?"
Morte Sem Nome não respondeu.
Nesse momento, ele estava despertando novamente.
Em uma nova vida.
Um simples fazendeiro numa terra morrente.
A esposa já tinha desaparecido nesta história. Seu filho ficou doente uma semana depois.
Ele vendeu tudo por uma receita que nunca chegou. Sua aldeia foi queimada, e ele foi acusado pelo ataque.
Fizeram-no pendurar numa árvore ao lado do túmulo do filho.
Ele morreu com a boca cheia de terra e com fogo nos olhos.
Quando a alma retornou, ela foi examinada cuidadosamente. As rachaduras haviam se ampliado. Pequenos fragmentos começaram a se desprender.
Porém, a força de vontade ainda era grande demais para ela absorver.
Se ela fundisse uma força de vontade tão pura e gigante, poderia acabar absorvendo ela, e não a Morte Sem Nome.
Então…
Mais um pouco.
Mas, com o passar do tempo, sua força de vontade nunca se quebrou.
Ela rachou, é verdade. Mas, como se algo invisível a estivesse sustentando, permaneceu como um só cristal.
Isso era a prova de que a Morte Sem Nome não tinha sido destruída.
"Por que você continua se levantando?" ela murmurou. "Não sobrou mais nada. Você perdeu toda identidade. Todo sonho. Até seu senso de si mesmo."
E ainda assim, quando o próximo pesadelo começava, ele avançava.
Cada vida começava igual. Ele não tinha nada. Era outra pessoa. Não sabia que estava preso.
Mas algo dentro dele — algo profundo — o impulsionava a seguir em frente.
Mesmo quando ele se despedaçava.
Mesmo quando fracassava.
Mesmo quando gritava, chorava, implorando para acabar… ele sempre se levantava.
Sempre.
Às vezes rastejando.
Às vezes arrastando-se por lama, sangue ou fogo.
Às vezes entrando na própria morte só para dar mais um dia a alguém.
Nada fazia sentido. Para eles. Para o Soberano. Para a mulher que observava sua alma como uma cientista observando uma cobaia.
Não era assim que tinha que funcionar.
Ninguém deveria durar tanto assim.
Sem esperança.
E, no entanto, ele resistia.
Chorava sangue quando o tormento se tornava insuportável.
Rompia-se quando sua família traía ele numa vida, entregando-o aos inimigos que lutara para afastar deles.
Gemia de dor quando sua filha — o único raio de esperança em uma de suas vidas — era levada dele.
Mas ele nunca parou de avançar.
Engoliu suas lágrimas e se levantou na manhã seguinte, pronto para trabalhar.
Mataram seus inimigos e voltaram para sua família para perguntar por que o traíram.
Lutou até o último suspiro para proteger sua filha e garantir um futuro seguro para ela.
As fissuras na sua força de vontade se aprofundaram. Mas o diamante — a manifestação visual da sua força de vontade — nunca se quebrou.
Pelo contrário, tornou-se mais puro, maior.
A mulher o observava e sentia algo novo. Não irritação. Não frustração. Algo que ela não sentia há muito tempo.
Duvidar.
"O… que você é?" ela sussurrou.
Os Sete Soberanos das Emoções rosnaram.