Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 528

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Neo desapareceu.

Ele reapareceu na frente dele, provocando Tartarus a tentar pará-lo.

Sua pancada acertou o torso de Tartarus.

O falso deus voou para trás. Seu corpo atravessou a outra lado da árvore do pesadelo e caiu em uma cratera profunda.

Tartarus se levantou, com o corpo ensanguentado.

Ele aplaudiu as mãos, criando uma violenta explosão de gravidade e vazio.

Seu corpo voltou a explodir em outro ataque autodestrutivo. Neo foi engolido por ele.

De novo.

Neo usou Olhos do Eco e Sombra Total.

Ele evitou o ataque com Pseudo-Gap antes que ele o engolisse.

O cenário se esclareceu. O corpo de Tartarus estava destruído. Ele respirava pesadamente.

Mas seus olhos ainda ardiam com ferocidade.

Sua vontade não estava quebrada.

Neo atacou. Não havia técnica complicada, nenhum Feitiço de alto nível.

Seu punho acertou o queixo de Tartarus, e o ataque de Tartarus atingiu seu torso.

De novo, ambos trocaram golpes.

De novo. De novo. De novo.

Cada golpe era preciso. O chão sob eles se afundava pelo peso das pancadas. O espaço se curvava.

Tartarus cuspiu sangue. Virou-se, furioso, e lançou outro ataque suicida, sobrecarregando seu Núcleo.

Neo foi pego na explosão. Sua pele queimou. Seu peito se abriu em rachaduras.

Então…

O tempo retrocedeu.

Neo retomou a posição, ileso, assim como Tartarus.

Mas Tartarus sabia que, mesmo sendo mais forte, Neo tinha vantagem por possuir técnicas únicas que se combinavam para liberar efeitos devastadores.

A raiva de Tartarus aumentou.

"Essa é sua forma de lutar?"

"Não," respondeu Neo. "É sua. Estou só usando contra você."

Ele avançou.

Tartarus balançou, invocou correntes de julgamento e lanças de pecado do céu quebrado. Choveram como chuva.

Neo passou por entre eles. Uma lâmina de sombras cortou seu rosto. Uma lança furou seu lado. Sangue espirrou, mas ele ignorou.

Seus dezenas de técnicas de regeneração funcionaram juntamente com sua Bênção, curando ferimentos e regenerando lesões.

Seus passos eram calmos.

Sua direção era em direção a Tartarus.

Não importava o feitiço que o atingisse, nem a arma que cortasse seu corpo.

Ele avançou.

E.

Chegou perto de Tartarus.

"Agora? Acho que seus ataques não estão fazendo efeito algum."

Seus olhos, carregados com chamas roxas, fixavam Tartarus no olhar.

"O que vai fazer agora?"

"Qualquer coisa," tartaruga ronronou. "Vamos ver se consegue sair dessa."

Ele espetou as mãos no próprio peito e puxou os últimos vestígios de sua força vital. Mesmo mais fraco, esse corpo era mais forte que os rankes do Nível 3.

Sua força vital ultrapassava a de Neo.

O céu escureceu. O mundo se torceu. Tartarus explodiu novamente, desta vez com a intenção de apagar sua própria existência junto com a de Neo.

Olhos do Eco e Sombra Total.

O tempo retrocedeu, apenas cinco segundos.

Neo permanecia na sua posição, completamente intacto.

Tartarus rangeu os dentes.

Avançou e deu um soco em Neo.

Metade do abdômen de Neo foi destruída.

Então, suas habilidades de regeneração ativaram-se e ele revidou.

A pancada deformou o rosto de Tartarus. Sangue jatosu. Tartarus cambaleou.

Outro soco.

Outra montanha se despedaçou.

Mais um passo adiante.

Tartarus percebeu tarde demais o que estava acontecendo.

Neo não estava ficando mais forte. Ele estava dominando o que já possuía. Por passar por muitas descobertas rapidamente, mal conseguia ajustar-se à sua nova força.

Mas aqui?

Cada golpe que trocava, cada ataque que bloqueava, tornava-o mais eficiente.

Neo não parou.

Um ombro atingiu o ventre de Tartarus. Um cotovelo quebrou sua mandíbula. Um joelho nas costelas. Tartarus tentou contra-atacar, mas Neo desviou no meio do movimento e quebrou seu pulso.

"Por que…" Tartarus ofegou. "Por que você está fazendo isso?"

Neo não respondeu.

"Você está destruindo tudo!" Tartarus gritou. "Este mundo—este sistema—foi criado para julgar o mal. É só isso! E você o está destruindo por quê?"

O punho de Neo diminuiu de velocidade. Ele olhou fixamente, esperando.

"Você não passa de alguém que só pensa em si," continuou Tartarus, cada vez mais furioso. "Você está louco porque sua amante morreu. E por isso, acha que pode destruir esse mundo? Você entende o que esse mundo faz? Ele julga os ímpios! Isso é justiça! É importante demais para ser destruída!"

"Você não vê como as almas aqui estão desesperadas? Como elas gritam e choram por liberdade? Isso é justiça. É isso que fazemos. Cada mentira, cada dor faz parte da sentença deles!"

Neo permaneceu imóvel.

Tartarus apontou um dedo quebrado na direção dele.

"Que direito você acha que tem de destruir este mundo justo—"

Neo respirou fundo.

Essa frase de Tartarus foi interrompida no meio.

"Você está querendo entender errado," disse Neo, finalmente. "Não estou aqui para julgar se seu mundo é certo ou errado."

Tartarus piscou.

Neo deu um passo mais perto.

"Não quero destruir seu mundo. Isso é só um efeito colateral."

Sua mão fechou-se em um punho.

"Meu objetivo é te matar."

"Matar? Por ela? Ela assassinou milhares. A karma negativa dela é pesada demais. Você sabe quantas dores ela causou?" Tartarus o encarou com rancor.

"E quanto a nós?"

Tartarus ficou quieto.

"Você e eu carregamos mais karma negativo que qualquer um neste mundo. Você nunca veio atrás de mim porque eu era mal. Veio porque parei de ser Juiz."

Tartarus hesitou.

"Você acha que nasceu para ser Deus. Mas eu não."

Tartarus recuou.

"Você fica dizendo que entregamos justiça. Que estamos acima do julgamento."

Neo balançou a cabeça.

"Mas isso não é verdade, Tartarus. Você não é um Deus. Você nunca foi um Deus."

"E eu nunca fui um Juiz."

Ele parou por alguns segundos, depois exalou profundamente.

"Sou apenas um Ceifador do Ranking Setenta e Três. Não decido quem vive ou morre. Só tiro vidas quando chega a hora."

Neo recuou mais uma vez.

"E Tartarus… seu tempo acabou."

Tartarus rugiu e avançou de cabeça. Seu corpo se expandiu para algo monstruoso, mas divino. Tornou-se uma criatura gigante com seis mãos, cada uma segurando uma arma infundida com julgamento, desespero, fogo e correntes.

Neo desapareceu.

Depois, apareceu acima da cabeça de Tartarus.

Deu um soco na lateral do crânio dele.

O céu se partiu. O campo de batalha desmoronou.

Tartarus tentou reagir.

Neo já tinha desaparecido.

Outro soco na coluna.

Mais um na localização do Núcleo dele.

Tartarus caiu de joelhos.

Neo ficou acima dele.

Tartarus rugiu novamente. Correntes saíram disparadas de todos os lados.

Neo foi perfurado uma dezena de vezes.

Depois, o tempo retrocedeu mais uma vez.

Neo reapareceu no local onde estivera há dez segundos, sem ferimentos.

Ele moveu seu punho mais uma vez.

Tartarus caiu, fazendo o chão tremer.

Neo ficou acima dele.

Não disse nada.

Ele não precisava. O resultado era tão claro quanto o dia.

O falso Deus tinha caído.

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