
Capítulo 468
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Um por um, os monstros caídos começaram a se levantar.
Suas formas grotescas se transformavam com vigor fora do comum.
As oito patas se encaixaram de volta no lugar, e seus olhos ocos brilharam com uma malícia renovada.
Neo apertou os dentes.
Ele parou de se curar e abandonou a tentativa de consertar Sua Semente da Existência.
Não tinha escolha a não ser direcionar todo seu poder restante para manifestar a Essência da Morte.
Uma névoa escura começou a se enrolar ao redor de sua lâmina, torcendo como serpentes etéreas.
Os monstros avançaram, e Neo respondeu na mesma moeda.
Seu corpo quebrado gritou em protesto, mas ele não vacilou.
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Ele se movia entre os ataques. Seus movimentos eram suaves e precisos. Parecia que dançava.
A sua lâmina cortou suas formas retorcidas.
Cada movimento era lento—bem longe do seu auge—mas sua precisão permanecia incomparável.
Mesmo com seu corpo em ruínas, suas técnicas não enfraqueciam.
Sangue espirrou. Membros caíram. O cheiro de morte se espessou.
Os monstros não pararam. Continuaram vindo.
Neo lutava sem hesitar, mas sabia que seu corpo não duraria muito.
Então fez o que tinha que fazer.
Ele os devorou.
Assim que consumiu o primeiro monstro, um caos inimaginável tomou conta de sua mente.
Era como se uma segunda consciência tivesse sido forçada a entrar em seu crânio.
Seus pensamentos se embaralharam numa teia de fome, raiva e instinto primal.
A personalidade do monstro aranha surgiu à tona, tentando invadir sua sanidade.
Sua visão ficou distorcida.
Sentiu o impulso de mover-se sobre oito patas, rastejar para as sombras, caçar, alimentar-se.
"O que é isso…?" Neo grunhiu, segurando a cabeça.
Ele já tinha consumido mentes antes.
Na escuridão, retinham a essência do original ao devorá-las.
Os ecos de seus pensamentos ainda o assombravam.
Desta vez, ele não apenas ouvia suas vozes. Ele estava se tornando eles.
Memórias que não eram suas invadiram sua mente.
Viu flashes de um reino subterrâneo, a origem dessas criaturas.
Viu a escuridão engolindo seu mundo, transformando-os em existências imortais lamentáveis.
Dores atravessaram seu crânio.
Ele cambaleou.
Não viu o próximo ataque vindo.
Os monstros o cercaram. Seus membros grotescos o imobilizaram.
Mandíbulas afiadíssimas rasgaram sua carne. Sentiu seu corpo sendo devorado vivo.
Os instintos de Neo gritaram.
Seu corpo, aprimorado por anos de combate, tentou retaliar, mas estava despedaçando—esfarelando como porcelana quebrada.
Sua força começava a lhe faltar, e seus pensamentos continuavam a se enredar na loucura.
Fome.
Fúria.
Ele queria matar. Consumir. Tornar-se mais forte.
"Não", murmurou Neo. "Isso não… são meus pensamentos."
As memórias dos monstros aranha se torciam ao redor das suas próprias, tentando se fundir a ele, e substituí-lo.
'Isso… está longe de ser suficiente… para me preocupar…'
A vontade de Neo se agitou.
'Saiam daqui… seus idiotas…!'
Com uma última força de vontade, ele tomou controle dos pensamentos invasores.
As vozes na cabeça dele gritaram e resistiram, mas ele as esmagou sob sua vontade inabalável.
Sua escuridão não o consumiu.
Ele a consumiu.
Devorar o monstro trouxe uma poderosa onda de energia.
Seus membros quebrados se reconstruíram, sua carne se cicatrizou em ritmo acelerado. A força retornou aos músculos, e finalmente conseguiu se mover sem medo de se destruir.
Os monstros perceberam a mudança.
Hesitaram.
Neo ergueu sua espada.
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Um corte único.
Seguiu-se uma onda de destruição.
O solo se abriu, e uma explosão de força irrompeu para fora.
Os monstros mais próximos foram destruídos instantaneamente. Seus corpos foram despedaçados pela força avassaladora do ataque.
Neo respirou lentamente.
Ele tinha devorado as memórias do monstro, suas experiências, seu conhecimento.
Isto era Verdadeira Escuridão.
Verdadeira Escuridão devora tudo.
Ela não é limitada pela sorte ou acaso. Não apenas retira fragmentos de memórias ou estatísticas—ela consome completamente.
A Verdadeira Escuridão se torna aquilo que devora.
Neo fechou os punhos.
Uma imensa onda de Escuridão emanou de seu corpo.
Ela se espalhou como um mar sem fim.
A energia maligna engoliu os monstros parecidos com aranhas em um só gole.
Seus membros exoesqueléticos se agitavam, e seus gritos distorcidos ecoaram na caverna.
Arranharam o chão, uns aos outros, até a própria carne para resistir.
Os monstros tentaram resistir à atração da Escuridão.
O cansaço de Neo atingira seu auge.
Ele não tinha tempo para outra batalha prolongada.
Suas reservas de Energia-Mundo estavam perigosamente baixas. Seu corpo estava à beira do colapso.
Sem hesitar, estendeu a mão e devorou seu próprio braço esquerdo.
Uma dor aguda e queimar rasgou seu corpo enquanto sua carne e ossos desapareciam.
E, em troca, uma torrente de poder invadiu seu corpo.
A caverna tremeu enquanto ele liberava essa energia.
Uma tempestade de raios vermelhos, cada um maior que montanhas, saiu de seu corpo.
O impacto foi catastrófico.
O ar se partiu com um estalo ensurdecedor enquanto os relâmpagos atingiam, incinerando tudo ao redor.
As criaturas gritaram.
Seus corpos convulsionaram à medida que a magnitude do ataque atravessava suas defesas.
Fumaça e o aroma ácido de carne queimada tomaram a caverna. Seguiu-se silêncio.
Sua resistência foi destruída, e a Verdadeira Escuridão os engoliu com facilidade.
Dezenas de milhares de memórias explodiram na cabeça de Neo.
Ele cambaleou para trás. Sua mente foi tomada por confusão e caos.
Unhas cravadas na própria pele, como se tentasse arrancar seu próprio rosto.
Sua cabeça parecia que ia se abrir por dentro.
Ele via tudo.
Dezenas de milhares de monstros.
Seus séculos de caçada, de consumo, de morrer e reviver. A fome. A raiva. O ciclo interminável de devorar e ser devorado.
Suas mãos puxavam seus cabelos. Ele não conseguia respirar.
A massa de personalidades estava destruindo seu senso de si mesmo.
Neo fez isso de propósito.
Sentia sua mente se desintegrando, quebrando como vidro frágil.
Seus pensamentos não eram mais seus nomes próprios.
Vozer, impulsos, instintos que não lhe pertenciam rugiam dentro dele.
Ele podia sentir as memórias, desejos e dores deles como se fossem seus. Sua mente se rachava por inteiro.
Ele caiu de joelhos, respirando com dificuldade.
A cabeça em pedaços, mas não se importava.
Isso era necessário.
A única forma de recuperar.
Sem mais ataques, seu corpo, que não estava mais sendo atacado, se curaria em paz enquanto sua mente suportava a loucura.
Mesmo que ele enlouquecesse.
Mesmo que se perdesse no processo.
Ele estava tranquilo com isso.
Porque, assim que recuperasse sua força, poderia usar o Olimbo.
Estava preparado para tocar a loucura, se fosse isso que o levasse a encontrá-la um minuto mais rápido.
Sua visão ficou turva, oscilando entre a realidade e as ilusões forçadas pelas memórias roubadas.
Ele apertou os dentes até o sangue escorrer pelos lábios. Sua identidade. Sua existência. Tudo aquilo. Estava sendo destruído.
Mas Neo não era alguém que se quebrasse facilmente.
Com uma respiração rouca, forçou suas mãos trêmulas a se juntarem e ralhou os dentes.
Se esse fosse o preço, que fosse. Ele aguentaria. Sempre aguentou.
Sua mente gritava. Sua alma se desfazia.
Mas seu corpo—seu corpo se recuperava.