
Capítulo 409
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo ativou sua bênção.
Sua velocidade aumentou drasticamente, e seus ferimentos começaram a cicatrizar.
Ele avançou como uma bala.
O mundo ao seu redor ficou turvo.
O farfalhar distante das folhas e o canto dos pássaros se tornaram background.
Assim que deu um passo, algo atingiu sua canela.
Ele tropeçou, sua inércia o traíra, e caiu de cara no chão.
O impacto lhe atravessou o corpo com uma descarga de dor, enquanto poeira e terra soltavam-se ao seu redor.
"Fweeeet! Fweeeet! Fweeeet!"
Neo gemeu, levantando-se às pressas, só para encontrar uma ema gigante imponente sobre ele.
O pássaro descomunal ficou ali, com olhos pequenos brilhando com uma expressão que só podia ser de diversão.
Neo piscou, perplexo.
Cabeça pequena, pescoço longo, penas desgrenhadas, patas com dois dedos e garras afiadas—parecia uma verdadeira ema.
Se Neo não tivesse sido derrubado e morto por elas antes, pensaria que eram apenas ema normais.
Mas…
"Fweeeet! Fweeeet!"
'Será que só eu estou achando que essa cabeça de birdbrain tá rindo de mim?'
A ema bateu os pés, claramente provocando.
Seu bico enrijeceu levemente numa expressão que só poderia ser uma carranca—uma feição irritante, de sobrancelha arrogante.
Após um último chamado de zombaria, a ave deu um passo e desapareceu em um piscar de olhos.
Neo se endireitou, mãos na terra enquanto olhava para Percival e Kane.
Kane tinha um sorriso de entendimento.
Ele já esperava isso.
Por outro lado, Percival estava dobrado, segurando a barriga enquanto ria incontrolavelmente.
Neo se levantou, limpando a poeira.
Seu olhar se voltou para a árvore que tinha como alvo, mas o fruto já não lhe interessava.
Seu objetivo principal mudou. Primeiro, iria acabar com a cabeça daquele birdbrain, depois pegaria a maçã.
"Por que diabos você tá rindo?"
"Nunca imaginei que fosse ver alguém sendo trollado por uma ave." Percival arfou, quase sem conseguir conter a diversão.
"Você foi morto por ela. Eu pelo menos ainda pude me mover, ao contrário de você."
Percival deu de ombros, como se dizer que morrer ainda era melhor que passar vergonha fosse algo natural.
"Haha, isso é divertido." Percival finalmente se acalmou, descansando a massa de seu martelo gigante e mexendo os ombros. "Mas prefiro não morrer de novo. Então, vou terminar isso agora."
Ele deu um passo à frente.
"Vamos lá, Sunshine."
Um segundo sol surgiu no céu, brilhando intensamente acima deles.
A temperatura aumentou rapidamente, ondas de calor se espalharam pelo ar.
Banho de luz divina, o aura de Percival ardeu, aumentando em intensidade.
Chamas douradas explodiram ao redor dele.
Seus músculos ficaram tensos, e veias brilhavam suavemente sob a pele com um tom dourado.
Um leve, quase imperceptível deslocamento ocorreu em seu olhar—a íris queimando com uma força renovada.
'A bênção de Apolo: [Força]', pensou Neo.
Percival tinha atingido efetivamente o nível de um Exaltado de Grau 3.
Sem hesitar, ele partiu em direção à árvore.
O ar explodiu ao redor dele, ondas de choque reverberando para fora, deixando uma trilha de fogo dourado atrás.
Neo levantou uma sobrancelha ao ver a velocidade brutal quando—
O corpo de Percival se sacudiu violentamente.
Seu ímpeto foi abruptamente cortado, e ele colapsou como um fantoche com os fios cortados.
Uma cavidade foi perfurada no centro de sua cabeça.
Ele estava morto.
"Sério?"
Sua alma pairava sobre o corpo inerte, encarando o cadáver com incredulidade.
"Nem consegui reagir a tempo."
A bênção de Apollo era a mais forte em termos de força bruta.
Morrer tão facilmente após ativá-la foi um choque.
As chamas douradas que antes o cercavam agora se apagaram, deixando apenas o chão queimado.
Os pensamentos de Percival foram interrompidos ao perceber um sorriso leve de Neo.
Seu lábio se contorceu.
"Morri porque fui descuidado."
"Certamente."
Seu corpo se desfez, transformando-se em pó antes de desaparecer completamente.
Um instante depois, um corpo novo apareceu ao redor de sua alma, inteiro e ileso.
Ele suspirou e voltou ao ponto de partida.
"Sua vez," disse Percival, revirando os ombros.
"Vocês dois talvez queiram trabalhar juntos neste," Kane interveio de repente, com um pouco de diversão na voz. "Aquelas aves não são fáceis de derrotar."
"Posso fazer sozinho." "Não preciso da ajuda de ninguém."
Percival e Neo se olharam, suas palavras se sobrepondo.
Kane franziu a testa, mas não disse nada.
Depois de um breve momento de pausa, Percival falou:
"O treinamento é pra gente participar da Grande Expedição. Sei que trabalho em equipe é importante, mas vamos ficar para trás se formos fracos demais individualmente."
Kane trocou o olhar entre Neo e Percival, suspirando.
"Façam o que quiserem. Mas lembrem-se: só têm cinco dias."
Ele balançou o pulso, e do nada, uma cadeira de madeira apareceu.
Ele se acomodou com jeito, sorrindo de lado.
"Recomendo que trabalhem em equipe, mas sozinho também dá jeito. Nada contra aproveitar uma boa risada."
Os lábios de Percival se contorceram na provocações explícitas.
Neo, porém, focou em outra coisa completamente diferente.
'De onde veio aquela cadeira?'
Sua sobrancelha se franziu.
Quanto mais pensava, mais perguntas surgiam.
'Agora que repenso, Kane apareceu do nada quando o conheci.'
'Como ele fez isso?'
'Kane não tem afinidade com Espaço. Ele não deveria conseguir manipular o espaço já que não possui a percepção espacial típica de usuários de afinidade com espaço.'
'Se tentar manipular o espaço, ele deve cair entre dimensões como eu fiz.'
Neo lembrou de Kane mencionar o Pseudo-Gap.
'O Pseudo-Gap deve ser o que permite ele fazer isso.'
Essa poderia ser a chave para completar seu treinamento.
Enquanto Neo mergulhava em pensamentos, Percival já começava suas tentativas.
Repetidamente, ele avançava.
Repetidamente, ele era morto.
Cada vez, seu corpo se dissolvia e se reformava no ponto de partida. O ciclo continuava sem parar.
"Também vou começar," murmurou Neo.
Ele ativou a bênção de Artemis.
Uma onda de poder percorreu seu corpo enquanto seu controle sobre o elemento uma-escura aumentava.
Então, utilizou sua própria bênção.
Sua força, controle elemental e poder elemental dispararam às alturas.
O chão sob seus pés rachou levemente, incapaz de suportar a súbita pressão.
Usar duas bênçãos de reforço drenou intensamente suas reservas de Energia Mundial, além de sobrecarregar seu corpo.
Uma dor aguda e interna começou a se espalhar pelos músculos.
Neo não se importou.
Ativou [Mana Infinita], outro reforço da bênção da Lua, para servir de fonte de energia para as duas habilidades adquiridas pelas bênçãos.