
Capítulo 377
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
As palavras dela faziam sentido, infelizmente.
"…Tudo bem." Neo disse, clicando a língua.
Ele ativou o Salto Sombra e desapareceu da rua.
Alguns minutos depois, Neo apareceu na academia.
Ele seguiu rapidamente até o quarto de Elizabeth.
Como a academia tinha medidas de defesa contra Semideuses Exaltados, ele não podia confiar na sua força de nível Paranormal para invadir sem ser detectado.
Precisava agir normalmente.
O guarda na entrada permitiu sua entrada após reconhecer sua identidade.
Ao chegar ao quarto de Elizabeth, percebeu que Amelia não estava presente.
A luz fraca de um abajur ao seu lado banhava o ambiente com um brilho suave, e o som rítmico de um monitor cardíaco preenchia o silêncio.
"Parece que a Esfinge escolheu esse momento porque a Amelia estava fora," murmurou Neo.
A notícia lhe trouxe alívio.
Embora não entendesse completamente o motivo, ele não queria enfrentar Amelia.
Ele se aproximou da cama de hospital de Elizabeth.
Seu rosto pálido, cercado por fios de cabelo que grudavam na testa, mostrava sinais de cansaço.
Seus poucos dentes se moviam lentamente com a respiração.
Seu semblante franzido revelava agitação e inquietação.
Neo puxou uma cadeira e se sentou ao lado dela.
"Invasão Mental—?!"
Neo hesitou, sentindo que sua habilidade não ativava.
Ela foi bloqueada por uma barreira poderosa que protegia a mente de Elizabeth.
"O que foi isso?"
Neo murmurou ao abrir os olhos.
Sua respiração estava curta e irregular.
Se tivesse demorado um segundo a desativar sua habilidade, teria sido atingido por um ataque mental.
"Ela tem um escudo mental e uma contra-ofensiva preparada, caso alguém tente invadir sua mente?"
As sobrancelhas de Neo franziram.
Pensando racionalmente, qualquer Semideus Exaltado — o ápice da força em Luminera — já teria preparado tais defesas há muito tempo.
"Acho que você não chega ao nível Exaltado sem ser cauteloso."
Ele fechou os olhos e tentou usar a habilidade novamente.
O resultado foi o mesmo.
Gotículas de suor escorriam pelo pescoço de Neo.
Os segundos se transformaram em minutos.
Ele continuou tentando.
Graças aos seus reflexos rápidos, conseguiu evitar as contra-ofensivas, mas cada tentativa era como caminhar na beira de um fio.
"Os Semideuses Exaltados são monstros, certo. Não consigo romper a defesa mental dela de jeito nenhum."
Ele observou Elizabeth novamente.
"Deveria usar o Vínculo Empático assim mesmo?"
Não tinha certeza se a habilidade funcionaria nesse estado.
Mesmo assim, não fazia mal tentar.
Ele estendeu a mão e pegou outra vez na dela.
Seus dedos estavam frios contra a palma de Neo.
Inspirando fundo, Neo ativou o Vínculo Empático.
Seus sentimentos aumentaram, tentando invadir o subconsciente de Elizabeth.
Ele teve sucesso.
"Huh, por que funcionou dessa vez—"
As palavras de Neo foram abruptamente interrompidas.
Defesas mentais de Elizabeth se ativaram com força e o agarraram.
Percebeu tarde demais que a ausência de defesa anteriormente tinha sido uma armadilha — uma tentativa inconsciente de Elizabeth.
A mente inconsciente de Elizabeth pressionou sua alma por todos os lados.
A forma da alma de Neo começou a piscar sob a pressão.
"Droga… por que ela é tão poderosa…?"
Apesar de sua forma de alma ser poderosa, ele se via lutando.
A alma dele estava sendo esmagada.
Ele tentou puxar sua forma de alma de volta, mas as defesas mentais de Elizabeth se recusavam a deixá-lo escapar.
'Preciso… fazer… algo…'
Neo tentou pensar numa solução.
Ele lembrou-se das palavras da Esfinge.
Uma frase em particular ecoou na sua mente:
Elizabeth está tendo pesadelos.
"Você está me dizendo… que ela está me atacando inconscientemente… por causa de pesadelos?"
A revelação o deixou boquiaberto.
Mas não havia tempo para ficar atordoado.
'Algo, certamente há algo,' pensou.
A morte de perder sua alma em pedaços era dolorosa, mesmo para ele.
Neo não era masoquista e não gostava de sofrer com dor.
Se pudesse, buscaria uma solução indolor.
"Droga, não há saída. Melhor encarar de frente."
"Invasão Mental."
Neo ativou sua habilidade, na esperança de usá-la junto com o Vínculo Empático para acalmar Elizabeth.
Quem sabe assim ela parasse de atacá-lo.
Como já estava dentro dela, as defesas mentais não podiam bloqueá-lo.
A habilidade ativou e a cena ao redor da forma de alma de Neo mudou.
Ele apareceu numa sala luxuosa com móveis suntuosos, embora o ambiente estivesse longe de ser calmo.
Uma garota, magra e cheia de hematomas, encolhida no canto da sala.
Parecia ter pouco mais de 12 anos.
Lágrimas escorriam pelo rosto dela enquanto um homem, pelo menos duas décadas mais velho, ficava de pé acima dela.
A face do homem estava contorcida de raiva.
"Por que! Por que! Você é tão irritante!" gritou o homem, cada palavra acompanhada pelo impacto rude de sua bota contra o corpo dela.
"Eu estou tão—"
"Cale a boca!" ele rosnou, interrompendo.
Neo rangeu os dentes e tentou se mover.
Mas não conseguiu.
A cena ao seu redor mudou abruptamente.
Agora ele estava numa sala velha e deplorável.
Poças de poeira cobriam os lençóis rasgados, e móveis quebrados estavam espalhados pelo chão.
O ar estava ranhoso.
A garota, agora um pouco mais velha, sentada sozinha, tinha o rosto iluminado pelo brilho fraco de uma tela.
Parecia estar assistindo a um programa de princesa na televisão.
Seus olhos eram vazios, mas um sorriso formava seu rosto.
De repente, a porta foi arrombada com força, fazendo um estrondo alto.
Ela se encolheu.
Um homem entrou furioso, exalando cheiro de álcool.
O estômago de Neo virou.
A garota dessas memórias era Elizabeth, e o homem era seu ex-marido.
Neo tentou se mover e intervir.
Mas seu corpo permaneceu congelado.
Nesse momento, ele sentiu — uma "força estrangeira" o segurando firme.
As defesas mentais de Elizabeth reconheceram-no como intruso e impediam que ele interferisse em suas memórias.
A pressão era insuportável.
Era preciso toda a força de Neo para manter sua forma de alma sem ser esmagada pela vontade subconsciente de Elizabeth.
A cena se alterou novamente.
Neo se viu na mesma sala, mas sem o homem.
De repente, um tapa nítido soou.
Elizabeth, que tinha passado da adolescência para a juventude, agora uma mulher bonita, tinha uma expressão indignada, mesmo ao ser atingida.
Uma mulher, com uma aparência marcante parecida com a do ex-marido de Elizabeth — porém muito mais velha — encarava-a com raiva.
"O que você disse?" a mulher mais velha sussurrou.
"Não," respondeu Elizabeth.
"Como ousa se recusar!?" gritou a mulher, balançando a mão pelo ar novamente.
O tapa, brutal, deixou a bochecha de Elizabeth vermelha e inchada.
Um fino fio de sangue escorreu do canto dos lábios dela.
Os punhos de Neo cerraram enquanto via tudo impotente.
Elizabeth não despertou nesse momento, e as palmadas da sogra — uma semideusa despertada — tinham força suficiente para causar dor insuportável.
"Você está casada há oito anos! Ainda não teve um filho! Dizem por aí que Aelric é impotente!" gritou a mulher.
Ela puxou originalmente os cabelos de Elizabeth com uma mão, puxando com força.
"Estão certos!" respondeu Elizabeth.
Após anos de abusos constantes, ela percebeu que, por mais que implorasse, sempre seria agredida.
Seus pedidos já não eram ouvidos.
Até então, ela mantinha a boca fechada enquanto a Família Darkwolf apoiava seu país.
Mas hoje…
"Esquecer um filho, eu nunca deixarei aquele filho da..\nbsp;—! "
"Seu filho da ..? Como ousa chamar meu filho assim!"
"E daí? Aquele sujeito é um filho da.. impotente! Todo mundo sabe —"
Jovem, encurralada e dominada por anos de ressentimento, Elizabeth falou sem pudor.
A mulher mais velha perdeu completamente o controle.