Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 369

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Os pensamentos de Neo fervilhavam enquanto observava a Esfinge.

'Veldora me contou os nomes do Ceifador.'

'Árvore da Tirania é o título de Typhaon após ele se tornar o 81º Ceifador.'

'Pelo que a Esfinge disse, Typhaon sabe que Daniel queria me salvar, mas Typhaon nunca revelou isso à Esfinge.'

Será que Typhaon escondia a notícia para proteger Neo?

Sua linha de raciocínio foi interrompida quando a Esfinge bateu as mãos uma vez.

"Parece que você não é ele. Então, já está tudo resolvido," disse a Esfinge. "Ah, e não se preocupe, o negócio de eu ter uma tarefa para você era de verdade."

Neo assentiu com a cabeça.

Depois de sua confirmação, a Esfinge mudou sua postura e voltou ao assunto pelo qual tinha convocado Neo.

"Quero que você faça uma tarefa para mim, e eu responderei a três perguntas suas."

"Qual é a tarefa?"

"Essa," respondeu a Esfinge, estalando os dedos.

Um holograma gigante apareceu entre eles.

Neo levantou uma sobrancelha levemente ao observar a cena.

Mostrava um apocalipse.

O mar que cercava o continente de Luminera havia se tornado vermelho, tomado pelo Mar de Sangue.

Ondas de líquido carmesim quebravam contra as praias.

O Mar de Sangue atingira a terra, e criaturas monstruosas emergiam de suas profundezas.

Elas invadiram o continente.

O caos se desenrolava no holograma; cidades queimavam. Fumaça subia ao céu, e os gritos de desespero da população pareciam quase audíveis.

O solo estava cheio de corpos, e rios de sangue corriam pelas ruas.

Uma guerra devastava todos os cantos do continente, com altas perdas humanas.

Cidades caíam a cada dia.

Não importava quantos monstros fossem derrotados, mais surgiam do Mar de Sangue.

Sua quantidade parecia infinita.

"Todos esses monstros são pelo menos de nível Parágran. É uma visão que acontecerá em breve."

A Esfinge encarou o holograma.

"É a era da Guerra do Mar de Sangue. Logo a paz do nosso continente se dissipará, e o caos engolirá todos."

Ela abaixou a cabeça e fixou os olhos em Neo.

Um sorriso astuto apareceu no rosto da Esfinge ao ver o comportamento calmo de Neo.

"Você parece bastante tranquilo. Já viu uma situação parecida antes, ou sabia que algo assim aconteceria no futuro?"

"Estou bastante chocado," mentiu ele.

O sorriso da Esfinge se aprofundou.

Antes que pudesse tentar encontrar falhas em suas mentiras, Neo mudou de assunto.

"Qual é a tarefa? Duvido que queira salvar o continente."

"Se fosse seu objetivo, teria informado os Senadores, não eu, que sou um Semi-Deus Empíreo," disse Neo.

"Ah, por favor, ambos sabemos que você é muito mais forte do que um Empíreo."

"E você está certo e errado em outros aspectos também."

A Esfinge aclarou a garganta com exagero antes de continuar.

"Primeiramente, sim, meu objetivo não é salvar o continente."

"Em segundo lugar, não, mesmo que meu objetivo fosse salvar o continente, eu teria me aproximado de você antes dos outros," explicou a Esfinge.

"Por quê?" questionou Neo.

"Porque outros me pediriam algo em troca para salvar o continente," explicou a Esfinge com uma risada maliciosa.

"Por que eles deveriam salvar o continente? A menos que eu ofereça uma recompensa, duvido que se mexam."

"Você, por outro lado, é diferente.

"Quero dizer, você também quer uma recompensa, mas sua 'eficiência em custos' é melhor do que a de outros Senadores," disse a Esfinge.

"Eficiência em custos?" Neo questionou.

"Pense assim: Obtenho mais retorno com você ao te oferecer uma recompensa do que com outros Senadores."

Neo era a personificação do potencial ilimitado.

Quando um Demigod comum alcançava o nível de Empíreo, ele passava por duas grandes evoluções.

Já Neo, por outro lado, passou por quatro evoluções principais, pois tinha duas habilidades, ao contrário de outros que possuíam apenas uma.

Ele era muito mais forte do que qualquer Demigod de seu nível.

Somando sua força como Quebrador Celestial a todas as outras, ele se tornava ainda mais incompreensível.

"Suas habilidades estão no nível de Empíreo e apenas a um passo do Parágran."

"Quando evoluírem novamente, você se tornará tão forte quanto um Novo Semi-Deus Exaltado."

"Isso é só o começo para você."

"Sua força irá além do nível Exaltado quando seus níveis de Ascensão aumentarem."

"Além disso, com seu Conceito de Trevas Verdadeiras, você poderá adquirir mais habilidades, e…"

"Bem, você entende o conceito."

"Você tem mais chances de deter a Guerra do Mar de Sangue do que outros Senadores, desde que eu te forneça materiais suficientes para alimentar seu crescimento," explicou a Esfinge.

"Mas seu objetivo não é parar a Guerra do Mar de Sangue," apontou Neo. "Qual é a tarefa que quer me passar?"

"Não posso te contar até que me prometa que aceitará."

"Não posso aceitar sem saber do que se trata."

"Justo," concordou a Esfinge com a cabeça. "Que tal o seguinte? Eu te explicarei o básico do que quero, e te darei uma resposta."

"Depois disso, você deve fazer uma escolha."

Neo franziu a testa.

As condições pareciam boas demais, e ele sabia que era melhor desconfiar da Esfinge.

"Pode continuar. Estou ouvindo."

"Aqueles monstros que você viu no holograma. Quero que você vá até a terra natal deles e faça algo por mim lá."

"Preciso entrar no Mar de Sangue?" Neo perguntou.

"Não, eles não são do Mar de Sangue. São de outro lugar."

A mente de Neo entrou em alta velocidade ao pensar nas palavras da Esfinge.

'Todos os monstros que apareceram durante a Guerra do Mar de Sangue seriam pelo menos de nível Parágran.'

'Isso significa que sua terra natal é cheia de monstros fortes.'

Ele vinha buscando um lugar assim para treinar.

A oferta da Esfinge era uma dádiva divina.

Apesar das condições favoráveis, Neo manteve sua compostura.

Permaneceu calmo em vez de se lançar de cabeça na proposta.

"Vou pensar nisso se você me der uma resposta a uma das três perguntas."

"Entendido. Entendido." A Esfinge concordou, balançando a cabeça repetidamente com uma expressão brincalhona. "Qual pergunta quer uma resposta?"

"Posso escolher a pergunta?"

"De jeito nenhum! Hahahaha!"

A Esfinge jogou a cabeça para trás e riu alto.

Assistindo aquilo, Neo lembrou-se do motivo de nunca ter gostado da Esfinge.

"Diga logo a resposta."

"Tudo bem."

A Esfinge desapareceu.

"Seus pais."

Sua voz ecoou no salão vazio, rebatendo no teto e nas paredes.

"As reencarnações deles estão vivas, e você já os encontrou na sua presença."

...

Manor do Senador Nicolas, Cidade de Eryndale, País de Eryndor

A residência exalava riqueza e poder.

A sala de estar era esplendidamente decorada, com móveis luxuosos e uma lareira crepitante que lançava um brilho acolhedor contra as paredes de cor vinho escuro.

Um candelabro de cristal pendia acima, iluminando o espaço com uma luz suave e dourada.

Um homem aparentando seus quarenta anos sentava-se no sofá elegante.

Tinha cabelo branco e uma barba espessa.

Uma cicatriz atravessava seu olho esquerdo até o queixo, deixando-o parcialmente cego.

Seu semblante era severo, refletindo anos de experiência.

"Por que você está aqui?" perguntou o homem, Senador Nicolas, ao 'jovem' sentado à sua frente.

"Para falar sobre o Herdeiro da Morte," respondeu o jovem com um sorriso.

Apesar de sua expressão despreocupada, o ar ao redor dele parecia tremer toda vez que falava.

Comentários