Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 345

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Você a conheceu? perguntou Morrigan.

Sim, respondeu Neo.

Os dois retornaram à mansão Hargraves.

A mídia estava cadastrando-se do lado de fora dos portões da academia e da mansão Hargraves.

Câmeras piscavam incessantemente, e repórteres tentavam obter informações.

Não era um problema para Neo e Morrigan.

Eles usaram um táxi, e a mídia não percebeu que eram eles no carro.

Não levaram muito tempo para chegar ao seu destino.

Em momentos assim, Neo pensou que foi uma boa ideia a academia e a mansão Hargraves ficarem em cidades adjacentes.

Quando o táxi se aproximou da mansão, os portões altos, de ferro forjado e dourados com o brasão da família Hargraves, começaram a se abrir lentamente.

Neo e Morrigan saíram do táxi.

A brisa fresca da noite carregava o perfume sutil de sebes recém-aparadas dos jardins paisagísticos.

Felix, Mars, Sean, Clara, Arthur e o mordomo aguardavam do lado de fora da porta do prédio principal.

Um leve sorriso apareceu no rosto de Neo.

Memórias do último encontro surgiram em sua mente.

‘Acho que algo parecido aconteceu há muito tempo também?’

Pensou, mas manteve para si enquanto caminhava em direção ao grupo.

— Neo! Você voltou! E a Morrigan também? Pensei que ela tinha dito que estava ocupada, disse Felix.

— Nos encontramos na cafeteria.

— Ah, na cafeteria? Claro, vocês se viram lá, respondeu ela com tom monótono.

Morrigan ignorou as provocações de Felix.

Sua expressão permaneceu inalterada, fria como pedra.

Seu olhar penetrante passou rapidamente pelo ambiente antes de repousar sobre o grupo.

— Onde está o Jack, ali? Eu não o vejo, perguntou Arthur com expressão de preocupação.

— Ele está ocupado. Vai ver vocês mais tarde, respondeu Neo. Sua voz soou com um tom de decisão definitiva. —Vamos entrar. Estou exausto.

— Ah, certo, disse Felix rapidamente, fazendo sinal para que todos entrassem.

O grupo seguiu para o interior do prédio principal.

Apenas Mars permaneceu imóvel.

Seu olhar fixo em Neo, uma expressão de preocupação marcada no rosto.

— Mars? chamou Felix. —Tem algo errado?

Mars não olhou para Felix.

Direcionou seu olhar diretamente a Neo.

— Neo... Qual é a sua classificação atual? perguntou.

As expressões sorridentes do grupo congelaram.

Eles tinham tentado dar espaço a Neo e planejado perguntar sobre o Julgamento das Sombras de forma gradual, mas Mars fez ao contrário.

Uma inquietação palpável tomou conta deles.

Felix abriu a boca.

— Mars, agora não—

— Pico de Demigod Empíreo, tecnicamente, respondeu Neo.

Mars perguntou pela classificação dele, não pelo seu poder de combate, e foi isso que Neo revelou.

Mars parecia inconformado.

Suas intenções nunca haviam errado.

E neste momento, Neo parecia incrivelmente poderoso.

Como se fosse um Deus.

No entanto, ele não insistiu mais no assunto.

A tensão no grupo persistiu, mas eles decidiram, coletivamente, deixar para lá—pelo menos por ora.

Sentaram-se no salão principal.

Neo jantou com eles.

Quando perguntou ao mordomo por que Henry não estava com eles, o mordomo disse que Henry estava ocupado com alguma coisa.

A fragrância de carnes assadas e pão recém-saído do forno pairava no ar, misturada ao cheiro de madeira envelhecida e cera polida.

O jantar foi animado.

O clima leve.

Risadas ecoaram pelas altas-v realmatan as histórias.

Claramente, todos queriam saber sobre o Julgamento das Sombras.

Neo, no entanto, não tinha intenção de revelar nada sobre o Julgamento das Sombras.

Percebendo que ele não queria falar, ninguém tentou questioná-lo.

— Para onde você vai? perguntou Arthur quando Neo se levantou após o jantar.

— Encontrar o irmão, respondeu Neo. — E vocês, vão pegar suas coisas. Vou testar vocês.

— Testar… nós? falou Sean. — Para que?

— Cirurgia de osso com exoesqueleto. Eu disse que ajudaria vocês a conseguirem uma se me derrotarem, lembra? Vamos lutar agora.

— O quê!? Felix pulou de surpresa. — Mas mal tivemos tempo de nos preparar! Além disso, você já é Pico de Demigod—

— Minha conversa com o irmão não deve levar mais do que 5 minutos, interrompeu Neo, cortando Felix.

Todos ficaram surpresos com a atitude de Neo.

Parece que ele mudou.

A atmosfera descontraída de antes se dispersou, dando lugar a uma tensão silenciosa no ambiente.

Neo ignorou a confusão deles e subiu as escadas para encontrar Henry.

A escada tinha uma espiral que levava aos andares superiores.

Ele bateu na porta no final do corredor.

— Entre, disse a voz de Henry do outro lado.

Neo entrou na sala.

O ar estava carregado com cheiro de fumaça, e a poderosa Intent de Henry o atingiu como uma tsunami.

Um fraco brilho laranja de uma luminária quase não iluminava Henry.

Ele estava sentado numa poltrona de couro, com um cigarro entre os dedos.

O corpo de Neo paralisou.

Seus sentidos foram bombardeados por muita informação proveniente da Intent.

Sentiu como se estivesse sendo observado por uma entidade monstruosamente poderosa e mal-intencionada.

A força opressora pressionava-o, dificultando a respiração.

Henry percebeu o estado de Neo.

Franziu as sobrancelhas.

Colocou o cigarro de lado e trouxe sua Intent de volta ao corpo.

— Huff! Huff!

Neo finalmente conseguiu respirar novamente.

Ele recuou atordoado, segurando o peito.

Se Henry tivesse demorado um segundo a mais para suprimir sua Intent, Neo teria morrido.

‘Preciso aprender a selar meus sentidos de Intent.’

‘Ou então vou levar um susto toda vez que encontrar alguém poderoso,’ pensou Neo.

— Venha, sente-se, convidou Henry.

— Obrigado, Neo se sentou diante de Henry. — Você não estava lá na hora do jantar.

— O Templário com quem você se meteu, após retornar do Julgamento das Sombras, reclamou com seu mestre.

— Para o senador?

— Sim, confirmou Henry. — Estava ocupado lidando com isso.

— Entendi.

— Caramba, esse filho da mãe nem pediu desculpas por me dar mais trabalho.

— Obrigado por cuidar disso pra mim.

Olhou para Neo, sem esperar que ele dissesse "obrigado" após pedir um "desculpe".

Ele deu uma risada curta.

— Parece que o Julgamento das Sombras te ensinou bastante.

— Mais do que eu imaginava.

— Entendo. Entendo sim.

Henry acenou com a cabeça e apagou o cigarro na cinzeira.

Fumos de fumaça subiram, dispersando-se no ar.

— Então, por que veio me procurar?

— Não posso vir visitar meu próprio irmão sem ter um motivo? perguntou Neo. — Senti sua falta.

— Nos encontramos há uns oito ou nove dias.

— Para mim, foi mais tempo.

Henry suspirou, fazendo o peso da cadeira ranger ao se recostar.

O som do couro rangendo sob seu peso preencheu o breve silêncio.

— Por isso, não queria que você fosse ao Julgamento das Sombras. Aquilo é um inferno.

— Você foi lá?

— Ainda não, mas conheço algumas pessoas que foram.

Desta vez, Neo levantou as sobrancelhas.

Retornar de um Julgamento das Sombras era uma façanha monumental.

Somente um punhado na história da Terra conseguiu.

‘Ele conhece alguém assim?’ pensou Neo. ‘Ou está falando de alguém de fora?’

Neo não manifestou seus pensamentos.

Henry desviou o olhar para a tela do laptop.

Uma notificação piscava.

Começou a digitar na keyboard enquanto conversava com Neo.

— Então, qual é a verdadeira razão de você ter vindo me ver?

— Eu disse que senti sua falta—

— Vai sair se for perder meu tempo, interrompeu Henry com irritação.

—…

Neo sorriu amarga, achando que Henry tinha mais ou menos uma boa noção de sua personalidade.

— Queria perguntar sobre minha mãe e meu pai.

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