Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 341

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

"...?"

"Você era um alvo de contenção."

A voz de Charlotte era firme, enquanto percebia a expressão confusa de Neo.

"Janela do Vazio nº 8477. Ela destruiu o Clã Hephaestus."

Ela fez uma pausa e olhou em direção à janela.

Um enorme tornado giratório se ergia no horizonte.

"Os únicos sobreviventes foram Henry Hargraves e Neo Hargraves."

"Ambos vocês, irmãos, devem ter adquirido Afinidade com o Palavra do Vazio a partir daquele incidente," ela declarou.

A expressão de Neo permaneceu indecifrável.

"Henry nunca tentou ativar seu sangue de Deus.

"Não precisamos nos preocupar com ele ativando sua Afinidade com o Vazio. Na verdade," ela olhou direto nos olhos de Neo, "acho que é por isso que Henry não tenta ativar."

"Ele sabe que corre o risco de ativar sua Afinidade com o Vazio se o sangue de Deus dele despertar."

"Você, Neo Hargraves, foi diferente."

"No momento em que se inscreveu na Academia, deixou claro que tinha intenção de ativar seu sangue de Deus."

"Com os recursos da Hargraves Corporation, você poderia ter ativado seu sangue de Deus mesmo sem nossa ajuda e, talvez, até adquirir Afinidade com o Palavra do Vazio," explicou Charlotte.

As sobrancelhas de Neo se franziram enquanto processava suas palavras.

"Fui aceito para que pudesse ser monitorado mais facilmente dentro da Academia?" ele perguntou.

"Sim," confirmou Charlotte. "A Academia possui mais de uma dúzia de Paragons e vários Demigods Exaltados.

"Poderíamos ter te eliminado assim que houvesse qualquer mínima chance de você virar as costas."

Qualquer um com Afinidade com o Vazio era como portador de um vírus contagioso.

Se permitissem que vivesse na sociedade e, de alguma forma, ativasse sua Afinidade com o Vazio, corromperia centenas de pessoas — assim que acordasse — mesmo que não quisesse.

"Usuários de Afinidade com o Vazio são como bombas-relógio prestes a explodir," continuou Charlotte, baixando o olhar. "Pessoas como você não podem conviver livremente com os demais."

Ela se voltou novamente para a janela.

O Vazio era perigoso e poderoso.

"Por isso, você foi admitido na Academia, lugar onde demigods poderosos estão a um instante de distância."

Neo permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Ele abriu a boca após organizar seus pensamentos.

"Por que vocês estão me ajudando se eu sou perigoso? Vocês até enviaram um Templário do Templo da Morte para me ajudar em Aubern."

"Porque não é sua culpa se você tem Afinidade com o Vazio."

Charlotte olhou para ele com um sorriso gentil.

A suave luz do teto do escritório refletia em seus olhos calmos e firmes.

"Você nunca pediu por isso. Nós estamos te monitorando, sim. Mas é pelo bem dos outros."

"Não temos nenhuma agenda negativa contra você, e vamos te ajudar o máximo que pudermos," disse Charlotte.

"Entendido."

Neo se levantou.

Sua cadeira rangerou levemente sobre o piso polido ao ele se mover.

Ele decidiu sair do escritório do diretor junto de Jack, que vinha observando silenciosamente a troca.

Neo parou na porta e se virou.

A brisa fresca entrando por uma janela aberta suavemente levantou seus cabelos.

"Qual é o nome da Entidade do Vazio que destruiu o Clã Hephaestus?" Neo perguntou.

"O Anjo das Mil Desolações, Velkaria," respondeu Charlotte sem hesitar.

Ela não viu motivo para esconder a informação.

Neo ficou petrificado.

"Repete de novo?" ele pediu.

"Velkaria, a Desolação de Mil Olhos."

"Aquela criatura derrotou os Demigods Exaltados e os Demigods Paragon do Clã Hephaestus?" Neo perguntou novamente para confirmação.

"Sim. Algum problema?"

"…Não. Só minha curiosidade."

Neo saiu da sala e fechou a porta com um clique suave.

O som pareceu ecoar sutilmente pelo corredor silencioso.

'Velkaria? Ela ficou forte o suficiente para lutar contra Demigods Exaltados atualmente?'

Seus pensamentos fervilhavam enquanto caminhava.

Pensando logicalamente, a força de Velkaria fazia sentido.

Depois que Daniel salvou o mundo, Velkaria não conseguiu invadir a Terra.

Ela deve ter ido para outros planetas e destruído-os, usando-os para fortalecer-se.

"Neo…"

Jack o chamou.

Ele não disse, preocupado que Charlotte pudesse ouvir, mas seu olhar dizia tudo.

Você reconhece Velkaria de algum lugar, não é?

Jack não achava que Neo tivesse Velkaria com ele.

Neo ainda não era forte o suficiente para derrotar uma entidade que poderia matar Demigods Exaltados.

"Vamos lá."

Neo decidiu permanecer em silêncio.

Os dois caminharam pelos corredores longos e saíram do edifício.

O céu fora do prédio era tingido de tons de laranja profundo e roxo, o sol poente projetando sombras alongadas no pátio da Academia.

Uma brisa fresca passou por eles, levando o leve aroma de ar puro.

"O que você vai fazer agora?" Neo perguntou a Jack.

"Vou descansar um pouco. A Prova me drenou tudo," Jack riu. "E você? Vai encontrar os outros?"

Neo estreitou os olhos.

Ele não conseguia decifrar os pensamentos de Jack.

Jack tinha inúmeras vozes dentro da cabeça — graças a ser um Usador de Trevas — e isso deixava sua intenção entrelaçada.

Neo não conseguia identificar qual intenção era dele.

Ele não podia ler os pensamentos de Jack, a menos que se concentrasse bastante.

'Não que eu esteja tentando ler a mente dele.'

'Respeito a privacidade das pessoas.'

'Aliás, não preciso ler mentes para saber no que ele está pensando.'

"Tá mentindo agora, né?" Neo perguntou a Jack.

Era claro que Jack ia treinar.

Jack sorriu de forma amarga.

"Como você sabe disso?"

"Magia."

Jack coçou a bochecha.

Soltou um suspiro, como se estivesse se rendendo.

"Tudo bem. Faço como você quer. E aí? Para onde vamos?"

"Por enquanto, para a cantina," Neo respondeu. "Tô com fome. Depois disso, vamos encontrar os outros."

Neo duvidava que seus amigos estivessem na Academia.

Se estivessem, já teriam vindo falar com ele.

Provavelmente estavam na Mansão Hargraves, esperando Neo e Jack se recuperarem do cansaço da Prova das Sombras.

Os dois entraram na cantina.

O ar estava tomado pelo aroma de pão recém-assado e pratos saborosos, enquanto o barulho suave de bandejas e utensílios criava uma trilha sonora ritmada.

A fila não era grande, pois era época de feriados.

Uma luz quente de lustres banhava o ambiente, projetando um brilho acolhedor sobre as mesas de madeira polida e os pisos de mármore.

Jack não chamava muita atenção na Academia, já que a maioria dos demigods eram bonitos.

Por outro lado, Neo era o centro das atenções.

Alguns demigods o reconheciam.

Eles queriam chegar perto e conversar.

Porém, o clima ao redor de Neo os fazia tremer na base, e eles preferiam ficar na deles.

Neo e Jack ignoraram os outros.

Olharam ao redor e perceberam alguém.

Morrigan.

Ela estava sentada em seu lugar habitual, se empanturrando de pão como de costume.

Restos de pão espalhados ao redor do prato, e um copo de suco quase vazio ao lado.

Neo caminhou em direção a ela com sua bandeja, seguido por Jack.

Pararam diante dela.

Morrigan levantou a cabeça.

Ela olhou para Neo, depois para Jack, e voltou a olhar para Neo.

"Wewcome bahh."

Seus lábios falaram rasteiro enquanto tentava mastigar.

Pedacinhos de pão saíram de suas bochechas de forma cômica.

Neo e Jack trocaram olhares.

Não conseguiram segurar e começaram a rir.

"....?" Morrigan inclinou a cabeça, com as sobrancelhas franzidas de leve.

"Por que vocês dois tão rindo?"

"Algumas coisas nunca mudam."

Era engraçado ver Morrigan sendo ela mesma.

Esse momento lembrou aos dois que tinham deixado para trás o inferno chamado Prova das Sombras.

"Tudo bem?" Morrigan perguntou, ainda confusa.

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