
Capítulo 279
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Até mesmo Ceifadores de Almas não conseguem?" perguntou Gaia.
Não."
Neo olhou para a insígnia preta na mão com olhar complicado.
A insígnia tinha um emblema de foice na frente, enquanto seu nome, "Thanatos", estava gravado no verso em uma língua antiga.
Desde que decidiu esconder o fato de que era do futuro, seguindo o aviso de Barbatos, Neo precisou de um pseudônimo.
Naquela época, Gaia sugeriu o nome "Thanatos".
Embora tenha achado o nome um pouco exagerado — e ainda ache —, as circunstâncias obrigaram-no a adotá-lo e ele acabou grudando.
Neo balançou a cabeça de novo, lembrando do constrangimento que sentiu ao escolher "Thanatos" como pseudônimo.
"Essa insígnia é dada a todos os Ceifadores de Almas," Neo explicou para Gaia. "Eu a recebi quando me tornei um Ceifador de Almas há alguns meses."
"Com ela, qualquer Ceifador de Almas pode viajar livremente entre o mundo dos vivos e o Submundo — desde que tenha uma razão válida."
As razões geralmente incluíam caçar monstros espirituais que escaparam do Submundo ou capturar fantasmas que permaneciam no mundo dos vivos.
Ao contrário da maioria dos Ceifadores de Almas, Neo tinha o privilégio de viajar sem restrições entre os dois reinos.
Ele não precisava apresentar justificativas aos superiores para usar os Portais de Teletransporte.
Durante um tempo, foi incrível.
Neo finalmente pôde sair da Floresta do Começo de Tudo, atravessar o Mar de Sangue e encontrar outros — especialmente seu pai.
Mas então, tudo mudou.
De repente, Neo não conseguiu mais entrar no Submundo.
Sua insígnia parou de funcionar.
Nem mesmo se suicidar para acessar o Submundo funcionou.
E não foi só com ele.
Qualquer um que morresse agora vagava pela Terra como um espectro.
Pelas razões que ele desconhecia, o Submundo fechou suas portas para todos.
"Tudo bem. Vai ficar tudo bem," disse Gaia suavemente.
Enquanto Neo se perdia em pensamentos, Gaia se aproximou e o abraçou, dando uma leve tapinha na cabeça dele.
"Você pode parar de me tratar como uma criança?" perguntou Neo, exasperado.
"Só vou fazer isso quando você crescer um pouco mais."
"Já sou velho. Só não pareço."
Gaia riu ao ver Neo fazer cara feia.
Ela teve vontade de beliscar sua bochecha, mas sabia que só o deixaria mais irritado.
"Quando o Beelzebu returna?" perguntou Gaia, mudando de assunto. "Recebi mensagens falando que uma cobra gigante apareceu na Provença Selvagem. Parece que ele se saiu espetacular hoje."
"...não sei."
"O quê?"
"Não faço ideia de onde aquele maldito está," admitiu Neo com um suspiro.
Beelzebu — outro nome grandioso dado por Gaia — ganhou a capacidade de se transformar em uma cobra gigante após Neo atingir o nível de Mestre em Tempo.
Ao longo dos anos, Beelzebu foi ficando cada vez maior.
E mais velho.
A puberdade o atingiu com força, e, eventualmente, ele se rebelou.
Na última vez que Neo viu Beelzebu, tinha passado 23 anos.
Antes de partir, Beelzebu chamou Neo de "imbecil" porque sua habilidade de comer era limitada a elementos das sombras imitados, graças à estada de Neo no Mundo das Sombras.
Ele saiu, dizendo que não voltaria até Neo lhe oferecer algo melhor para consumir.
" Acho que você está interpretando mal as coisas," Neo disse a Gaia. "Eu não chamei Beelzebu para me ajudar. Ele veio por conta própria, só para roubar minha glória ao derrotar Typhaon."
Beelzebu foi imediatamente embora após devorar a Provença Selvagem, tendo devorado uma quantidade tão grande de elementos sombrios que ficou enojado.
Se não, Neo tinha certeza de que Beelzebu também tinha devorado o núcleo de Typhaon.
"..."
Gaia ficou sem palavras.
Finalmente, ela riu e disse: "Vocês dois parecem pai e filho."
"Foca numa coisa só. Me chama de criança ou de pai," Neo disse, revirando os olhos.
"De qualquer forma, conseguiu o que pedi?" ele perguntou.
"Sim. Deve chegar a qualquer momento..."
Como de costume, a porta se abriu, e um robô carregando um grande pacote entrou.
Colocou o pacote na mesa e saiu.
"Perfeito timing," Gaia comentou, abrindo o pacote.
Dentro havia um cubo de vidro.
Preso no interior, um pedra dourada pulsava ritmicamente como um coração batendo.
Faíscas de trovão poderosas crepitavam ao redor dela.
"O coração do Qilin de Relâmpago," Neo comentou. "Não imaginei que você conseguiria tão rápido."
"Eu te falei, tenho boas conexões," Gaia respondeu.
Qilins de Relâmpago são criaturas elementais originárias do Mundo Elemental de Relâmpago.
Eles raramente aparecem na Terra.
Embora Neo estivesse tranquila com qualquer criatura elemental, não apenas os de relâmpago, ele ainda sentia uma ponta de gratidão.
Gaia fez questão de capturar um Qilin só por causa do seu pedido original.
Ela cuidadosamente abriu o cubo de vidro.
O coração de relâmpago saiu disparado, selvagem e indomado.
Gaia tentou conter a energia usando sua mana e entregou o coração a Neo.
"Tem certeza de que consegue lidar com isso?" ela perguntou.
"Acho que sim," Neo murmurou, meio inseguro. "Meu Conceito de Escuridão é 'Escuridão Verdadeira.' Deve me permitir ganhar afinidade com relâmpagos, mas... sorte ainda conta."
Nas últimas quatro décadas, Neo focou em aprofundar suas maestrias elementais em vez de subir de nível.
Ele tinha orgulho de dizer que todos seus Conceitos eram únicos e poderosos.
O Conceito de Escuridão Verdadeira lhe permitia devorar qualquer coisa, diferente da Escuridão comum, e torná-la sua.
Talento, maestria elemental, afinidade, Traits.
Neo podia devorar tudo.
Assim como a Escuridão absorvia todas as cores sem discriminação, pintando tudo com sua própria tonalidade, Neo agora podia fazer o mesmo.
O único problema era... a sorte.
'Usar Escuridão é como fazer um sorteio em um sistema de gacha,' pensou Neo. 'Posso agora fazer pulls para invocações especiais graças ao meu Conceito, e a taxa de drop aumentou em 20%.'
'Mas a chance total ainda é de apenas 21%!'
Neo quis chorar, mas não tinha lágrimas.
Respirando fundo, devorou o coração do Qilin de Relâmpago.
A Escuridão floresceu de sua sombra, envolvendo e consumindo a pedra dourada.
Surgiu uma notificação:
[Maestria de Relâmpago Imitada +33]
Neo suspirou profundamente.
Como se tratasse de um Mundo das Sombras, até mesmo o Qilin de Relâmpago tinha sido feito de energia elemental sombria imitada.
Embora tivesse tido sorte de adquirir afinidade com relâmpago, ele não conseguiu obtê-la a partir daquele coração!
'Droga!'
Ele suspeitava que isso fosse acontecer, mas ainda assim seu coração ficou pesado.
...
Provença Selvagem (destruída)
Emma ficou parada, chocada, sem conseguir se mover.
Um momento, a explosão estava prestes a destruir tudo.
No seguinte, Thanatos a absorveu com sua Escuridão e desapareceu.
"Ele devorou energia pura?" ela murmurou. "Como?"
Sacudindo o choque, ela se recompôs com os outros Despertos e ajudou-os a se acalmar.
Alguns minutos depois, o céu escureceu por um instante.
Emma ficou tensa, percebendo uma presença atrás dela.
Vireu-se e viu Jack ali, imóvel e de expressão inespressiva.
"Desculpe a demora," disse Jack, observando o deserto árido. "Corri assim que percebi que Typhaon estava despertando, mas ainda estava longe demais."
"Tudo bem. Typhaon foi derrotado por... Thanatos."
"Quem?" perguntou Jack.
"É o nome do cavaleiro de Gaia," respondeu Emma.
"Ah, ele."
Jack assentiu com expressão tranquila.
Ele tinha ouvido boatos sobre um Despertado que protegia Gaia das sombras.
Emma mordeu o lábio.
Havia uma hesitação evidente em seu rosto.
Após alguns segundos de dúvida, ela finalmente falou.
"Acho que Thanatos é o Neo. As habilidades eram parecidas."
"Entendi."
Para surpresa de Emma, Jack permaneceu calmo.
Ela esperava uma reação mais intensa.
Notando sua confusão, ele lhe sorriu levemente.
"Suspeitei há algum tempo que Neo era o Despertado que trabalhava com Gaia."
"...?" Emma piscou.
"Tenho certeza que vários Despertados pensaram o mesmo," acrescentou ele com olhar conhecedor.
As bochechas de Emma ficaram vermelhas ao entender a implicação.
O conselho de Jack era claro — ela tinha uma ideia de algo que era praticamente de domínio público, mas não tinha percebido.
'Não sou boba!' ela quis gritar.
Antes que pudesse se defender, os outros Despertados próximos começaram a rir disfarçadamente.
"Chefe, parece que você tá feliz porque o Sir Erebus tá aqui!" comentou um deles.
"Tem que pedir logo pra ele, chefe!" insistiu outro.
Jack deu uma risadinha suave.
"Acho que todo mundo tá se sentindo aliviado agora que o Typhaon foi parado," comentou.
Era o dia D.
O Dia do Julgamento.
Gaia tinha avisado que o mundo acabaria no dia D — hoje.
Os Despertados estavam tensos, acreditando que Typhaon era o arauto do desastre.
Agora que ele foi derrotado, a tensão se dissipou, deixando-os relaxados o suficiente para provocar seu superior.
"Deveríamos nos reunir na sede," sugeriu Jack. "Podemos ter vencido o Typhaon, mas ainda temos a Lua, o Triângulo das Bermudas e os Cinco Imperadores. Os outros podem precisar da nossa ajuda."
Jack virou-se, pronto para partir.
Antes que desse mais um passo, uma sombra se expandiu sob os pés de Emma, engolindo tanto ela quanto Jack em um domo de trevas.
"O que você está fazendo?" perguntou Jack.
Sua voz estava calma, mas carregava uma ponta de incerteza.
"Algo que eu deveria ter feito há muito tempo," respondeu Emma com tom firme.
"Sabe que o mundo vai acabar hoje?" ela perguntou.
"Sim, sei. Por isso estamos trabalhando duro para evitar isso. Para garantir que o mundo não seja destruído," respondeu ele, com expressão preocupada enquanto recuava. "Então, consegue destruir essas paredes? Precisamos ir ajudar os outros."
"Você não precisa se preocupar com eles. Eles conseguem cuidar de suas tarefas. Além disso, estamos longe demais para chegar a tempo."
Enquanto falava, tentáculos de Escuridão emergiram do chão, envolvendo o braço de Jack.
"Erm, senhorita Emma? O que você está fazendo?"
"Para garantir que você não fuja como sempre faz."
Ela ficou próxima de Jack.
"Ano após ano, tentei te dar espaço, mas você nunca me deu uma resposta definitiva," ela disse, mexendo na gravata dele.
"...."
"Minha paciência também tem limites."
"...."
"Sim ou não," ela disse. "Não vou aceitar respostas ambíguas hoje. Afinal, pode ser nosso último dia. Então, preciso saber."