
Capítulo 276
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
39 anos depois, Extensão Selvagem.
A paisagem desolada se estendia infinitamente, marcada por falésias serradas e terra queimada.
O ar reluzia com vestígios tênues de mana, criando um zumbido desconcertante que ecoava nos ouvidos de Emma.
Nuves de cinzas pairavam no horizonte e lançavam uma sombra ominosa sobre as milhares de pessoas despertadas reunidas abaixo.
"Droga."
Emma roía as unhas enquanto seu olhar percorria as forças reunidas.
Suas sobrancelhas se franziram enquanto examinava as faces dos despertados preparados para a batalha.
As armaduras reluziam fracamente à luz mortiça, e todos exibiam expressões sombrias.
Hoje, Typhaon despertaria.
Todos vinham se preparando para esse dia há décadas.
A tensão no ar era palpável, quebrada apenas pelos ocasional clangor de armas e murmúrios nervosos entre os despertados.
Mas…
"Eles acham que isso é brincadeira?" Emma sussurrou entre dentes.
A raiz de Typhaon se aprofundava a cada dia.
O Pai das Anomalias drenava a energia da própria terra.
Essa absorção desenfreada permitia que ele crescesse numa velocidade muito maior do que qualquer despertado poderia imaginar.
Seu ritmo de crescimento era incomparável.
Apesar da ameaça colossal, Emma era a única combatente de peso na formação de hoje.
Ela apertou os punhos, suas unhas cravando nas palmas das mãos enquanto uma sensação de frustração a invadia.
Porém, ela sabia que não era culpa de ninguém.
Poseidon estava com os Titãs, segurando as hordas de monstros que saíam do Triângulo das Bermudas.
Aparentemente, o local tinha uma conexão de portal com outro planeta.
O ambiente daquele planeta não era habitável para humanos e lá só existiam monstros sanguinários e poderosos.
Esses monstros vinham invadindo a Terra sem parar.
Zeus estava na lua.
A maldita lua tinha ganhado uma mente própria devido à evolução causada pela mana.
Zeus precisava ir lá e detê-la antes que decidisse colidir com a Terra e acabar com tudo.
Gaia estava ocupada com a Sincronização do Núcleo Mundial. Ela tinha chegado às últimas fases, e Gaia não podia deixá-la desacompanhada.
Ares e Atena lutavam contra os Cinco Imperadores—um grupo rebelde de despertados liderado por cinco líderes poderosos.
Eles veneravam Typhaon e tentavam sabotar os esforços da Associação de Despertados para derrotar o monstro.
Hoje, restava apenas Emma, Apolo e Jack contra Typhaon, acompanhado de alguns centenas de despertados.
Os demais despertados estavam muito aquém do nível de Emma ou Jack, e sua única missão era lidar com os lacaios de Typhaon.
O plano era simples: segurar Typhaon até a chegada de reforços.
Quando Ares e Atena derrotassem os Cinco Imperadores e Zeus concluísse sua missão na lua, eles correriam para a Extensão Selvagem ajudar a derrotar o Pai das Anomalias.
Jack—agora Erebus—era um reforço enviado pelos Titãs.
Se a Associação de Despertados não conseguisse segurar firme, mais reforços viriam.
Porém, era uma atitude imprudente, quase suicida, deixar Emma, Apolo e Jack sozinhos para enfrentar Typhaon.
Mas não havia outra saída. Todos os despertados de força estavam ocupados em batalhas igualmente críticas.
"Quanto mais eu penso nisso, mais me dá raiva. Por que o Apolo ainda não chegou!?" A voz de Emma cortou o silêncio tenso, fazendo alguns despertados próximos ofegarem.
Eles trocaram olhares nervosos e cochicharam entre si.
"Ei, faz alguma coisa, ou vamos levar bronca porque o Sir Apolo não tá aqui."
"O que eu faço!?"
"Galera, só lembrem ela que o Sir Erebus vem chegando. Talvez isso melhore o humor dela."
Enquanto pensavam em como acalmar Emma, ela de repente levantou seu dispositivo e começou a falar nele.
Sua voz estava assertiva, carregada de irritação.
"Apolo, cadê você!?"
Parece que Apolo finalmente atendeu a ligação dela.
Ela inclinou a cabeça, a expressão mudando de raiva para confusão enquanto ouvia a resposta de Apolo.
"Você não vai vir…?"
Sua voz vacilou, um olhar de incredulidade cruzou seus olhos.
"Neo vai cuidar do Typhaon…? Aquele cara desapareceu há quarenta anos! Como assim—Ei, não desliga!"
A voz de Emma aumentou de exasperação, mas a linha caiu antes que ela pudesse dizer mais.
Suas mãos tremeram ao abaixar o dispositivo, o rosto contorcido de raiva.
Os outros despertados recuaram com cautela.
"É culpa daquele maldito mesmo," ela murmurou entre dentes, com uma voz carregada de veneno.
Apolo tinha mudado depois de ser derrotado por Neo há 39 anos.
Emma não sabia o que Neo tinha dito a ele.
Mas aquilo mudou Apolo.
De um guerreiro disciplinado que fazia o que era necessário, ele virou um bon vivant que só fazia o que queria.
E agora, justamente na hora mais crítica, resolveu ser imprevisível.
Ele estava ocupado na festa neste exato momento!?
"Eu não entendo. Por que todo mundo fica falando 'Neo isso, Neo aquilo'? Até o Jack dá mais atenção a ele do que a mim—"
As palavras de Emma cessaram abruptamente quando um tremor violento sacudiu o chão sob seus pés.
A extensão deserta tremeu.
Poeira se levantou em redemoinhos caóticos enquanto rachaduras se espalhavam pelo terreno.
Os despertados começaram a gritar de pavor.
"Typhaon está despertando!"
"Droga, é mais cedo do que o previsto! Nosso pessoal ainda não está totalmente preparado!"
A expressão de Emma escureceu e seus lábios ficaram em linha fina.
O solo sob seus sapatos vibrou com uma intenção sinistra, e uma sensação de presságio pesada afundou em seu peito.
Ela tentou invocar seus poderes das Trevas, mas uma pressão esmagadora caiu sobre ela como uma onda gigante.
Seus joelhos fraquejaram.
Uma onda de dor se espalhou entre os despertados.
A maioria caiu sem consciência.
Alguns poucos conseguiram manter-se de pé, vomitando violentamente.
Seus rostos estavam pálidos e encharcados de suor.
A floresta ao redor gemia como se estivesse viva.
Árvores se torciam grotescamente.
O equino das cascas se abriu, revelando faces monstruosas e membros retorcidos.
O chão rachou, liberando enxames de criaturas horrendas que arranharam seu caminho até a superfície.
"Droga!" a mente de Emma disparou enquanto a adrenalina corria por seu corpo. "Essa força… O poder do Typhaon está muito além das previsões!"
Ela se lembrou do briefing de Gaia: as raízes de Typhaon absorviam energia da terra, permitindo seu crescimento assustador, inigualável por qualquer despertado.
"Chame reforços!" Emma ordenou com firmeza.
Sua voz se sobrepôs ao caos.
"Isso aqui não é algo que conseguimos segurar com nossos números atuais! Vão! Eu vou distrair—"
"Não há necessidade disso."
A voz calma cortou sua convocação como uma lâmina na névoa de pânico.
Um manequim trajado com um robe preto rasgado deu um passo à frente.
Seu aspecto era distante e quase surreal em meio ao caos.
Diferente de todos os outros na batalha, ele parecia completamente indiferente à presença esmagadora de Typhaon.
Emma virou-se para ele.
Seus olhos se estreitaram.
"Quem é você?"
O manequim inclinou ligeiramente a cabeça.
Seu rosto estava oculto pelas sombras do capuz.
Era como se a própria Escuridão escondesse seus traços, tornando-os impossíveis de distinguir.
Porém, sua voz tinha algo de estranho, familiar.
"Gaia me enviou," ele respondeu com calma. "Meu codinome é…"
Ele hesitou, postura ficando tensa por um instante, como se estivesse envergonhado. Depois, entre dentes cerrados, acrescentou:
"Thanatos."
Os olhos de Emma se arregalaram de choque.
Ela não sabia que a Associação de Despertados tinha alguém como ele entre seus membros.
Mas guardou suas dúvidas para si mesma.
Rumores sobre o suposto cavaleiro de Gaia circulavam na Associação há anos.
Eles diziam que: Um cavaleiro protegia Gaia nas sombras e matava sem falhar sempre que Gaia ordenava.
Gaia nunca confirmou nem negou esses rumores, deixando-os esvoaçar na ambiguidade.