
Capítulo 253
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Faryab, Afeganistão, Mundo das Sombras
A mulher de cabelos lisos e negros, olhos verdes penetrantes e expressão fria correu rapidamente pelos escombros da cidade.
O ar estava carregado de fumaça e o leve aroma de cinzas ainda persistia, misturando-se ao cheiro metálico de sangue.
Edifícios em ruínas projetavam sombras irregulares pelas ruas rachadas, onde destroços e vidro quebrado cintilavam fracamente sob a luz sombria e de outro planeta.
Dezenas de monstros surgiam a cada segundo em seu caminho.
Ela lidava com eles sem esforço, eliminando cada um com um único movimento de sua lança.
Sua velocidade era tão grande que parecia romper a barreira do som—mas nenhuma onda de choque se propagava, como se até o ar tivesse medo de enfrentá-la.
À frente, o caos da cidade dava lugar a uma floresta densa.
As árvores pareciam quase vivas.
Seus galhos retorcidos alcançavam o céu como mãos esqueléticas.
O chão sob elas estava envolto em névoa, e um aroma sutil de terra molhada substituía o cheiro de destruição.
Gaia abriu a boca e começou a entoar uma oração.
"Ó seres do bosque; raízes entrelaçadas, caminhos se alinhando; Pelo coração da floresta, deixai que eu una; Uma verde a outra, ponte divina."
A floresta começou a brilhar com uma luz vibrante de tom verde e o ar vibrava com energia.
O próprio espaço distorceu-se, conectando esta floresta a outra localizada a cinco cidades de distância.
Era essa invocação que permitia a Gaia atravessar rapidamente grandes distâncias.
Ela estava prestes a entrar na floresta quando um flash cego de luz cortou o céu escurecido.
Seus instintos gritaram um aviso, e ela recuou sem hesitar.
Uma figura caiu no chão onde ela tinha estado poucos momentos antes.
O impacto fez tremer toda a terra, derrubando árvores próximas e espalhando destroços ao redor.
"Droga, perdi," murmurou a figura, levantando-se cambaleante.
Perses sacudiu a cabeça como se tentasse clarear a mente.
"Quem quer que tenha ajustado esse Cubo Espaço-Tempo precisa melhorar o seu jogo," resmungou.
Ele acenou com a mão de forma despretensiosa, e rajadas de vento enormes se formaram, dispersando a nuvem de poeira que o cercava.
Quando o ar se abriu, sua silhueta ficou totalmente visível para Gaia.
"Perses…" A voz de Gaia foi fria. Ela apertou a mão na lança. "Você acabou de atacar mim?"
"Não, os cálculos do coordenador do Cubo Espaço-Tempo estavam errados e quase colidi comigo," explicou com um sorriso desculpável.
"O que você está fazendo aqui?" perguntou ela.
"Kronos me enviou para ajudar você a alcançar Neo Hargraves."
Perses mostrou o Cubo Espaço-Tempo.
"Vamos lá. Precisamos impedir esses garotos de acordar o Typhaon."
A expressão de Gaia permaneceu inalterada e ela ficou em silêncio.
Quando seu silêncio se prolongou, ele acrescentou impaciente,
"As visões que Apolo viu nos mostram Neo Hargraves salvando a Criança de Mana. Isso significa que, a menos que o impeçamos e mudemos o futuro, o Typhaon certamente despertará. Então, vamos logo—não dá tempo de perder tempo."
Uma expressão de preocupação apareceu no rosto de Gaia.
Algo parecia estranho, mas ela não conseguiu identificar o quê.
Após um momento de deliberação, ela assentiu lentamente e se aproximou de Perses com cautela.
"O Cubo Espaço-Tempo consegue nos teleportar para fora da Expansão Selvagem?" perguntou.
"Não consegue teleportar dentro da própria Expansão Selvagem. O espaço lá é controlado por Typhaon. Mas podemos teletransportar para fora e entrar por conta própria," explicou Perses.
Seus argumentos eram lógicos.
Apesar da rivalidade entre os Titãs e a Associação dos Despertadores, não era incomum que colaborassem em situações extremas.
"Relaxe seu corpo. Vou ativar o Cubo Espaço-Tempo," instruiu.
Gaia respirou fundo, soltando o aperto na lança.
Sua postura relaxou e ela baixou a guarda.
O cubo começou a brilhar, emitindo uma luz pulsante que os envolveu.
De repente, um brilho ameaçador, de tom laranja-avermelhado, apareceu ao redor da mão de Perses.
Antes que Gaia pudesse reagir, esse brilho se solidificou numa machadada, e ele a empurrou na direção de seu pescoço com um arco rápido e letal.
O embate foi súbito demais.
Gaia conseguiu desviar do golpe completo, mas a lâmina raspou seu ombro, deixando uma ferida profunda ensangüentada.
A dor intensificou-se, mas sua expressão permaneceu firme.
"O que você está fazendo?" ela exclamou.
"Seguindo as ordens do meu líder," respondeu Perses. "Seu cara causou destruição por nossa causa. Vou fazer o mesmo aqui."
A testa de Gaia se ajustou em uma expressão mais séria.
Ela percebeu que ele se referia ao ataque de Zeus, pensou.
"Não é hora de brigarmos entre nós," falou ela.
Perses carregou um rosto de arrependimento ao ouvi-la.
Suas sobrancelhas franzidas e o leve descenso dos lábios revelavam seu conflito interno.
Claramente, ele não queria realmente lutar contra ela e, ao contrário, desejava ajudar a impedir Neo.
Por um momento, seu olhar penetrante suavizou, e ele respirou fundo, balançando a cabeça.
"Desculpe. Preciso seguir as ordens do meu líder," disse resignado.
A expressão de Gaia permaneceu fria, embora uma centelha de frustração atravessasse seus olhos.
"Você está rompendo o tratado de paz agora mesmo."
"Foi você quem começou a quebrá-lo primeiro," retrucou Perses com firmeza, de modo rápido.
Antes que Gaia pudesse responder, ele avançou como uma bala.
A terra sob seus pés rachou pelo impacto da velocidade de sua investida.
Seu machado reluzia com a tonalidade ardente de sua aura laranja-avermelhada enquanto ele atento brutalmente com precisão mortal.
...
Floresta de Ballyhoura, Munster, Irlanda, Mundo das Sombras
A densa floresta se estendia diante de Neo e Jack.
Seus verdes vibrantes contrastavam com a morte e a carnificina que a cercavam.
O chão ao redor de Neo e Jack estava coberto pelos ossos quebrados de monstros esqueletos e cadáveres de zumbis em decomposição.
Eles haviam eliminado quase todos os mortos-vivos de Niles Radcliff que protegiam a fronteira da Expansão Selvagem.
A floresta parecia banal, com árvores altas e vegetação exuberante. No entanto, havia uma barreira invisível ao seu redor.
Neo permanecia imóvel, fixando seu olhar numa tela de status translúcida à sua frente, enquanto Jack vasculhava a área em busca de um ponto fraco na barreira.
[Eterno, Gade 5 Mítico]
Progresso: 91%
Efeito: Torna-se imortal e ganha resistência contra doenças de status (+10%).
[Invasão Mental, Gade 5 Despertado]
Progresso: 99%
Ambos os traços estavam próximos de uma revolução.
Contudo, ele só podia esperar para sair do Mundo das Sombras e fazer sua melhora, já que cada avanço consumia uma grande quantidade de Energia Divina e, naquele momento, ele estava severamente sem energia.
[Morte]
Maestria: Adepto (Pico) (Selado) → Nenhum
Progresso do Conceito: 97%
Neo franziu a testa.
O progresso permanecia estagnado em 97% há dois dias.
Ele não conseguia avançar, por mais que tentasse fundir sua intenção ao seu Núcleo.
Ele apertou os punhos, a mandíbula cerrada de frustração.
'Não há problema com minha intenção,' pensou. 'O problema aqui é que me falta Morte.'
Nos últimos dias, ele vinha exterminando milhares de monstros.
No começo, suas mortes ajudavam a avançar bastante, mas, conforme sua maestria aumentava, a energia de Morte que eles forneciam diminuía.
'Não preciso mais de quantidade,' concluiu com ar sombrio. 'Preciso de qualidade.'
Sua expressão se aprofundou ainda mais.
Ele precisava matar alguém forte—alguém cuja morte resultasse numa energia potente capaz de completar seu avanço no Conceito de uma só vez.
"Neo, encontrei uma entrada."
A voz de Jack cortou seus pensamentos, trazendo-o de volta ao presente.
Neo se virou e viu Jack perto da barreira, que agora tinha uma rachadura irregular atravessando-a.
Depois de horas procurando, Jack tinha descoberto uma fraqueza e a tinha aberto.
Eles passaram pelo trecho rasgado da barreira.
Sentiram uma mudança, e uma estranha calma os envolveu.
O ar ficou pesado.
Todos os sons naturais cessaram—não havia folhas ao vento, pássaros cantando, apenas silêncio absoluto.
"Sinto que alguém está me olhando," murmurou Jack.
"Pode ser Typhaon ou algum de seus Senhores," respondeu Neo. "Ou talvez um Despertador enviado para nos impedir. Vamos ignorar por enquanto e focar no que realmente importa."
A Floresta Ballyhoura—agora chamada de Extensão Selvagem—era originalmente uma área de 10.500 hectares (cerca de 26 mil acres) que se estendia pelas Montanhas Ballyhoura.
Desde a chegada de Typhaon, o espaço dentro da floresta tinha se expandido exponencialmente.
De fora, parecia a mesma coisa, e o tamanho permanecia igual.
Mas ao entrar, descobriam que ela tinha o tamanho de toda a Austrália.
Era obra de Typhaon—Manipulação Espacial numa escala que desafiava a compreensão.
"Devo começar?" perguntou Jack.
"Sim," respondeu Neo.
Sob os pés de Jack, sombras se estendiam para fora, fluindo como trevas líquidas.
Elas se espalhavam pelo chão, crescendo até ficarem grandes o suficiente para engolir uma cidade inteira.
As sombras começaram a se agitar e borbulhar, de forma ameaçadora.
"Ergam-se, minha legião, e sirvam-me novamente," entoou Jack.
As sombras se ondularam, e milhares de mortos-vivos emergiram delas.
Seus esqueletos e formas em decomposição eram um contraste grotesco com a floresta vibrante.
Elas se moveram com fluidez e se espalharam em todas as direções.
Jack ordenou que procurassem na floresta por uma árvore gigante—o Núcleo de Typhaon.
O corpo de Typhaon era a própria floresta.
Por seu tamanho, era impossível destruí-lo completamente, pois faltava fogo suficiente.
A única maneira de causar dano ao Pai das Anomalias era atacar seu Núcleo.
"Não deve demorar muito para eu encontrar o Núcleo," disse Jack.
Dentro da Extensão Selvagem, Typhaon tinha distorcido o espaço ao seu redor.
Ele podia alterar rotas, criar loops e enganar invasores sem parar.
Ninguém conseguiria achar seu Núcleo a não ser que Typhaon quisesse que fosse localizado.
Jack e Neo entendiam bem isso.
Por isso, elaboraram um plano de força bruta.