Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 249

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Ares utilizou sua Afinidade Sagrada ao máximo.

Seus olhos ficaram vermelhos de raiva.

O ar ao seu redor cintilava com uma luz dourada, como se a pura força de seu poder estivesse distorcendo a própria realidade.

Emma, ao seu lado, usou as Trevas para devorar a morte que puxava seu coração.

Sombrias se enrolavam ao redor dela, contorcendo-se como criaturas vivas, enquanto um leve odor de decadência pairava na atmosfera fria e opressiva.

Seu rosto estava pálido e seus lábios tremiam de esforço.

Ambos ofegavam enquanto conseguiam defender-se do ataque.

Sobreviviram. Por pouco.

Suas expressões eram severas, seus corpos calejados, quando de repente Neo abriu a boca.

"Como esperado de vocês dois. Vocês apagaram completamente meu ataque."

Suas palavras estavam calmas, estranhamente sem qualquer emoção, em forte contraste com o caos ao redor.

Ares e Emma sentiram que algo não estava certo.

Neo permanecia lá, imóvel.

Ele estava calmo.

Muito calmo—

"E os outros? E quanto a eles?" perguntou.

Sinos de alarme soaram em suas mentes.

Rapidamente, eles se viraram de volta.

A cena diante de seus olhos afundou seus corações.

Dezenas de despertantes estavam espalhados pelo campo de batalha como bonecas quebradas, seus fios cortados. Seus corpos jazia imóveis, olhos arregalados com olhares vazios.

Eram mortos.

Sessenta e sete despertantes morreram com um único ataque.

A compreensão fez Ares e Emma ficarem alarmados.

Um vento frio varreu o campo desolado, carregando uma silenciosa tranquilidade.

Ares sentiu uma onda de raiva crescer em seu coração.

Ele cerrava os punhos, chamas vermelhas surgindo ao seu redor enquanto sua fúria ferveu.

Ele fixou o olhar em Neo, a voz tremendo de raiva.

"Seu garotinho—"

"Ares, vou dizer de novo," interrompeu Neo, sua voz cortando a tensão como uma lâmina. "Saia do meu caminho ou sofrerá as consequências."

As uma e meia coroas de Elementais da Morte ao redor do coração de Neo começaram a zumbir de forma ameaçadora. Raios vermelhos crepitavam ao seu redor, iluminando sua expressão fria e indiferente.

Em resposta, Emma convocou uma enorme serpente escorregadia feita de Trevas puro.

Suas escamas brilhavam como noite líquida, e seus olhos ardiam com malevolência.

Simultaneamente, uma aura vermelha se intensificou ao redor de Ares, o chão sob seus pés rachando sob o peso de seu poder liberado.

Justo quando parecia que o confronto seria inevitável, uma voz fraca quebrou a tensão.

"Par… para…"

Sangue escorria do nariz de Athena enquanto ela cambaleava para frente, suas mãos tremendo enquanto segurava o Cubo do Espaço-Tempo.

Seu rosto estava pálido, a respiração superficial, mas seu olhar permanecia fixo em Neo.

"Já basta," disse ela, sua voz quase um sussurro.

"Eu achei que você queria continuar," respondeu Neo.

A frase de Neo deixou Ares e Emma confusos.

Os dois trocaram um breve olhar antes de perceberem que o olhar de Neo estava direcionado ao Cubo do Espaço-Tempo nas mãos de Athena.

…!?

Foi aí que eles perceberam.

"Quantas vezes você usou o Cubo do Espaço-Tempo?" perguntou Ares, com a voz baixa, porém tensa de urgência.

Ele supunha que o sangue escorrendo pelo nariz dela fosse uma ferimento causado pelo ataque de Neo.

Porém, ele estava errado.

"Isso…" Athena mordeu os lábios, hesitando.

A primeira habilidade do Cubo do Espaço-Tempo permitia que seu usuário voltasse 30 segundos ao passado.

"Quarenta e três vezes," admitiu Athena, com a voz trêmula.

Seus olhos se dirigiram a Neo, que permanecia imóvel, sua expressão calma inalterada.

Com sua Afinidade de Tempo, Neo tinha ciência de que Athena usava o Cubo do Espaço-Tempo para retroceder assim que ele os derrotou.

"Perdemos quarenta e três vezes. Dentre elas, derrotamos ele dezoito vezes, mas…"

A voz dela quebrou.

"Nessas dezoito repetições, só você e Emma sobreviveram, Ares."

Choque, raiva, descrença—uma infinidade de emoções pulsava sob o olhar de Ares.

Ao ouvir que Neo matou todos os despertantes que eram como família para ele, Ares quase perdeu o controle.

Ele rapidamente reprimiu suas emoções furiosas e forçou-se a focar.

As engrenagens em sua mente giraram enquanto ele se colocava na frente de Athena, protuberante.

"Esteja preparado para ativar o Cubo do Espaço-Tempo e me diga todas as estratégias que usamos nas rodadas anteriores. Vamos usá-las para enfrentá-lo," ordenou Ares, com tom resoluto.

Apesar do desespero que se insinuava às beiras de sua mente, ele se erguia firme como líder da Associação dos Despertantes, pronto para enfrentar Neo novamente.

No entanto, ele não percebeu algo.

Neo não tinha atacado eles por um tempo.

Ele simplesmente olhava para Athena, seu olhar carregado de algo indecifrável.

"Eu farei isso," disse Athena de repente, com uma voz suave, porém determinada. "Vou te ajudar. Então, por favor, parem de matar todo mundo."

Os olhos de Ares se arregalaram de surpresa. Ele não tinha entendido o que Athena estava dizendo até que—

Ela ativou o Cubo do Espaço-Tempo.

Athena retornou ao passado.

"Neo Hargraves, vou te fazer uma última pergunta," disse Ares. "Tem certeza de que quer resgatar a Criança de Mana?"

"Ares, vou te dar duas opções," respondeu Neo. "Saia daqui e deixe-me resgatar a Criança de Mana, ou… enfrente as consequências."

Athena olhou para baixo, seus olhos captando as fissuras que começavam a se formar na superfície do Cubo do Espaço-Tempo.

'Está chegando ao limite,' pensou ela, com o coração acelerado.

Sangue escorria do nariz, um contraste gritante com sua pele pálida.

Viajar no tempo sem a Afinidade de Tempo estava cobrando seu preço.

Antes que Neo pudesse revelar a força que vinha escondendo, Athena tomou uma decisão rápida.

Ela ativou a segunda habilidade do Cubo do Espaço-Tempo.

Luzes prateadas pequenas surgiram do cubo, dançando como vaga-lumes antes de partir em direção aos despertantes ao redor de Neo.

Suas figuras se desintegraram silenciosamente, incapazes de reagir a tempo devido ao movimento repentino de Athena.

Momentos depois, apenas Neo e Athena permaneciam na paisagem deserta.

"Você vai me ajudar?" perguntou Neo calmamente, arregando os olhos ao observá-la.

Ele conseguia ver os Elementais do Tempo caóticos girando ao seu redor, inquietos.

Era fácil deduzir sua estratégia—ela vinha retrocedendo no tempo reiteradas vezes para tentar derrotá-lo.

Porém, após várias tentativas fracassadas, ela optou por mudar de abordagem e ajudá-lo ao invés disso.

"Você consegue realmente derrotar Typhon?" ela perguntou, com a voz levemente tremendo. "Me dê uma garantia, ou…"

"Ou?" interrompeu Neo. "Você já teletransportou os despertantes da Associação para longe. Não conseguiu me derrotar junto com eles. Acha que pode fazer isso sozinha?"

"Não," Athena admitiu, com a expressão endurecida. "Mas posso garantir que ambos cairemos juntos."

Ela não explicou mais, mas a intensidade ardente em seu olhar não deixou dúvidas para Neo—ela estava confiante de que poderia cumprir sua ameaça.

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