Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 247

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

A sala estava fracamente iluminada, com o suave brilho de uma única luminária projetando sombras alongadas nas paredes.

Athena estava sentada ao lado de uma escrivaninha de madeira desorganizada, um leve aroma de papel envelhecido pairando no ar.

"Duvido. Ao contrário dos Serafins, que vivem múltiplas vidas, eu só tive uma vida anterior."

A voz de Neo era calma enquanto ele falava.

Seus olhos brevemente piscavam em direção aos livros espalhados sobre a mesa.

Não havia muitas informações sobre Serafins no romance que ele tinha lido.

Athena lançou-lhe um olhar, as sobrancelhas franzidas enquanto tentava recordar o pouco que sabia.

Ela esclareceu algumas de suas dúvidas, mas sua hesitação revelou que ela mesma não conhecia muito bem o assunto.

"Obrigada", disse Neo, num tom educado, enquanto se preparava para ir embora.

Justamente quando alcançava a porta, ele parou de repente.

O ranger suave das tábuas do piso ecoou na sala silenciosa.

Ele se virou, encontrou seu olhar e abriu a boca.

"Você pode me ajudar?"

"…"

"Se possível, não quero matar pessoas da Associação dos Despertos."

Seus dizeres eram suaves, mas resolutos.

Athena engrossou o corpo, a luz da luminária traçando linhas afiadas no rosto dela.

'Ele sabe que Ares planeja atacá-lo se ele for resgatar a Criança de Mana. E ele não tem intenção de recuar', pensou, uma sensação de ansiedade tomando conta.

Mas algo mais nas palavras de Neo a perturbava ainda mais.

"Você não quer… matar?" ela repetiu, sua voz vacilando.

O olhar de Neo permaneceu firme.

Foi a primeira vez que ela o viu assim.

Até hoje, ela nunca tivera uma visão tão detalhada da força de Neo.

Quando Emma zombava dele por ser fraco, ou quando Jack defendia dizendo que ele era forte, Neo sempre permanecia em silêncio.

No entanto…

Ela conseguia perceber pelos olhos dele que ele estava pronto para lutar contra a associação. E tinha confiança na vitória.

"Vou ver o que posso fazer", ela finalmente respondeu, desviando o olhar.

Neo suspirou suavemente e saiu.


O corredor lá fora estava surpreendentemente silencioso, os corredores normalmente movimentados agora vazios.

As luzes tênues piscavam acima, lançando sombras suaves que pareciam dançar pelas paredes rachadas.

Não demorou muito para perceber a diminuição da presença dos membros da associação.

A vibração habitual da sede tinha sido substituída por um silêncio sinistro.

'Será que estão evacuando as pessoas, achando que uma batalha vai acontecer?' pensou Neo, franzindo a testa.

A luta entre ele e a associação parecia inevitável.

Mas por que a Associação dos Despertos tinha tanta certeza de que ele tentaria salvar a Criança de Mana?

Era um mistério, que o incomodava na borda da mente.

Ele não tinha ideia de que a associação havia sido alertada por Apolo, que recebeu uma visão do futuro.

Ele se aproximou da saída, tentando testar as águas.

Os guardas no portão o impediram.

Ele não podia sair.

Os rostos deles eram sombrios, as posturas rígidas.

Negando com a cabeça, ele se virou e voltou a andar pelo interior.

Alguns minutos depois, avistou Jack na cantina.

A sala estava escura, o sussurro suave das luzes fluorescentes misturado ao leve tilintar de utensílios.

Jack estava sentado numa mesa de canto, comendo macarrão com uma expressão despreocupada.

"Ah, voltou? Como foi com a Athena?" perguntou Jack, com a boca meio cheia de comida.

"… Você tá meio relaxado demais?" Neo brincou, com divertimento.

A tensão na sede era palpável — e mesmo assim Jack comia como se nada estivesse acontecendo.

"Bom…" Jack arrastou as palavras, apontando a colher de sopa para Neo com um sorriso casual. "Confio em você."

Neo olhou para ele, surpreso por um momento.

Qualquer outra pessoa no lugar de Jack teria achado que ele está louco.

Neo tinha afirmado que iria derrubar Tifon.

Mesmo que alguém do futuro o ouvisse, não confiaria que ele fosse forte o suficiente para vencer.

Se perdesse, Tifon — que tinha despertado — destruiria tudo ao seu redor.

A decisão da associação de evitar resgatar a Criança de Mana era óbvia.

Porém, Jack estava ali, apoiando Neo sem uma ponta de dúvida.

Enquanto Jack continuava sua refeição, Neo recolheu uma lagarta do bolso.

A pequena criatura se contorcia na palma da mão, seu corpo translúcido brilhando levemente sob as luzes da cafeteria.

Neo entregou um elixir para ela, observando-a absorver ansiosamente o líquido brilhante.

Ele mesmo tomou mais três elixires, sentindo a energia divina correr pelas veias.

"Quantos elixires você tem agora?" perguntou Jack, seus olhos brevemente voltando-se para Neo enquanto saboreava sua sopa.

"Nenhum", respondeu Neo, fechando os olhos para focar na absorção da energia.

Jack levantou uma sobrancelha e abriu seu Espaço Sombrio.

Ele puxou um pequeno objeto envolto em pano e entregou a Neo.

"Toma isso."

O cheiro de sândalo era evidente, mas assim que Neo o pegou, percebeu o que era.

"Quando você fez isso?"

A mão de Neo tremeu ligeiramente ao segurar o objeto.

Seus olhos se moveram rapidamente em direção às mãos de Jack.

'Ele cortou a mão e a regenerou. Será que Athena fez isso?'

'Mas ele perderá a parte regenerada se eu devorar isso.'

Neo olhou fixamente para o objeto envolto em pano.

A tênue aura de Energia Divina emanava do tecido, envolvendo-o numa luz etérea.

Era a mão de Jack — a parte abaixo do pulso.

"Eu infundi muita da minha Energia Divina nele antes de separá-lo."

"Pense nisso como um elixir improvisado de Energia Divina. Devora-lo recuperará metade do seu réserve de Energia Divina", explicou Jack, com tom calmo, porém firme.

Antes que Neo pudesse recusar, Jack acrescentou:

"Isso é uma peça crucial para nós dois, Neo. Não podemos falhar porque você ficou sem Energia Divina na última hora."

Jack franziu a testa de mentira.

"Não quero falhar no teste por sua causa. Use isso na hora certa."

Neo mexeu a língua, concordando com a cabeça.

O suave farfalhar das folhas lá fora pelo janela pontuou sua relutante concordância.

Ele preferiria morrer a usá-lo, mas sabia que dizer isso em voz alta desencadearia mais insistências.

Na noite, eles enfrentaram novamente a Anomalia #79 — tinham permissão para sair da sede sob supervisão de Emma — e voltaram para dormir.

"Boa noite", disse Emma, após mostrar seus quartos.

O corredor comprido até seus aposentos estava silencioso, salvo pelo leve ranger do piso sob os passos.

Jack adormeceu assim que deitou na cama.

Neo também adormeceu, embalado pelo canto distante dos grilos.

Era meia-noite quando alarmes soaram na sua mente, despertando-o abruptamente.

"…Imaginei que eles iriam esperar alguns dias", disse Jack ao abrir os olhos.

Ambos saíram do quarto.

Todo o quartel-general estava vazio.

Forçaram a saída, mas as janelas e portas estavam bloqueadas por algum tipo de barreira.

"Isolamento Espacial", murmurou Neo, sua voz quase inaudível na silêncio sufocante. "Vamos checar o telhado."

Os dois subiram as escadas, os passos apressados quebrando o silêncio.

***

Nota do autor: Ontem surgiu um imprevisto e precisei fazer uma pausa. A liberação em massa não foi cortada. Os capítulos serão lançados dia após amanhã (13). Novamente, desculpe pelo descanso repentino.

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