Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 220

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

[Nota do Autor: Percebi que o corretor automático tem alterado o nível de Magias para Terror. Para evitar confusões, vou explicar aqui.]

O nível máximo de Magia é [Tremor]. Não existe o nível Terror. Foi um erro de digitação.]

...

"Neo…"

As unhas de Kane cravaram na palma da mão, causando sangue.

A culpa pesava intensamente sobre ele.

Neo resmungou.

"Certo. Que tal assim? Se você está se sentindo culpado, me ensine suas técnicas de espada."

"H-huh? Mas é uma minha Habilidade."

"Você está enganado. Sua Habilidade permite que você coloque sua Intenção em Energia Divina pura. As técnicas são suas. Se eu conseguir aprender a colocar minha Intenção em Energia Divina, também poderei usar suas técnicas."

Claro que isso não era algo fácil de fazer.

Colocar Intenção em Energia Divina era a próxima evolução das Ataques de Aura, depois das Lâminas de Aura.

Neo sabia que não seria simples.

Depois de tudo, criar o Conceito de Elementos era feito fundindo sua [Intenção] ao seu [Núcleo].

Isso era necessário para atingir a maestria de nível Mestre em qualquer elemento.

Agora, ele precisava fazer algo semelhante — fundir sua [Intenção] à Energia Divina pura.

"Eu posso te ajudar, se puder, mas como?" questionou Kane.

"É parecido com Encantamentos," respondeu Neo. "Você sabe como funcionam os Encantamentos?"

Kane balançou a cabeça.

Era de se esperar.

No momento, os Encantamentos eram apenas uma técnica em desenvolvimento.

Foram criados há décadas, mas não há muitas informações sobre eles.

"Encantamento, simplificando, é pedir aos Elementais que nos ajudem."

"Os Elementais estão vivos?" Kane franziu a testa.

"Talvez estejam, talvez não," Neo virou a cabeça e olhou para o teto. "Robôs estão vivos?"

"Não?"

Kane não entendia exatamente o que Neo tentava explicar, mas escutou atento.

Todo mundo sabia das capacidades de Neo.

Ele não era apenas forte, mas também inteligente.

Kane achava absurdo uma criança como Neo assumir sozinho a administração da cidade sem suar a camisa.

'Se ele está explicando isso pra mim, deve ser importante,' pensou Kane.

"Então, pra você, robôs não estão vivos. E os humanos?"

"São vivos."

"Como você consegue afirmar isso?"

"Bem, nós comemos, nos movemos, respiramos."

"Um robô pode ser programado para fazer isso também."

"…"

Kane ficou em silêncio após ouvir Neo.

"Elementais são parecidos. Estão vivos, mas não ao mesmo tempo."

Neo continuou explicando,

"Quando usamos Encantamentos, basicamente estamos dizendo: 'Querido Elemental, preciso que você faça isso. Por favor, ouça-me e ajude-me.'"

Havia mais detalhes nisso, é claro.

Era preciso colocar sua [Intenção] nas palavras para comunicar-se com os Elementais.

Afinal, os Elementais não entendiam a língua humana.

"Entendi."

Neo não sabia se ria ou chorava ao ver a expressão de confusão de Kane.

"Aposto que você nem percebeu que estava chamando os nomes das suas técnicas porque elas são Encantamentos."

"…"

A expressão de Kane emburrada, e ele virou o rosto de lado.

"Tenho curiosidade. Como você não sabia que estava usando Encantamentos, por que chamava pelos nomes dos seus ataques?"

"…uh."

"Mhm? Não consegui ouvir."

Neo, claro, tinha ouvido. Só queria provocá-lo e descongestionar o clima.

"Sou fã de anime. Para mim, era natural chamar os nomes das técnicas."

Um riso abafado veio do lado de fora da porta.

Neo e Kane olharam na direção da entrada do quarto.

Não conseguiam sentir ninguém lá fora.

Mas o barulho deixava claro que alguém estava lá.

"Parem de se esconder," disse Neo.

Não houve movimento.

"Entendo. Talvez queiram que eu visite seus sonhos à noite, já que estão fazendo isso."

"Não, não faça mais isso!"

A porta foi impulsionada para abrir de repente, e três pessoas quase caíram dentro

Calista, a mulher com a Habilidade de detecção de mentiras.

Alexander, o líder da equipe de defesa da cidade.

Edmund, o chefe da polícia da cidade e responsável por apagar a presença deles antes.

"Você não vai fazer isso de novo, né?" Calista agarrou a mão de Neo, o rosto vermelho de vergonha, os olhos quase lágrimas.

Kane normalmente daria uma risada.

Mas seu rosto também ardia de vergonha.

Alexander e Edmund não escondiam seus sorrisos ao olhá-lo.

Uma sensação sombria de pressentimento tomou conta do coração de Kane ao observar a expressão de soberba de Alexander.

"Não, por favor, não," disse Kane.

"Tudo bem." Alexander sorriu e fez um joinha. "Vou garantir que todo mundo saiba disso até amanhã. Especialmente seu fã-clube."

O rosto de Kane virou uma visão impressionante.

Neo sorriu ao assistir às traquinagens deles.

Apesar de tentarem esconder, ele podia ver os olhos encherem de lágrimas e os rostos chorosos.

Estavam morrendo de preocupação desde que Neo apareceu ensanguentado, com o braço desaparecido.

Edmund quase tinha atirado uma bala na cabeça de Kane.

Só pararam quando Neo interveio à força.

A atmosfera na sala voltou ao normal após alguns minutos.

Os quatro brincaram e conversaram.

Neo ficava exasperado, pois pareciam tratá-lo como um idoso à beira da morte.

Justamente então, Liliana apareceu na porta e bateu.

"Entre," disse Neo.

Alexander franziu a testa ao ver sua irmã.

Ela nunca tinha aparecido na frente de Neo antes, também muito tímida, a menos que fosse algo sério.

"Chegou uma carta da Associação dos Abrandadores," disse Liliana.

Ela passou a carta para Calista, que a rasgou e leu.

A expressão de Calista se contorceu.

"O que foi?" Neo questionou, embora já tivesse uma ideia. 'Demoraram seis meses. Estavam bem atrasados.'

"A Associação dos Abrandadores quer te encontrar. Ouviram falar de suas conquistas e estão enviando Mitos para te parabenizar."

"Entendi."

Calista não terminou sua fala.

Ela continuou,

"Os Abrandadores Apollo, Atena e Nyx chegarão à nossa cidade em poucos dias."

Neo assentiu.

Apesar de parecer calmo por fora, seus pensamentos trabalhavam a toda velocidade.

'Atena. A memória da Anomalia #33 me mostrou que o romance —

Filho de Zeus: O Ladrão de Raios

— foi escrito por ela.'

'Ela é a autora do romance que me forneceu todas as informações sobre o futuro.'

"Malditos bastardos."

A voz de Calista quebrou os pensamentos de Neo.

"Eles não nos ajudaram enquanto sofríamos, e agora aparecem. Para estabelecer uma conexão com o Prefeito porque ele é forte."

Ela sabia — todos sabiam — que a Anomalia #33 vinha ajudando eles.

Mas a mesma coisa não valia para a Associação dos Abrandadores.

Na visão deles, os cidadãos de Arzew estavam sendo torturados sob o regime do monstro.

Porém, nunca haviam ajudado, deixando a cidade por conta própria.

Kane, Alexander, Edmund e Liliana, sempre otimista, tinham a mesma impressão.

Expressões sérias os dominavam.

O dia passou sem grandes incidentes após a chegada da carta.

Os monstros de estátua atacaram novamente à noite.

Neo queria enfrentá-los.

Mas Kane e os demais não aceitavam.

Eram prontamente dispostos a amarrá-lo na cama, se isso fosse o necessário para obrigar Neo a descansar.

Veio a manhã seguinte.

Neo saiu de sua residência após o café da manhã.

Enquanto caminhava pelas ruas movimentadas, sorrisos calorosos e cumprimentos alegres o saudaram a cada passo. Comerciantes ofereciam suas melhores iguarias, e famílias o convidavam calorosamente, suas boas vindas repletas de gratidão e admiração.

"Prefeito! Gostaria dessas tortinhas…"

"Senhor Prefeito, preparei algo…"

Os gestos deles aqueceram o coração de Neo.

Ele via as preocupações nos olhos deles ao olharem para seu braço desaparecido.

Seguiu em direção ao seu escritório, passando pela biblioteca na Avenida da Rua 13.

Percebeu que as pessoas ao redor dela estavam nervosas.

O clima ao redor parecia tenso, com sussurros nervosos e olhares desconfiados trocados entre as pessoas próximas.

A biblioteca foi construída por ordem de Neo em homenagem à Anomalia #33.

Alguns cidadãos apoiaram a criação, enquanto outros foram contra.

A Anomalia #33 os protegia, de fato.

Mas estar sob o controle de alguém por anos não era uma boa lembrança, mesmo que fosse feito para ajudá-los.

Embora não apoiassem totalmente a criação da biblioteca, não criaram muita resistência quando Neo pediu pessoalmente que deixassem construir.

Por teimosos, sentiram-se em dívida com ele e aceitaram.

Depois de uma breve passagem pela cidade, Neo entrou no prédio do gabinete do prefeito.

Foi imediatamente recebido por Calista, que batia o pé direito no chão, com olhar fixo nele.

Liliana estava atrás de Calista, com a cabeça baixa, tímida demais para olhar nos olhos de Neo, mas querendo impedir que ele entrasse.

"Por que você veio aqui?" perguntou Calista.

"Porque este é o meu escritório."

"Entendi." Calista sorriu. "Guardiões. Por favor, acompanhem o senhor Prefeito para fora. Ele está proibido de trabalhar por um mês."

Os guardas apareceram a seu comando.

Eles olhavam para Neo com expressões apologéticas.

"Ao menos, me diga por que estou sendo expulsado?"

"Olhe para seu braço!"

"Mas não é realmente um problema—"

Calista interrompeu.

"Você acha que não sabemos que você sai escondido toda noite para treinar?! Foi isso que te levou a—"

Neo assentiu várias vezes, ouvindo a reprimenda por mais meia hora.

Ele se arrependeu de fazer a pergunta.

Ao sair do prédio do gabinete, suspirou.

"Estão me tratando como uma criança."

Fisicamente, Neo parecia um adolescente.

Ele tentara explicar que era mais velho do que aparentava, e eles tinham concordado na época.

Mas, ao ver a reação de Calista hoje, ficou claro que achavam que ele mentia sobre sua idade.

Neo sorriu.

Ele podia perceber que Calista ficou irritada por causa dele.

Não era um sentimento ruim.

Enquanto passeava pela cidade na pausa, três presenças poderosas entraram em seu campo de visão.

"Eles chegaram."

Neo inclinou o copo de café e saiu, caminhando em direção aos portões da cidade.

Sintonia Kane e Alexander encontrando Apollo e outros na entrada.

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