Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 219

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Como seu domínio havia diminuído, ele não conseguiu controlar a Morte para afetar apenas os monstros.

Alguns edifícios foram pulverizados.

A destruição foi absoluta—estruturas reduzidas a escombros irregulares.

Suas silhuetas imponentes não passavam de montes indistintos de poeira e metal torcido.

Parede de concreto estavam rachadas e estilhaçadas, e janelas quebradas em fragmentos brilhantes espalhavam-se pelo chão.

O ar estava pesado com uma poeira sufocante.

Neo estalou os dedos e o relâmpago vermelho que permanecia nas ruínas correu em sua direção.

Ele começou a absorvê-lo.

Elementais da Morte não podiam ser convertidos de volta em Energia Divina.

Porém, ele podia armazenar os elementais da Morte dentro de si mesmo.

Era como guardar gasolina dentro de um tanque.

No momento, três anéis vermelhos feitos de elementais de Morte altamente comprimidos cercavam o coração de Neo.

Nos últimos seis meses, ele absorvia todos os elementais de Morte usados após o fim de cada batalha.

Precisava fazer isso, já que não tinha como recuperar Energia Divina dentro do Mundo das Sombras.

Após absorver tudo, ele pulou do muro e aterrissou fora da cidade.

Kane, confuso, o seguiu.

"Pra onde estamos indo?"

"Só vem comigo."


Poucos minutos depois, Neo e Kane estavam em uma área deserta.

"Você tem treinado nos últimos meses," Neo de repente disse, assustando Kane.

"Sim."

"Quão forte você acha que ficou?"

"Bastante forte, acho. Por que pergunta isso?"

"Vamos lutar. Quero ver como funciona a sua característica, e isso também vai ajudar no seu treino."

O rosto sorridente de Kane ficou rígido.

Ele inconscientemente recuou alguns passos.

"Não," ele falou firmemente. "Eu não gosto de levar uma surra de um lado só."

Neo fez cara de cansaço.

"Para de drama."

'Você já está quase no meu nível. Tenho certeza que também sabe disso.'

Neo não disse o pensamento em voz alta.

Alguém que despertou há apenas seis meses era quase tão forte quanto ele.

Curiosamente, saber do talento de Kane deixou Neo animado.

Isso deu a Neo um alvo para superar.

'Superar um gênio. Será que é assim que se sente?'

Ele sorriu.

Desde o dia em que decidiu se tornar o mais forte, Neo estava preparado para lutar contra gênios considerados talentos de uma era.

Eles eram um obstáculo na sua jornada que ele estava determinado a conquistar.

Ao ver a expressão ansiosa de Kane, Neo balançou a cabeça.

'Acho que ele tem tanto talento quanto o Jack. Talvez um pouco menos, mas próximo ao nível dele.'

Isso era um grande elogio vindo de Neo.

Quando entrou na academia, Jack era bastante fraco, mas agora era tão forte quanto os estudantes do top 25.

'Um Necromante vive da morte e do desespero dos outros. Jack conseguiu evoluir assim sem ter nada que o ajudasse a crescer como Necromante.'

'Se Jack tivesse acesso ao Submundo como eu, teria chance de superar Morrigan.'

O Mundo das Sombras era uma oportunidade para Jack.

Ele podia lutar contra monstros e matar criminosos na catástrofe sem que ninguém o julgasse.

As mortes e massacres ajudariam a aumentar seu domínio sobre os elementos Morte e Trevas.

'Só espero que ele não seja dominado pelas Trevas.'

Talento era importante.

Mas sem Força de Vontade, era impossível treinar o elemento Trevas.

"Vamos lá. Comece logo."

"...Tudo bem."

Kane desembainhou a espada a pedido de Neo.

Hoje era a primeira vez que eles iam lutar.

Ele estava nervoso e ao mesmo tempo empolgado.

"Neo, sei que parece pretensioso, mas…."

Kane engoliu a saliva.

"Não baixe a guarda. Ou vai morrer."

"Entendido."

Kane levantou a espada acima da cabeça.

"Postura sétima—"

Kane respirou fundo e expirou.

"Tenraizen."

Sua espada brilhou num movimento descendente, atingindo direto o ombro de Neo.

...

Rio de Janeiro, Brasil, Mundo das Sombras do Passado

Dios Kingsley – Zeus – estava deitado relaxadamente na praia.

Seus olhos fixavam o horizonte.

"Quanto tempo até o contato?"

"Duas semanas, segundo nossas estimativas," respondeu o homem que estava atrás dele.

Zeus assentiu.

Seus lábios se abriram, e ele falou:

"Ele é um sujeito bem azarado. Tentando escapar do país usando um navio, e acaba acordando no meio do oceano."

"De fato, a característica do homem o fez ficar enorme. Salvou sua vida e o tornou grande o suficiente para atravessar o oceano, mas…."

"O cérebro humano não foi feito para sustentar um corpo de tamanho tão grande."

O homem suspirou.

O Gigante chegaria ao Rio em algumas semanas.

Zeus tinha vindo encontrá-lo. Ou assim era a razão oficial de sua visita.

Mas o homem sabia por que Zeus estava ali, no Rio, no território dos Titãs.

Justamente então, o dispositivo do homem vibrava.

Ele o abriu e leu a mensagem.

Suas sobrancelhas franziram.

"O que foi?" perguntou Zeus.

"É a mensagem de Apolo. Ele está saindo em uma missão com Atena e Nix."

"Hm." Zeus assentiu. "Para onde eles vão?"

"Para a Argélia."

"Acho que podemos encontrá-los se tudo seguir o cronograma."

Zeus fez uma boca, tentando parecer casual.

"O que aconteceu com o cara que Apolo estava procurando? Acho que ele disse que o homem que viu nas visões era importante para localizar a Criança de Mana."

"Ah, Neo Hargraves. A Ares suspendeu a missão de procurá-lo."

"Aparentemente, não há pessoa chamada Neo Hargraves. Gaia disse que não conseguiu encontrar o Destino de ninguém com esse nome."

"Entendi…."

Ele ficou em silêncio.

Seu olhar voltou ao horizonte.

As palavras do bastardo Aides Hargraves, marido de sua irmã, ecoaram em sua mente.

'Nós nos encontraremos novamente, Dios.'

Normalmente, Zeus pensaria que Aides estava falando besteiras na porta da morte.

Mas o apocalipse complicava as coisas.

'Aides voltará.'

Zeus tinha certeza disso.

'Pensei que Neo Hargraves fosse relacionado ao Aides por terem o mesmo sobrenome, mas acho que estava pensando demais nisso.'

Só porque tinham o mesmo sobrenome não significava que eram parentes.

Zeus havia se agarrado a qualquer fio de esperança.

Porém, com a confirmação de Gaia de que Neo Hargraves não existia, o último fio desapareceu.

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