Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 185

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Neo caminhou em direção ao portão da academia.

Percebeu a multidão esperando por ele, e franziu a testa.

'Devo chamar alguém para me buscar?'

Justo quando pensava nisso, um sedan preto entrou na área da academia.

Parou bem na sua frente.

A porta se abriu, e uma figura familiar saiu do carro.

"Saudações, jovem mestre."

"É bom te ver também."

Neo acenou com a cabeça, reconhecendo a saudação do mordomo.

Ele se perguntava se seu irmão havia enviado o mordomo, sabendo que precisaria dele.

O mordomo fez uma reverência antes de abrir a porta do carro.

Neo entrou acomodado.

Ele se deixou levar pelo assento de couro macio do carro luxuoso.

A viagem suave o deixou com preguiça.

Seus olhos começaram a ficar pesados.

O cansaço de dias de batalhas pesava sobre ele.

O mordomo, uma figura estoica, sorriu ao ver Neo lutando para manter os olhos abertos.

Ele dirigiu silenciosamente pelo portão da academia.

Periodistas agitavam câmeras e microfones, com gritos entusiasmados.

Os barulhos ajudavam Neo a manter-se acordado.

Ele focou neles.

"Neo! Neo Hargraves! Aqui!"

A multitude de vozes fez Neo olhar para o lado.

"Neo Hargraves, obrigado por nos salvar! Minha filha e eu estávamos..."

"Imortal Matador da Morte! Imortal Matador da Morte!"

"Estamos ao vivo direto da porta da Academia dos Semideuses!"

"O Soberano Divino saiu sem obstáculos! A Audiência do Senado..."

"Desf spoliante do Imortal! Desf spoliante do Imortal!"

Os gritos eram todos direcionados a ele.

"Desf spoliante do Imortal?"

Neo fez uma careta.

"Quem me deu esse apelido?"

"O título foi dado a você quando matou o Minotauro, jovem mestre."

O mordomo sorriu com gratidão.

Neo ficou mais cabreiro ainda.

"Não podiam me chamar de algo mais simples? O Soberano Divino já basta. Desf spoliante do Imortal é exagero."

Apesar de reclamar, uma estranha sensação de orgulho crescia dentro dele.

'Sinto que me tornei uma celebridade local.'

Não podia negar que essa sensação era viciada.

O carro deu uma sacudida e o mordomo conduziu habilmente entre a multidão.

Foram se aproximando lentamente da residência Hargraves.

Levou algumas horas para chegarem ao destino.

....

Neo fechou os lábios ao ver a mansão.

Ele já tinha visto fotos do local, claro.

Mas experimentar pessoalmente era completamente diferente.

Seu coração acelerou.

A compreensão de que era a primeira vez que voltava para casa como Neo Hargraves o deixou meio zonzo.

"Lar."

Repetiu as palavras, sentindo uma mistura de familiaridade e estranheza.

O mordomo entrou na entrada da garagem.

Os enormes portões de ferro da mansão se abriram.

Os jardins meticulosamente cuidados e os caminhos ladeados por flores luminescentes de ambos os lados surpreenderam Neo.

'É bonito.'

'Parece que estou entrando em um castelo.'

O mordomo estacionou o carro na frente da mansão principal.

Ele abriu a porta para Neo.

Neo hesitou por um momento.

Inspirou fundo para se acalmar e saiu do carro.

Uma mochila descansava sobre seu ombro.

Antes de voltar para casa, Neo refletira sobre o que fazer com o objeto dentro da mochila: Tridente de Posidão.

Tentava encontrar uma maneira de usar a arma.

Era poderosa demais para um semideus de seu nível.

Mas, mesmo assim, a arma era útil demais para ficar morrendo de inutilidade no seu quarto.

Depois de pensar bem, decidiu que iria trazer o tridente para casa.

Neo saiu do veículo.

Percebeu uma pequena multidão do lado de fora dos portões principais da mansão Hargraves.

Eles eram os moradores de Cidade Greenwood que ele salvou ou seus fãs.

Vieram para torcer por ele, para comemorar seu retorno.

Neo desviou o olhar dos portões para a mansão.

Notou seu irmão, Henry, parado logo do lado de fora das portas duplas enormes da casa.

Ao lado dele estavam os amigos: Jack, Nathan, Arthur, Felix, Mars, Sean e Clara.

As expressões do grupo variavam — de preocupação a alívio, passando por ansiedade.

Antes que Neo dissesse algo, notou o olhar de Henry.

Seu irmão estava observando a mochila com atenção.

'Será que ele consegue ver o que tem dentro?'

A ideia lhe atravessou a cabeça com um leve incômodo.

Um lampejo de incerteza surgiu em sua mente.

'Devo mostrar o tridente para ele?'

O tridente era uma das poucas armas capazes de ferir Neo.

E também poderia fazer mal a Henry.

'Ele vai querer saber onde eu consegui isso.'

Neo sacudiu a cabeça para afastar o pensamento.

Mantendo uma expressão neutra, ele se aproximou da família e dos amigos.

"Oi, pessoal," disse, tentando parecer casual.

"Neo!" Jack se lançou na direção dele, com sobrancelhas franzidas. "Você nos deixou assustados! Está tudo bem? Você não se machucou, né?"

"Estou bem," respondeu Neo, com as palavras treinadas escapando naturalmente. "Não fiquei muito ferido durante o incidente."

"Não muito ferido?"

A voz de Clara se elevou, surpresa.

"Você enfrentou aquela horda de monstros sozinho! Ainda entrou na Janela sozinho depois disso!"

"É preciso uma equipe de Semideuses Míticos para limpar uma Janela de rank Tigre!"

"E mesmo assim, leva semanas! Você conseguiu em uma semana só!"

"Como não saiu machucado depois de tudo isso?!"

Sua preocupação excessiva surpreendeu Neo.

Seguindo a sequência, elogios e reclamações de outros surgiram.

Felix e Jack o elogiaram.

Arthur tinha uma expressão preocupada, feliz por Neo estar são e salvo, mas não podia aprovar uma tentativa tão imprudente.

Neo sorriu por dentro.

Embora não demonstrasse, apreciava a preocupação deles.

Ele lançou um olhar para Henry, que ainda encarava a mochila com atenção.

A tensão era quase palpável.

Neo percebeu que seu irmão tinha perguntas.

Optou por ignorar por ora, para não piorar a situação.

"Então, o que vocês estão fazendo aqui?" Neo perguntou, desviando o foco de si mesmo.

"Queríamos te dar as boas-vindas de volta—"

"O que aconteceu realmente lá fora? A mídia está enlouquecida com especulações. Estão te chamando de herói, mas..."

Arthur avançou, interrompendo Mars.

Ele não podia mais ignorar a questão.

"Mas o quê?"

"Mas por que você fez isso? Você não tinha obrigação de salvar ninguém."

"Defender uma invasão de uma Janela não identificada é suicídio."

"Sei que queria salvar os civis, mas em situações assim, precisa pensar bem—"

"Você teria recuado se estivesse no meu lugar?"

"...."

A boca de Arthur se fechou quando Neo lhe fez uma pergunta, ao invés de uma resposta direta.

"Pelo menos, não entraria na Janela sozinho," respondeu finalmente, sentindo que suas palavras pareciam insuficientes.

"Eu pediria ajuda aos aventureiros ou esperaria reforços."

"Entendi," disse Neo.

Ele tinha suas razões para ter entrado na Janela sozinho.

Não arriscaria mostrar a semente das Trevas, cultivada pelo Necromante, a mais ninguém.

Arthur ficou sem palavras.

A pergunta de Neo o fez perceber que vinha agindo como hipócrita de novo.

"Vamos entrar," sugeriu Felix.

O grupo entrou na mansão.

Um hall grandioso os recebeu.

Era decorado com lustres deliciosamente elaborados que refletiam luz brilhante sobre os pisos de mármore.

As paredes eram adornadas com retratos de ancestrais severos, e o ar tinha uma vibração desconcertante de familiaridade.

Neo não pôde deixar de se impressionar novamente com a opulência.

Depois de se acomodarem na espaçosa sala de estar, Neo colocou a mochila em uma mesa próxima.

Sentiu o olhar de Henry penetrando nele.

'Ele realmente está irritado.'

'Claro que está. Estou carregando uma bomba nuclear, uma bem perigosa para mim.'

'Aposto que quer saber o que passou na minha cabeça ao trazer uma arma assim sem nenhuma segurança.'

A sala fervia com conversas.

Seus amigos queriam saber o que aconteceu dentro do Labirinto e da Janela.

Neo contou sua experiência para eles.

Ao mesmo tempo, sua mente fokusava em outro tópico.

'Será que tudo vai ficar bem com Elizabeth?'

'Sei que ela é forte, mas estou correndo um grande risco ao pedir para se encontrar comigo amanhã.'

Finalmente, Henry não se conteve mais.

"Neo, o que tem naquela mochila?" ele perguntou, com tom baixo mas firme.

"É algo que encontrei ao longo do caminho."

"Ao longo do caminho?"

"Sim, achei numa loja bacana voltando para casa."

Henry estreitou os olhos.

Sabia que a resposta era uma grande mentira.

Henry abriu a boca para insistir, mas Neo levantou a mão para impedí-lo.

"Depois a gente conversa."

Raro Neo fugir assim de perguntas.

A atmosfera mudou quando o silêncio tomou conta da sala.

Todos perceberam que algo estava errado na conversa entre Neo e Henry.

Porém, ninguém perguntou nada, sabendo que seria deselegante se intrometer na história da família.

"Vamos falar de outra coisa," Neo desviou o assunto abertamente. "Como estão tudo na academia? Alguma novidade boa?"

A conversa seguiu.

Todos ficaram felizes por dispensar aquele clima tenso e silencioso.

Logo, risadas e histórias preencheram o ambiente.

Jack contou como tinha tentado aumentar o número de invocações que podia fazer ao mesmo tempo.

Sean revelou que tinha despertado o elemento Tempo.

Enquanto ouvia, o olhar de Neo voltou à mochila.

O que ele deveria fazer com o tridente?

Passou inúmeras noites refletindo sobre isso.

Por fim, decidiu arriscar tudo.

***

Sede da Starstream News

Uma discussão acalorada acontecia dentro do movimentado escritório de notícias da estação local.

Repórteres se agrupavam, falando com empolgação e ambição.

"Você viu as imagens do incidente em Greenwood?" Gwen exclamou.

Seus olhos brilhavam de entusiasmo.

"Neo Hargraves é uma sensação! Temos que aproveitar isso!"

"Com certeza," concordou Karl, rabiscando notas freneticamente. "Mas o que vai fazer uma manchete maior? O leilão da arma ou a descendência do Neo?"

Sussurros de concordância se espalharam pela sala.

"O leilão é para divulgar a nova série de armas da Hargraves. Todo mundo já está focado nisso."

"Melhor pra gente fazer a manchete do Neo Hargraves, ao invés de tentar acompanhar o que todo mundo já está fazendo."

Gwen assentiu.

Ela compartilhou seus planos com os colegas repórteres.

"Neo é filho da família Hargraves — uma família com laços profundos com o antigo Clã Hefesto."

"Todo mundo acredita que a linhagem deles vem do Deus Supremo Hefesto."

"Claro que não há provas concretas, faz tempo que nenhum semideus nasce na família Hargraves."

Ela continuou.

"Enfim, minha teoria é que Neo Hargraves tem a linhagem do Deus Hefesto."

"Porém, as afinidades dele dizem outra coisa."

"Ele não parece ter afinidade com metal nem com fogo."

O entusiasmo de Gwen era palpável.

"Qual será a linhagem de Neo Hargraves?"

"Com base nas afinidades, definitivamente ele não é descendente do Deus Hefesto!"

"Isso pode render uma matéria excelente para nossas reportagens!"

Seus comentários receberam acenos satisfeitos dos colegas.

"Boa manchete."

"Mas precisamos ser cautelosos," alertou um repórter mais velho. "Ele ainda é um talento em desenvolvimento, e o leilão é um evento importante. Focamos nele, e damos uma vendinha para o Neo."

Os demais concordaram.

Por mais que a linhagem de Neo fosse importante, ela não podia passar do evento do leilão.

***

Mansão Hargraves

Neo recostou na cadeira, pensativo.

Risadas ecoavam pelas paredes, mas seu coração permanecia pesado.

Continuava pensando no plano envolvendo o tridente.

Era simples.

Porém, tinha medo de Henry discordar.

'A coletiva é amanhã também.'

O dia seguinte traria a coletiva de imprensa, e com ela, mais atenção do que ele gostaria.

Neo precisaria enfrentar os meios de comunicação.

Seria confrontado com perguntas inevitáveis sobre sua linhagem e sua nova fama.

'Lucas tentou me matar por causa da minha linhagem. Ainda não sei exatamente o motivo.'

'Existe uma pequena chance de outros Clãs também virem atrás de mim, quando descobrirem minha linhagem.'

Ele olhou para Henry, que ainda o observava com uma intensidade que fazia seu estômago revirar.

Felizmente, Henry parecia se conter, segurando as palavras de insulto por causa da presença dos amigos.

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