Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 186

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Eles almoçaram.

Neo estava prestes a sair para o treinamento quando o mordomo apareceu.

— Mestre Henry está chamando você, jovem mestre.

— Entendido. Já vou aí.

Ele se virou para os amigos.

— Vejo vocês à noite—

— Há algo de que precisamos falar com você—

— Certifique-se de voltar, não vá treinar em algum lugar deixando a gente para trás—

Jack falou, com um olhar sério.

Os demais seguiram a mesma expressão.

Neo não entendia do que se tratava, mas concordou com um aceno de cabeça.

Ele passou pelo corredor da mansão e parou na porta do escritório de Henry.

Antes que pudesse bater, ouviu a voz de Henry vindo do outro lado.

— Pode entrar.

Ele entrou na sala.

Era luxuosa e grande.

O escritório, imponente e espaçoso, tinha móveis de mogno escuro, poltronas de veludo, estantes que iam do chão ao teto repletas de livros e uma lareira de mármore.

Uma iluminação quente e ambiental iluminava obras de arte opulentas e uma mesa ampla e polida.

Neo se sentou na cadeira em frente à mesa.

Henry o olhou fixamente por alguns segundos.

— Há algo que você queira dizer?

— A academia—

— Me diga o que havia na bolsa—

Neo franziu a testa.

— Então chegou a esse ponto—

Ele não podia mais evitar.

— A réplica do tridente de Poseidon.

— Quem te deu isso?

— A imperatriz tirana falecida.

— A 'falecida' Imperatriz Tirana?

Henry se inclinou para frente, com os olhos ardendo de fúria.

— Aquela vadia se importa mais com aquela arma do que com a própria vida.

— Não há jeito dela entregar para alguém, nem mesmo na cama de morte—

— Como você sabe da existência da arma? Eu achei que ninguém soubesse—

— Não tente mudar de assunto, seu sem-vergonha—

— …

Neo fitou seus lábios comprimidos.

— Ela deu como presente comemorativo para a Amélia e minha…

— Bebê?

— Sim, aquela coisa.

Henry lançou um olhar sério e desanimado para Neo.

— Vai ficar usando essa desculpa o tempo todo?

— Não é uma desculpa, na verdade—

— Posso ligar para a filha daquela vadia e pedir um parecer médico—

— Duvido que ela te escute depois de como insultou a mãe dela—

As palavras de Neo ficaram presas na garganta quando Henry pegou o telefone.

Ele abriu o aplicativo de mensagens e mostrou a Neo.

— Isso…

Neo olhou as conversas entre Henry e Amélia.

— Vocês conversam entre si. Isso… Eu achei que você odiava a Tirana e a filha dela—

— Olhe bem as mensagens, idiota—

> Amelia de Beaufort <

Amélia: Irmão, o Neo voltou a treinar como um louco depois que saiu da janela.

Amélia: Irmão, queria te dar um presente…

Amélia: Irmão…

> Amelia de Beaufort <

Os olhos de Neo ficaram mais cerrados ao ler as conversas.

Amélia tratava Henry como um irmão mais velho.

O pior é que todos os tópicos de conversa giravam em torno de Neo.

Henry também não estava melhor.

— Ela não é tão teimosa quanto a mãe vadia e tem uma personalidade boa.

— Não odeio pessoas assim—

Desta vez, Neo lançou um olhar sério e descontente para Henry.

Personalidade boa?

Vocês dois só falam de mim!

Filhos de uma piruja!

Neo sabia que Henry se importava mais com ele do que com a própria vida, e Amélia não queria vê-lo sendo machucado depois de crescerem próximos.

Mesmo assim, ele desejava ter alta maestria no tempo para poder voltar no tempo e impedir-se de ler aqueles chats malditos.

Pareciam dois fãs falando do seu ídolo favorito.

— Que se dane—

Neo colocou o dispositivo de Henry de volta na mesa.

— Eu tenho o tridente porque pedi em troca de salvar a rainha.

— Mesmo não tendo conseguido salvá-la, ela ainda me deu—

Neo esperava que Henry contestasse sua mentira descarada.

Ambos sabiam que Elizabeth não entregaria o tridente por uma razão tão simples.

Henry se recostou na cadeira.

Ele fixou o olhar em Neo, perdido em pensamentos, enquanto batia os dedos no braço da poltrona.

— Como você soube da existência do tridente de Poseidon?— questionou Henry.

— …

Neo permaneceu calado.

Henry não insistiu em que ele respondesse, e perguntou outra coisa.

— O tridente possui a habilidade de matar imortais. É perigoso para você. Por que ainda não destruiu ele?

— Se o Senado ficar sabendo, fará qualquer coisa para colocar as mãos nisso—

— Eles estão desesperados para encontrar uma arma que possa matar um Imortal—

Henry explicou.

— Já sabem da minha imortalidade?

Neo fingiu surpresa.

— Não subestime-os. O Senado é uma reunião dos Demigods mais fortes.

— Não há muitas coisas que eles não sejam capazes de fazer—

Henry continuou:

— Agora, diga: por que você não destruiu o Tridente e trouxe ele para casa?

— Quero passar por reforço de Exosqueleto—

— …!

Pela primeira vez, Henry ficou surpreso.

Sua expressão virou de fúria indignada.

— Acho que não ouvi direito. Repita o que disse—

— Quero passar por reforço de Exosqueleto—

Henry acertou o punho na mesa e encarou Neo com raiva.

— Você sabe o que está dizendo?!

— Essa arma é forte demais para você.

— Se tentar tocá-la, ela vai te matar, e você quer se reforçar?!

— A Hargreeves Corporation deve ter métodos para limitar o poder dela até eu estar forte o suficiente para usá-la plenamente—

— Sua louca do inferno!

Henry parecia prestes a explodir a qualquer momento.

— Mesmo assim, ela possui a habilidade de matar Imortais. É perigosa demais para você. Uma única cagada, e você morre!

— Ela vai acabar com você, um imortal, se não for compatível! Sua doida—

— Irmão…

A boca de Henry se fechou ao ouvir Neo chamá-lo de "irmão".

Ele não se lembrava da última vez que Neo tinha dito aquilo para ele.

— Não tenho talento—

Neo hesitou em revelar sua fraqueza, mas sabia que precisava fazer isso para conseguir a aprovação de Henry.

Além do mais, estava tudo bem em o Henry saber a verdade.

— Parece que tenho um talento celestial, mas é exatamente o oposto—

— Já visitei o submundo. Foi suficiente para fortalecer minha Aura da Morte—

— Ainda assim, há pessoas na minha faixa de idade que, apesar de não terem essa vantagem, conseguem competir com minha Aura—

— Passei centenas de anos aprimorando meu domínio na Escuridão—

— E mesmo assim, estou apenas no nível de Mestre.

Neo deu uma risada amarga.

— Rank 3, Ano 2, Academia de Demigods, Eric Garland. Ele tem um ano a mais do que eu e domina mais a Escuridão.

— Nem falando nele, há várias pessoas que conquistaram domínio maior com apenas algumas décadas de treino—

A expressão de Neo ficou mais séria.

Falar tudo em voz alta fez ele perceber o quão fraco era.

— Passei anos regredindo, devorando monstros, me fortalecendo—

— E ainda sou apenas um Demigod Mítico de Grau 5—

— Sabe, Morrigan? Tenho certeza de que ela já é quase uma Demigod Mítica de Grau 5 ou está perto disso—

O coração de Neo disparou.

Ele teve que reprimir o tremor nas mãos.

Sintia-se… exposto.

— Repetindo os mesmos dias, meses, anos… até perder a conta—

— Fiz tudo o que pude e ainda não sou o mais forte da Academia—

— Há estudantes do segundo ano mais fortes do que eu—

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