
Capítulo 166
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
— Me sinto mais confortável com minhas roupas normais.
— Vai lutar de pijama e camiseta?
— Não vejo por que não poderia.
Elizabeth o encarou por um momento e balançou a cabeça.
Ela trocou de roupa e vestiu o traje de treino completo preto.
Ele se ajustava às curvas de seu corpo, que parecia prestes a explodir de tanta força.
'Ela tem um coração grande,' pensou Neo.
— Você encara todo mundo assim?
— Nem todo mundo.
Enquanto Elizabeth assumia a posição de combate, Neo verificava seu status.
[ Neo Hargraves ]
[ Rank: Mitico de Grau 5 ]
[ Pureza de Energia Divina: Mitico de Grau 2 ]
[ Atributos ]
﹂ Força: 107
﹂ Velocidade: 101
﹂ Destreza: 103
﹂ Constituição: 108
﹂ Sorte: 0
[ Afinidade: Morte, Sombra, Trevas, Vacuo, Água, Tempo ]
﹂Feitiço Mágico: Toque Necrosante, Abraço do Oceano, Respiração da Essência
[ Linhagem: Monarca da Morte ]
﹂Habilidade Única: Morte, Imortal, Eterno
[ Missão: Concluir o Treinamento de Barbatos (Parte 1), Concluído 3/5 ]
As estatísticas estavam boas.
Mas não eram suficientes para enfrentar um Demigod Exaltado.
— Por que estamos lutando novamente?
— Não se preocupe. Vou ajustar minha força ao seu nível.
— Não estou preocupado.
— Seus olhos dizem o contrário.
Neo cerrara os lábios.
— Vou ser derrotado?
— Por que eu bateria em você?
— Porque fiz umas coisas bem loucas?
Recuar até quase ser apagado pela Erosão era algo além de loucura.
Elizabeth decidiu agir com maturidade e não apontou isso.
Neo sentiu um frio subir pela espinha ao ver o canto dos lábios dela se levantar.
— Espera, a gente devia conversar—!?
Elizabeth desapareceu.
Neo se abaixou instantaneamente, e uma lança atravessou o espaço onde sua cabeça tinha estado segundos antes.
Seus sentidos alertaram-no de outro ataque próximo.
Ele estava prestes a ativar o Abraço do Oceano quando de repente um soco atingiu seu abdômen.
O golpe o deixou sem ar.
Toda a Energia Divina concentrada em seu núcleo se dispersou.
— Não use magias ou elementos. Apenas lute com sua espada. Quero ver suas técnicas.
— Você podia ter... dito isso... primeiro…
Neo estabilizou a respiração.
Elizabeth apontou a ponta da lança em direção ao coração dele.
Em vez de desviar, ele avançou em direção a ela.
Levou a mão esquerda para bloquear o ataque.
Sua espada era mais curta que a lança dela, mas poderia atacá-la caso sacrificasse o braço.
Elizabeth, sem querer machucar Neo, mudou de última hora o trajeto do ataque.
Aproveitando a oportunidade, Neo tentou um corte na garganta dela.
A espada passou por ela sem feri-la.
A figura de Elizabeth piscou.
Ela explodiu como um balão de água e molhou Neo.
'Droga! É um sósia!'
Neo vasculhou o ambiente.
Ele não conseguiu encontrar Elizabeth.
A água do chão tremeu e se transformou em cinco Elizabeths.
Neo recuou, mantendo uma distância das clones.
'A verdadeira deve estar escondida entre elas.'
Neo pensou rápido.
'Duvido que as clones tenham sede de sangue.'
'Deveria conseguir sentir a Elizabeth verdadeira usando minha afinidade por morte quando ela liberar sua sede de sangue…'
Neo ficou tenso.
A sede de sangue vinha de todas as clones.
Elas atacaram juntas.
Neo cortou a primeira Elizabeth ao meio.
Ela se transformou em água, e a água virou duas Elizabeths.
Seus movimentos só aumentaram o número de ela.
'Qual delas é a verdadeira!?'
Confuso, Neo segurou para não usar um ataque poderoso.
A Elizabeth não saberia o quão forte ele estava atualmente.
Mesmo que ela visse seu rank, não poderia perceber seus atributos extras obtidos através da Escuridão.
'Preciso pegar ela de surpresa. Só preciso de um segundo.'
Neo manteve seus sentidos atentos, até que de repente uma peça de metal frio tocou a parte de trás da sua cabeça.
— Você perdeu.
Elizabeth segurava a lança contra sua cabeça.
'Quando ela conseguiu se aproximar assim?'
Neo franziu a testa ao se virar.
'Então, era por isso que eu não a percebia.'
Ele percebeu seu erro.
'Ela nunca teve sede de sangue por mim.'
Neo voltou a pensar nos momentos anteriores.
Nem todas as clones irradiavam sede de sangue.
'Deveria ter ficado focado naquelas clones.'
Continuou refletindo sobre os fatores que levaram à sua derrota e no que poderia fazer melhor.
Era um hábito que adquirira em incontáveis batalhas.
Elizabeth abaixou a lança.
Ela lhe deu uma tapinha na testa.
— Foi uma luta boa.
— ... Você não precisa me consolar.
— Não estou te consolando. O primeiro ataque foi suficiente para derrotar Amelia. Você o evitou com facilidade.
Neo guardou a espada na bainha.
— Foi suficiente para um treinamento?
— Sim, estou satisfeito com seu progresso.
Ela sorriu — não aquela expressão assustadora que mostrara há poucos momentos.
— Como você se sente agora?
Neo fechou os olhos e avaliou seu estado.
Sua Energia Divina tinha sido dizimada quando Elizabeth deu o golpe.
De forma estranha, ele não estava exausto, mesmo com tão pouca Energia Divina.
'Deve ser o efeito de uma das magias dela.'
— Estou me sentindo... estranho,
respondeu Neo. — Estou recuperando minha Energia Divina usando a técnica de respiração.
— Mas o ar aqui está estranho.
— Tudo que está aqui entrando no meu corpo.
Elizabeth moveu a mão com um movimento rápido.
Um pequeno buraco apareceu no chão, e uma máquina esférica saiu dele.
Neo percebeu que as partículas estranhas no ar vinham da máquina.
— É uma unidade de armazenamento de Elementais. Atualmente, está emitindo Elemental de Tempo e enchendo o ambiente com ele.
— A quantidade de elemento de Tempo no cômodo está alta o suficiente para que um usuário de Tempo possa senti-lo.
— Mas ainda está num nível que alguém sem afinidade com Tempo não consegue perceber.
— O quê…?
O rosto de Neo se fechou.
— Se suas palavras forem verdade, então…
— Isso quer dizer que…
— Você despertou o Elemental de Tempo.
— Impossível, eu ainda não consigo controlar o Tempo.
Elizabeth balançou a cabeça.
— Pode ainda não ter percebido, mas a quantidade de Erosão sobre você é suficiente para matar qualquer Demigod de Grau Mitico.
— A única razão de você ainda estar vivo é porque despertou seu Elemental de Tempo.
....
Curiosidade #3
Neo não ficou triste nem com medo quando quase morreu na Masmorra.
Porque ele havia vencido a batalha contra o Minotauro.
A vitória era mais importante que a própria vida.
E, como já aceitara a Morte ao dominar seu elemento de Morte, a ideia de morrer numa batalha parecia algo normal para ele.