Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 97

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

A espada deslizou para fora da bainha sem resistência alguma.

Tinha uma lâmina curva de cor preta com textura preta coalhada que parecia puxar quem olhasse para ela.

"Um kodachi. Bem, é um pouco comprido para um kodachi."

A forma da espada era exatamente como as katanas eram representadas em seu mundo anterior.

'Tenho certeza de que o Obitus original era diferente.'

'A aparência mudou para se encaixar na minha preferência?'

Neo balançou a lâmina.

Ela encaixava perfeitamente na mão dele, o peso estava equilibrado, e ele podia sentir que seu controle sobre a Morte e a Escuridão tinha aumentado consideravelmente.

"Está tudo estranho…"

Seu controle de Energia Divina parecia ter melhorado.

Porém…

"Por que o Obitus está absorvendo minha Energia Divina?"

Neo virou a espada.

Algo mudou quando ele tirou o Obitus da bainha.

Ele não conseguiu identificar exatamente o quê.

De repente, Paimon abriu a boca.

"Como isso é possível?

"Por que seu Espírito consegue se conectar ao Submundo?"

As palavras dela fizeram as sobrancelhas de Neo se levantarem.

Ele percebeu o que estava errado.

"Meus atributos não estão mais suprimidos. O efeito negativo desapareceu."

Como um parente da Morte, ele era enfraquecido no mundo dos vivos.

Porém, isso não era mais o caso.

Neo guardou a espada na bainha.

O efeito negativo reapareceu e o Obitus deixou de absorver sua Energia Divina.

Seus braços e pernas ficaram pesados.

Como se estivesse usando sacos de areia nos braços.

"Que fascinante. Nunca vi nada parecido."

"Nem eu."

Neo encolheu os ombros.

Ele fez o possível para esconder o sorriso.

Depois de controlar sua empolgação e tirar uma soneca rápida, foi até o quarto de Leonora.

Bateu duas vezes na porta.

Não obteve resposta.

"Leonora, abra a porta."

Dessa vez, ele bateu e a porta se abriu.

"Não estava trancada."

Neo chamou por ela mais algumas vezes da porta.

Não houve resposta.

"Vou entrar assim mesmo?"

Ele pensou em não fazer isso, mas, de repente, ouviu um grito vindo do quarto.

Seus olhos se arregalaram e ele correu para dentro.

"Leonora! O que aconteceu!?"

"Eu… eu…"

Ela se virou para ele e…

Corpo Administrativo

Charlotte fechou o conjunto de documentos.

Ela esfregou os olhos com um suspiro.

"Tem algum problema, mestre?"

Elizabeth olhava para ela com preocupação escondida no olhar.

"O dono da Reserva de Fauna Mística fez uma reclamação contra a Equipe Umbra."

"Ele quer reembolso pela morte da Fênix."

A Fênix era uma das criaturas míticas mais raras.

Seu valor não podia ser medido apenas em dinheiro.

"E? O dinheiro é um problema?"

"Também é. Mas tem algo mais que não consigo entender."

"Para alguém com a personalidade dele, Derek está reclamando de forma bastante tranquila."

"Esperava que ele invadisse a minha porta ontem, mas só enviou uma carta."

Parecia que…

Ele queria minimizar o caso, sem fazer alarde.

Charlotte fechou os olhos.

Ela tentou pensar numa razão para as ações estranhas de Derek.

"Eliz, como está aquele garoto?"

"…?"

"Como ele age? É o tipo que põe os outros em risco pelos seus interesses ou—"

"Neo é gentil, galante e heroico."

Charlotte se calou repentinamente ao receber uma resposta rápida de Elizabeth.

"É minha culpa por perguntar assim."

"Sigh, cadê minha Eliz? Você parece ela, mas age como uma garotinha que teve seu primeiro amor."

"Minha Eliz nunca agiria assim."

Elizabeth desviou o olhar, incomodada com a acusação.

Charlotte se levantou e decidiu sair da sala.

Ela precisava de ar fresco.

Durante a caminhada, continuou pensando sobre as circunstâncias misteriosas envolvendo a missão de nível A de Neo.

"O garoto é esperto."

"Porém, ele não parece do tipo de matar uma fênix só por benefício próprio."

Seria possível que houvesse algo mais por trás das ações de Neo?

Por que ele mataria uma fênix inocente?

Ele até tentou proteger a própria fênix—

"…!?"

"Ele tentou proteger a fênix."

Charlotte repetiu as palavras.

"Como ele conseguiu ficar perto da fênix?"

"O pássaro deveria ter atacado assim que ele tentou se aproximar."

A fênix não era normal.

Ela percebeu que algo estava errado.

"Derek sabia disso? Por isso tentou encerrar o caso sem causar alarde?"

Uma premonição sombria percorreu o coração de Charlotte.

Seus olhos brilharam intensamente.

Seus sentidos se expandiram de forma descontrolada.

Ela podia ver tudo na academia com detalhes impressionantes.

Estudantes saindo escondidos entre as moitas, aulas em andamento, professores fofocando nas salas dos professores.

Ela focou na Reserva de Fauna Mística.

"Tsk."

"Ele fugiu."

Agora ficou claro para ela.

Derek estava tramando algo na reserva de vida selvagem.

Ele escapou na hora em que estava prestes a ser pego.

"Tessa, Talia, enviem uma equipe de investigação para a Reserva de Fauna Mística."

"Quero saber tudo o que Derek fez lá."

Duas bonecas de vestido de empregada apareceram atrás dela.

Elas se curvaram respeitosamente.

"Entendido, mestre."

As bonecas desapareceram, deixando Charlotte sozinha no longo corredor.

Ela suspirou enquanto olhava pela janela.

"Também foi coincidência?

Ou Neo sabia que Derek tinha algo errado e fez tudo isso para expô-lo?"

Impossível.

Neo, um calouro, chegou à academia há poucos dias.

Não teria tempo suficiente para descobrir algo sobre Derek.

Porém, as provas diante dela indicavam o contrário.

"Sigh… Espero que tudo não passe de um mal-entendido e que Derek não tenha feito nada."

Charlotte massageou as têmporas.

Ela começava a ter dificuldade em entender toda a extensão do plano de Neo.

Quarto de Leonora, Salão Serafim

Leonora quase jogou o controle na parede de raiva ao ver Neo.

Seu olhar vagou até as costas dele.

Ela notou a porta aberta.

"Por que você entrou na minha sala sem minha permissão?"

Em vez de responder, Neo fixou o olhar na tela da TV, onde escrito estava 'GAME OVER'.

'Será que ela gritou por ter perdido o jogo?'

Ele ficou sem saber o que pensar ao perceber o estado da sala.

Embalagens vazias de snacks e latinhas de refrigerante estavam espalhadas pelo chão.

As roupas dela estavam jogadas na cama e nas cadeiras.

A mesa, dominada por um monitor brilhante e cabos emaranhados, tinha várias caixas de jogos espalhadas e doses de energético pela metade.

"Uau."

"Estúpido," ela falou ríspida. "Primeiro você entra na sala de uma garota sem permissão e agora está mexendo em tudo."

"Você não tem nem um pouco de educação?"

Neo abriu a boca.

"Você acha que eu quis entrar nessa lixeira—"

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