Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 96

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

"Quero entender sobre emoções."

"...?"

"Sou um usuário de Trevas."

"Alguém que conheço me disse que consigo manter minha sanidade se entender as emoções."

Só depois de falar isso é que ele percebeu que suas palavras tinham baixado o clima.

Como usuário de Trevas, Neo estava condenado a se perder na escuridão.

Hoje…

Amanhã…

Ele não sabia exatamente quando aconteceria.

Não era uma questão de 'se', mas de 'quando'.

"Parece um bom plano", Jack sorriu de canto.

Ele falou para tentar aliviar o clima pesado.

Após o jantar, retornaram ao Salão Serafim e se separaram.

"A reunião de briefing para a missão de classificação S é depois de amanhã. Certifique-se de chegar no horário", Neo os lembrou.

Neo estava quase voltando para seu quarto quando viu Marte se calafetar ao sair furtivamente do alojamento.

"Para onde ele vai tão tarde da noite? Quase já é dia."

Ele o seguiu.

Marte parou no final de um pequeno penhasco.

Encostou-se na grade e observou o penhasco.

"Você pode sair agora."

"..."

"Sei que você está aí, Neo."

"…Quando você soube que eu estava te seguindo?"

"Desde o começo."

A resposta de Marte fez Neo sorrir amargamente.

Neo ficou ao lado dele.

Os dois ficaram olhando para a lua.

Ela logo desapareceria no horizonte e o sol iria nascer.

"Por que foi embora silenciosamente assim? Você podia ter nos avisado. Christian e Jack também gostariam desse lugar."

"Queria ficar sozinho. Mas—"

Marte deu uma risada baixa.

"Alguém aí não entende nada de privacidade."

"Desculpa."

Silêncio caiu entre eles.

O ar frio passou por Neo, arrepiando sua pele.

Ele exalou e esfregou as mãos para aquecê-las.

De repente, Marte abriu a boca.

"Você tem a linhagem de Hades. Isso quer dizer que consegue enxergar além do que os outros veem?"

"Como assim?"

"A Approaching Death. Você consegue enxergar isso?"

"…."

O silêncio de Neo respondeu mais do que deveria.

"Suspiro, você também deve ter visto a minha. Acho que nunca foi segredo pra você."

"…"

"Não me resta muito tempo."

"Meu coração está batendo na corda bamba do tempo."

Neo apertou ainda mais a grade, segurando com força.

Ele sabia.

Sabia há muito tempo.

Marte sorriu ao perceber sua expressão.

"Não precisa ficar assim."

"Aceitei minha morte. Meu único objetivo é superar o Supremo antes de partir."

"…"

"Suspiro, esse clima pesado definitivamente não é minha praia."

"Quero treinar e esquecer tudo. Acho que devo perguntar isso antes de voltarmos."

"…?"

Marte balançou a cabeça com um sorriso ao ver a expressão de dúvida de Neo.

"Eu me certifiquei de que você me viu saindo escondido."

"Não me diga que achou que tinha me visto por acaso."

"…"

"Então até você consegue fazer uma cara dessas."

"O que você quer perguntar?" Neo perguntou, tentando mudar de assunto antes que Marte apontasse mais seus defeitos.

"Quanto tempo me resta de vida?"

Neo fez uma careta.

Quanto tempo?

Sua maestria com a Morte não era suficiente para responder a essa pergunta.

No entanto, ele sabia a resposta.

"Dois anos."

"Entendo…."

"Marte, acho que você deveria—"

"Deveria perguntar ao Esfinge como prolongar minha vida, ao invés de como superar o Supremo?"

Neo fechou a boca quando Marte foi dizer o que tinha para falar.

Marte continuou.

"Posso fazer isso."

"Mas qual seria o sentido de viver assim?"

"Procurei nas bibliotecas e nos legados da minha família e do meu clã, e não encontrei solução que salvasse minha vida ou que me fizesse superar o Supremo."

"A Esfinge talvez tenha a resposta para ambos."

"Mas só posso escolher um."

Ele estendeu a mão para o nascer do sol.

"Prefiro brilhar intensamente como um grande fogo antes de morrer, do que passar a vida como uma vela de luz fraca."

Neo não podia pedir que Marte escolhesse a outra opção.

Porque ele mesmo estava fazendo o mesmo.

A escuridão logo o consumiria, e ele ainda assim a utilizaria.

"Não fale isso para os outros. Você é o único que sabe disso."

Neo assentiu.

Ele virou-se e olhou para a floresta ao redor.

Quando Neo virou-se, Jack se assustou.

'Ele sabe que estou aqui?'

'Não, isso não pode ser possível.'

Marte não tinha como sentir sua presença enquanto se escondia na sombra, e Neo era fraco demais para encontrá-lo.

Jack os seguiu ao ver Neo espionando Marte.

Por pura curiosidade.

Nunca imaginou que descobriria um segredo tão grande.

'Marte vai morrer…?'

Jack ficou tão atônito que não conseguiu pensar em mais nada.

Apesar do pouco tempo que passou com Marte e os outros, tornou-se amigo deles.

'Não quero vê-lo assim.'

Era evidente que Marte escolheria sua força ao invés da própria vida ao encontrar Sphinx.

'Devo usar minha resposta por ele?'

Jack mordeu os lábios.

Ele carregava responsabilidades demais para jogá-las fora por um amigo que conhecia há menos de uma semana.

Não podia colocar Marte acima de suas próprias necessidades.

Mas….

'Droga.'

Jack desejou não ter seguido Marte e Neo.

Neo voltou com Marte ao Salão Serafim.

'Desculpe, Jack. Mas essa foi a única maneira.'

'Não posso deixar Marte morrer, e não posso abrir mão da minha chance.'

Neo sempre soube que Marte o estava provocando ao sair furtivamente do Salão Serafim.

Como podia supor a razão, garantiu que Jack os acompanhasse.

Não foi difícil de fazer.

E os resultados foram favoráveis a ele.

'Vou resolver seus problemas, Jack. Então, por favor, ajude Marte desta vez.'

Neo odiava manipular seus amigos.

'Se possível, não quero fazer isso novamente.'

Porém, sabia que era melhor não apostar suas esperanças no futuro.

Ao voltar para seu quarto, Neo olhou para o nascer do sol através da janela.

"Não posso ir encontrar a Leonora tão cedo de manhã."

"Será que devo tirar um cochilo rápido para passar o tempo?"

Ele estava cansado.

Era melhor descansar e voltar ao seu estado de pico, já que a missão de classificação S começaria no dia seguinte.

"Missão de classificação S… acho que devo tentar recrutar a Morrigan novamente."

"Sem ela, o poder de combate do grupo cai pela metade. É muito perigoso."

Embora Leonora estivesse com eles, ela era preguiçosa demais para lutar.

Justo quando ia dormir, sentiu uma presença crescente dentro de sua mente.

"Obitus!?"

Neo se sentou de repente.

Pegou sua espada.

Arcos vermelhos tênues serpenteavam ao redor da bainha, e pequenas chamas condensadas brilhavam na lâmina.

"Obitus…? Você está acordado?"

Não houve resposta.

Neo segurou o punho da espada.

Estava completo.

Ou pelo menos era isso que ele sentia.

"Vamos tentar."

Ele tentou puxar a lâmina da bainha.....

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