
Capítulo 69
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo não conseguiu entender.
Como ele sobreviveu à Escuridão se não criou uma Semente de Escuridão?
“Será que Obitus me salvou?”
Foi a única resposta que conseguiu pensar.
Ele olhou para a espada.
“Obitus, o que aconteceu naquela época?”
Não havia resposta.
O espírito da espada jazia adormecido.
“Deve ter consumido muita energia para me ajudar naquela época,” Neo sorriu. “Obrigado.”
Emoções estrangeiras surgiram dentro de sua cabeça.
Felicidade, Prazer, Alegria, Orgulho.
Obitus não podia falar.
Mas podia ouvi-lo.
Neo sorriu ao ver o quão feliz o Espírito ficou após ouvir seus elogios.
“Agora, então, devo esperar o Imortal reorganizar as coisas ou retornar ao Submundo como estou?”
O limite de tempo estava se esgotando.
Neo tomou sua decisão.
Usou a habilidade de Morte e acordou no Submundo.
Pela primeira vez em muito tempo, não perdeu metade de sua Energia Divina ao chegar.
Ele respirou fundo.
“Consigo sentir a Escuridão impregnada no ar. Parece que minhas habilidades aumentaram com a maestria.”
A quantidade intensa de elementos de Morte e Escuridão no Submundo acalmou Neo.
Ele se sentia em casa.
“Será que minha maestria atual é suficiente para completar a segunda prova?”
A colina onde ficava o segundo posto de bandeira ficava a apenas uma hora de distância.
Neo chegou à base da colina.
Com sua maestria aprimorada, conseguiu perceber a Espessa Escuridão envolvendo a colina, quase intangível.
Ele sorriu de lado.
“Como fui incapaz de perceber tudo isso antes?
Se não tivesse tido sorte naquela época, a Escuridão aqui teria me devorado.”
Neo deu um passo.
Subiu a encosta.
A Escuridão avançou em sua direção.
Envolveu-o com um miasma espesso e tentou devorá-lo vivo.
A insanidade atacou sua mente.
Emoções que não eram suas...
Memórias de um passado que ele nunca viveu…
Pleitos desesperados que nunca fez…
Sua mente zumbia com inúmeros pensamentos.
Neo continuou avançando.
Ignorou tudo.
Sua mente, embotada, resistiu ao ataque sem vacilar.
A Escuridão aumentou quando ele chegou na metade do caminho.
Chamas negras de Escuridão se materializaram.
Elas tentaram queimar Neo.
Mas...
Ele já era um com a Escuridão.
Chamas negras daquele nível não representavam mais ameaça para ele.
Então.
Ele caminhou.
Passo a passo.
E...
Alcançou o topo.
Neo retirou a bandeira e a colocou no suporte.
De repente, o suporte brilhou e absorveu toda a Escuridão que ainda restava na colina.
“A segunda provação acabou.”
Neo não pôde deixar de pensar que era irônico.
A prova quase o deixou louco e o transformou em monstro, e, quando finalmente terminou os preparativos, foi bem mais fácil do que a primeira.
Ele verificou o cronômetro.
“Faltam dez horas. Posso começar a procurar pelo terceiro suporte de bandeira.”
Já era claro que os próximos suportes de bandeira teriam provas associadas a eles.
As próximas provas seriam mais perigosas.
Neo não tinha medo delas.
Seus sentimentos estavam embotados, graças à maestria na Escuridão.
Ele ainda não se tornara uma máquina sem emoções.
Mas...
Se continuasse no caminho da Escuridão, um dia se tornaria assim.
“Vamos lá. Deve ser mais fácil explorar a floresta daqui do topo.”
Neo vasculhou a floresta.
Novamente, percebeu que o silêncio era excessivo.
Será que era assim que o Submundo deveria ser, ou isso tinha relação com as provas?
Ele torceu para que fosse o primeiro.
“Hmm?”
“O que é aquilo…?”
Neo avistou uma mansão ao longe, no horizonte.
O prédio era majestoso e imponente, completamente oposto à atmosfera do Submundo.
“É lá que encontrarei a terceira prova, não é?”
Não podia haver dúvida.
Neo desceu a colina e seguiu na direção da mansão.
Levou algumas horas para alcançar a distância.
A mansão era, como esperado, enorme.
Justamente quando chegou ao portão, a terceira bandeira se moveu e apontou para a mansão.
“Como esperado. É aqui.”
Ele empurrou o portão principal.
Este rangeram ao abrir.
Neo segurou sua espada, preparado para lutar, e entrou lentamente.
Além do portão, um jardim exuberante com um caminho de mármore atravessava o espaço.
As flores eram coloridas e perfumadas.
Neo manteve distância delas.
Circulou o jardim.
Dentro dele, havia uma casa de chá.
Além disso, não havia nada de valor.
Não havia presença ‘viva’ na área.
No entanto, as flores e o jardim estavam bem cuidados, o que mostrava que alguém morava lá.
“Será que o dono da mansão está dentro?”
Ele entrou na mansão pelas portas.
O interior, bem iluminado, tinha piso de mármore, teto alto com abóbadas, janelas grandes e corredores amplos.
De repente, Obitus tremeu.
Suas emoções — medo, pavor, horror — invadiram a mente de Neo.
A espada estava dizendo para Neo fugir.
Ele poderia ter avançado, apesar dos avisos, em circunstâncias normais.
Porém, a intensidade do medo era demasiado alta.
Justo quando estava para se virar, uma voz chegou aos seus ouvidos.
“Ah, que surpresa, uma visitante?”
Uma caveira, vestindo um vestido de tule de princesa com uma saia franzida, desceu a escada no final do corredor.
Ela usava um chapéu cloche e, em vez de olhos vazios, tinha chamas negras suaves brilhando neles.
As emoções de Obitus saíram do controle ao ver a mulher caveira.
Ele queria que Neo escapasse o quanto antes.
Você… vai… morrer…
Corra… enquanto… eu… a impedir…
Chamas negras e relâmpagos vermelhos surgiram da bainha da espada.
E elas atacaram a mulher quando, de repente—
“Não há necessidade de ter medo, criança. Não vou machucar sua mestra.”
—os ataques desapareceram.
E desapareciam no nada.
Obitus tentou lutar novamente.
“Durma,” disse a mulher.
E o Espírito de Obitus entrou em um sono profundo.
“Peço desculpas por ser tão insistente, mas parecia que ela não ia me ouvir,” ela sorriu de lado.
Apesar de seu rosto ser uma cabeça de caveira, Neo podia perceber suas expressões.
Ela estava sorrindo.
Ela era linda.
Ela era…
…!
‘Isto não são meus pensamentos ou emoções!’
Finalmente, Neo percebeu a gravidade da situação.
Ele nunca sentira sua mente ser invadida, e… por que estava tão calmo?
Neo percebeu.
Era ela quem estava manipulando suas emoções.