
Capítulo 70
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
“Nossa, você já atingiu a maestria em Trevas como Aprendiz?”
A mulher sorriu com satisfação.
“Não esperava por isso,” ela disse.
Ela estalou os dedos.
De repente, Neo sentiu como se uma mão segurando sua cabeça desaparecesse.
Seus pensamentos voltaram a ser só dele.
A mulher desceu as escadas e ficou na sua frente.
“Sou Paimon le Noir, ex-Grande-Duquesa, prazer em conhecê-lo.”
Ela fez uma reverência.
Neo se sentiu compelido a responder.
“Neo Hargraves.”
“Só Hargraves, né?”
Ela pegou o ar de surpresa, percebendo que sua expressão havia sido rude.
“Perdão pela surpresa. É a minha primeira vez encontrando um parente dele que ainda não foi ennobrecido.”
“Provavelmente é por isso que Barbatos veio me procurar.”
Neo não entendia bem a situação atual.
Sua mente o mandava fugir.
Mas seus sentidos estavam calmos.
Eles diziam que não havia perigo.
Ou a mulher não tinha intenção de machucá-lo.
Ou.
Ela era forte demais para que ele pudesse pensar em fugir.
'Qual é esse teste?'
A mulher saiu de seus pensamentos e encarou Neo.
“Ai, que vergonha, nem perguntei se queria um chá.”
“Siga-me, por favor.”
Ela caminhou em direção ao jardim.
Quando Neo não a acompanhou, ela mostrou um pequeno poste de bandeira.
“Se você escutar minhas palavras, eu te dou isso.”
“…
Neo a seguiu.
Os dois saíram do casarão e entraram no jardim.
Levou alguns minutos até chegar à casa de chá.
“Por favor, sente-se.”
Ela puxou uma cadeira para ele e começou a preparar o chá.
“O que é você?” ele perguntou enquanto se sentava. “Você parece… igual ao Barbatos.”
“Parecemos?”
“Talvez herdeiros do sangue do Monarca, mas não é algo que sentimos, então nunca percebemos que ‘sentíamos’ o mesmo.”
Paimon encheu a xícara dele com chá.
“Herdeiro do sangue… Você também é Ceifador?”
“Era.”
Ela se sentou em frente a ele e bebeu um pouco de seu chá.
“Quantos anos você tem?” ela perguntou.
“Primeiro ano na Academia de Semideuses.”
“Você é bem jovem. E a família? Tem irmãos?”
“Tenho um irmão, mais velho.”
“Que surpresa. Dois descendentes do Monarca na mesma era. É uma boa notícia.”
“Nem tanto. Meu irmão não conseguiu despertar seu Sangue Divino.”
“Ah, que pena. Deve ter ficado devastado.”
“Na verdade, é o oposto. Não sabíamos que tínhamos sangue de Monarca até eu despertar. Também não contei para ele.”
“Por quê?”
“Não tive tempo de contar.”
As duas conversaram enquanto tomavam chá, como velhos amigos.
Paimon fazia perguntas e Neo respondia.
Parece que ela só queria conversar com ele.
Era tranquilo.
…e isso deixava Neo desconfiado.
“Não há necessidade de ficar cauteloso. Eu só queria um parceiro de conversa,” ela disse como se tivesse lido sua mente.
“Você não é o ex-Grande-Duquesa? Deve haver muitas pessoas querendo falar com você.”
Paimon colocou a xícara vazia na mesa.
Ela olhou nos olhos dele.
“Pode dizer que perdi o interesse por tudo e por todos.”
“O motivo de querer falar com você era ver se algum descendente do Monarca poderia despertar meu interesse.”
Neo franziu a testa.
De repente, Paimon balançou o braço rapidamente.
Uma foice saiu das mangas dela e a lâmina parou bem na frente dos olhos de Neo.
Neo não ficou assustado.
Mesmo que devesse.
Ele encarou calmamente a ponta da foice.
“Sou igual a você.
“Meus sentimentos foram anestesiados.
“Ganhei poderes imensos ao seguir o caminho das Trevas.
“Mas já não consigo sentir mais nada,” ela disse.
Paimon retraíu o braço após a foice desaparecer.
Ela pegou o poste de bandeira.
“Este é seu terceiro teste. Ensine-me sobre Emoções.”
“…?”
Neo a olhou sem entender o que ela queria dizer com aquele incômodo.
“O quanto você consegue percorrer o caminho das Trevas é medido pelas suas emoções.
Quanto mais emoções você puder sacrificar, maior será seu progresso.
Mas se sacrificar tudo, chegará ao limite e nunca mais avançará no caminho.
Perdi todas elas.
Então,
“Ensine-me o que não consigo lembrar.”
“…”
Foi uma missão difícil.
A segunda missão não se comparava a ela.
Na última vez, ele sabia o que precisava fazer.
Mas agora?
Ele não tinha ideia.
“Barbatos fez esse teste para você.
“Me ensinar também é ensinar a si mesmo sobre as emoções.
“Se você conseguir, no futuro não cairá na frieza das Trevas.”
Neo massageou a cabeça.
Droga.
Paimon deu risada ao ver sua expressão.
“Você deveria voltar para o mundo dos vivos. Já é hora de sua rotina na academia começar.”
“Não se preocupe, ainda temos bastante tempo.”
Tempo…
Neo franziu a testa.
O limite de tempo começaria quando ele voltasse para o outro lado.
“Certo.”
Neo se levantou e usou o Poder Imortal para sair.
Ele quis limpar a cabeça e tentar pensar em uma solução.
A cena mudou.
Neo acordou em seu quarto.
O sol entrando pela janela fez ele cerrar os olhos.
Esperou o timer da Missão aparecer.
Mas…
“Huh?”
“Cadê?”
Nunca apareceu.
De repente, ouviu uma voz.
“Faz tempo que não venho ao mundo dos vivos.”
Uma pequena boneca esqueleto, do tamanho da palma da mão de Neo, vestida com um vestido fofo, pulou de cima da sua cabeça.
Ela caiu na mesa e olhou para ele com seus olhos negros ardentes.
“Paimon…?”
“De fato, sou eu, Paimon, em ossos.”
Ela riu suavemente.
Neo afundou-se de novo no sofá.
Um suspiro de alívio saiu dos seus lábios.
‘É por isso que o timer não apareceu.’
‘Não saí da área da Missão, porque Paimon veio junto comigo.’
‘A Missão continua mesmo eu já estar aqui, de volta ao lado de cá.’
Era uma coisa a menos para se preocupar.
Porém, ainda tinha que pensar em uma forma de ensiná-la sobre emoções.
“Você deveria se arrumar, né? As aulas devem começar logo.
Neo concordou.
Tinha muitas coisas para fazer no mundo dos vivos.
Encontrar o quinto membro do time, fazer o cadastro da equipe, aprender Magias, e completar missões.
E o pior?
Ele ainda tinha um treinamento com Barbatos.
“Por que está sorrindo?” perguntou Paimon.
“Nada, só estou feliz.”
Tudo que ele fazia era pelo seu futuro.
Como não poderia estar feliz?