
Capítulo 55
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Qualquer um ficaria pulando e se gabando se tivesse atingido a Pureza Mítica, sem falar que Neo estava muito à frente dos outros.
No entanto, ele não fez isso e continuou treinando.
"Tanto faz, não é nada de mais." Percival soltou um sorriso zombeteiro. "Eu já tinha atingido a Pureza Mítica bem antes dos outros."
"O grande eu consegui antes de entrar na Academia."
Amélia ficou exasperada.
Ela nunca esperou muita coisa de Percival, mas hoje ele conseguiu atingir um patamar ainda mais baixo.
"Não tenha inveja dos seus colegas mais jovens," ela suspirou.
Percival deu de ombros e foi embora.
Ela pediu que ele explicasse as regras da biblioteca para Neo antes que ela voltasse.
"A biblioteca é dividida em dois andares. Os estudantes do primeiro ano só podem usar o andar de baixo."
"Você pode pegar Livros de Magia de todos os 108 elementos na biblioteca, mas só se tiver afinidade com o elemento."
"Você precisa pagar para alugar os Livros de Magia e não pode compartilhá-los com outras pessoas."
"Como você não tem créditos, não pode pegar nada."
Neo fez uma expressão de desagrado ao ouvir a explicação.
"Não preciso de Livros de Magia, só de livros com conhecimentos básicos de elementos. Também preciso de créditos para eles?" ele questionou.
"Sim," Amélia sorriu de modo amarga. "A academia funciona por mérito. Você recebe recompensas se mostrar resultados, mas não ganha nada se não tiver desempenho."
Créditos podem ser ganhos por meio de missões ou concedidos por professores.
Neo teria que esperar até amanhã, quando as aulas começassem, para ganhar créditos.
Ao perceber sua expressão de descontentamento, Amélia se aproximou dele.
"Mostre seu celular."
"…?"
"Apenas faça isso."
Neo pegou seu smartphone.
Amélia clicou várias vezes no dela e segurou acima do celular de Neo.
Uma notificação apareceu.
[Amélia adicionou você à lista de amigos.]
[Agora vocês são amigos.]
[Amélia enviou 10 créditos.]
[Você esgotou 20% do seu limite de transferência de créditos.]
"Hã?"
Amélia falou,
"O novo Soberano tem limite de transferência de 50 créditos? Tô morrendo de inveja."
Ela tocou o celular no queixo e sorriu.
"De qualquer forma, parabéns por ter se tornado o Soberano. Considere os créditos como um presente meu. Com eles, deve conseguir comprar os livros que precisa."
"Obrigado."
"Não tem de quê."
Ela se despediu após explicar mais algumas regras a Neo.
Sozinho na biblioteca, Neo percorreu o local para pegar dois livros.
Ele não perdeu tempo, pois Amelia tinha indicado exatamente onde estavam.
[Elemento Água: Como usar sua afinidade. Para Crianças.]
[Elemento Sombra: Desperte, meus poderes!]
Ele foi até a recepção.
A mesa tinha uma caixa vazia.
Seguindo o conselho de Amélia, colocou o livro dentro da caixa e digitou seu nome no teclado ao lado.
A caixa piscou uma luz em Neo para confirmar sua identidade.
Uma notificação chegou no celular dele.
[Dois livros foram alugados.]
[10 créditos foram deduzidos.]
[Prazo para devolver o livro: 1 mês]
Ele saiu da biblioteca.
O guarda na porta confirmou a finalização do processo de aluguel antes que Neo pudesse sair com os livros.
Neo voltou para seu quarto e abriu primeiro o livro de Elemento Água.
O que ele precisava agora não era de uma magia.
Ele queria aprender apenas a criar água usando sua Afinidade com Água.
A magia era semelhante à arquitetura.
Um arquiteto pode criar uma casa com sua própria experiência ou usar equipamentos precisos para construí-la.
Feitiços são as ferramentas de um mago. Um semi-deus pode usar um Feitiço de Afinidade com Água para criar água ou usar sua experiência para produzir água sem magia.
Depende da maestria na manipulação do elemento e da complexidade do feitiço que deseja usar.
Criar água é o processo mais básico.
Não há necessidade de um Feitiço para isso.
"Devo começar o treinamento."
Neo respirou fundo.
Deixou o livro de lado.
Suas veias brilharam e ele quebrou sua Energia Divina.
…
Uma área pouco frequentada na fronteira da Academia de Semi-Deuses
Elizabeth se deslocava pelo local.
Ela carregava uma grande sacola de viagem nas costas e seu presença estava suprimida.
Enquanto tentava visitar secretamente Neo e Amélia, de repente percebeu uma presença poderosa se aproximando rapidamente.
Um instante depois, uma gigantesca fênix apareceu no céu.
Ela obscureceu o sol com seu corpo enorme e fixou o olhar em Elizabeth.
Uma velha, com cerca de 150cm, de cabelo cortado à bob e rosto cheio de rugas, desceu das costas da fênix.
Ela aterrissou em frente a Elizabeth.
"Tsk, pensei que estivesse morta," disse a velha, Charlotte.
"…"
Observando o silêncio de Elizabeth, Charlotte ficou furiosa.
"Você nunca visitou seu mestre há anos, e agora veio, nem ao menos cumprimentou seu mestre?"
"… É bom vê-la, mestra."
"Se está feliz, então pare de fazer careta como se tivesse pisado em merda!" Charlotte ergueu sua bengala e gritou.
Ela bufou.
"De qualquer modo, por que está aqui?"
"Para encontrá-los."
Essa resposta fez Charlotte franzir a testa.
"Só isso…?" Charlotte perguntou. "O que você vai fazer depois de se encontrar com sua filha e aquele menino?"
"Vou retornar."
"Retornar para onde, sua menina burra!? O mundo inteiro pensa que você está morta! Para onde pretende ir!?
"Vai ficar vivendo escondida até acabar perdendo sua vida! Depois de abandonar aquele país amaldito!?"
Charlotte parou de gritar.
Ela estava sem ar.
Seu olhar fixava-se em Elizabeth.
"Então o que devo fazer?" Elizabeth perguntou. "Se eu ficar com eles, só colocarei todos em perigo."
Ela não podia pedir ajuda.
Nem após décadas desaparecendo sem deixar rastros para Charlotte.
"Tsk, você virou rainha, mas ainda é ingênua."
"Não posso acreditar que você fingiu sua morte sem um plano de contingência."
Charlotte, diretora da Academia de Semi-Deuses, virou-se.
Ela assobiou e a fênix desceu.
"Siga-me."
"Sabia que você viria encontrá-los, então preparei uma máscara e uma missão para você."
"Agora você vai ser a professora dos calouros e morar aqui," ela falou.
Charlotte montou na fênix.
Elizabeth não a seguiu imediatamente.
Ela não soube como reagir.
Mesmo que nunca cumpriu qualquer dever de discípula, sua mestra ainda se importava com ela.
"Obrigada..."