
Capítulo 21
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Elizabeth foi despertada de seus pensamentos pelo voz de Paul.
"Parou. A-pareceu... a dor parou," ele murmurou.
Uma sombra sombria apareceu no rosto de Clara.
Neo morreu, e a 'maldição' sobre Paul foi levantada.
Isso significava…
'Ele não usou maldições. Era algo diferente,' pensou ela. 'Ele nos deu um jeitinho.'
Ela ficou furiosa.
Porém, controlou seus pensamentos e se concentrou.
A maldição de Elizabeth foi levantada há poucos momentos.
Se fosse agora, Clara talvez conseguisse finalizá-la.
As armas flutuantes na sala se transformaram.
Elas apontaram para Elizabeth quando, de repente, explodiram.
Clara sentiu como se um caminhão a tivesse atropelado.
Seu corpo voou para trás e ela atravessou várias paredes.
"Neo te parou sozinhos?" perguntou Elizabeth a Paul.
"A-ah..."
Ele ainda sentia as dores persistentes e não conseguiu responder.
"Vou te fazer uma pergunta."
De repente, uma pressão intensa esmagou Paul contra o chão.
O peso aumentou lentamente.
Paul podia sentir seu corpo chorando de dor, mas, diferente de antes, quando Elizabeth parou na sala de audiência, ela continuava implacável.
Elizabeth odiava isso.
Ela não queria ver seus filhos sofrendo.
Porém,
ela compreendia.
Eles tinham ultrapassado o limite.
Era eles ou ela.
"Krk..."
O chão rachou enquanto a pressão dobrava.
"E-ele nos disse… que nos mataria… se não salvássemos você," respondeu Paul.
"Como Neo, um Semideus Desperto, poderia ameaçar vocês duas? Vocês são muito mais fortes do que ele."
A Rainha Tirana acrescentou com uma voz fria,
"Diga tudo sem omitir nada."
Assim que terminou suas palavras, Clara retornou com força renovada.
Seu corpo estava coberto de armadura prateada e ela segurava uma lança.
Ela foi jogada ao chão, assim como Paul, assim que entrou na sala.
Paul ficou horrorizado ao ver sua irmã incapaz de fazer algo.
Ele explicou tudo.
Desde como mataram Neo, mentiram sobre a purga, até como Neo reviveu de repente e os enganou fazendo parecer que podia usar maldições.
O olhar de Elizabeth suavizou.
Ela acariciou o cabelo de Neo.
Ele não era tão forte quanto aparentava, na verdade, era extremamente fraco.
Elizabeth viu, e Amelia lhe contou, que apenas se deslocar de um lugar para outro já era suficiente para cansá-lo.
Mesmo assim, ele colocou a vida dele em risco para salvá-la.
Não uma vez, mas duas vezes.
Ele arriscou a vida por ela.
Elizabeth sabia que ele devia ter um motivo para ir tão longe assim para ajudar.
No entanto, isso não mudou nada.
Ele foi o único que a ajudou quando todos tentaram puxar o tapete dela.
Se não fosse por ele, ela teria morrido e se culpado por tudo que aconteceu.
Ela devia a ele.
Uma dívida que não conseguiria pagar, nem mesmo se entregasse a vida dele; afinal, ela só poderia fazer isso uma vez, enquanto ele deu sua própria vida duas vezes.
"Vá embora," ordenou Elizabeth. "Eu não quero ver vocês dois nunca mais."
Um instante depois, ela expulsou Clara e Paul do palácio com um ataque de força total.
Eles não morreriam na investida.
Porém, seus ferimentos levariam meses para cicatrizar.
Era estranho.
Apesar de tudo, ela não conseguiu matá-los.
Uma lágrima escorreu de seus olhos.
"Q-que isso? Estou chorando demais hoje," ela limpou os olhos e olhou para o corpo de Neo.
Ele era anormal.
Mesmo que fosse imortal, o que Elizabeth duvidava, ele parecia não se importar com a própria vida.
A verdadeira imortalidade não existia.
Elizabeth, após alcançar o nível de Semi-deus Exaltado, tinha certeza disso.
Alguns artefatos e habilidades permitiam evitar a morte.
Mas todos eles tinham um preço alto.
A morte era imparcial.
Se quisesse enganar a morte, deveria pagar algo de valor incalculável.
Que preço Neo pagou?
Que tipo de vida viveu para morrer duas vezes como se fosse coisa rápida?
Ela tinha curiosidade.
Era a primeira vez que se interessava pela vida de alguém além de sua família.
Ela não entendia por que se sentia assim.
"Mãe!"
Amelia apareceu. Ela era visível através da parede quebrada. Alguns dos guardas pessoais da Rainha a seguiam.
"O que aconteceu? Vi que a irmã e o Paul ficaram feridos…"
Antes que pudesse terminar, os guardas se transformaram em uma névoa sanguinolenta.
Amelia congelou.
"Por que você voltou? Já devia ter evacuado," perguntou Elizabeth enquanto acenava para Amelia se aproximar.
"Eu... não pude te deixar sozinha."
Apesar de dizer isso, Amelia não conseguiu se aproximar de Elizabeth.
A Rainha matou brutalmente os guardas.
Ela tinha realmente enlouquecido?
De repente, Amelia notou que as veias roxas no corpo de Elizabeth tinham desaparecido.
"A maldição…?"
"Foi curada."
Os olhos de Amelia se arregalaram e ela correu para sua mãe.
Ela pulou e a abraçou apertado.
Lágrimas escorreram de seus olhos.
"C-como?"
"Neo forçou quem lançava a maldição a transferi-la para ele. Ele morreu no meu lugar."
Amelia ficou chocada.
Ao ouvir as palavras da mãe, ela pensou que talvez tivesse errado sobre Neo.
"Ele vai re-reviver? Ele disse que é imortal."
"Acho que sim, mas parece que há um tipo de tempo de espera na habilidade dele."
Se Neo estivesse aqui, ficaria surpreso ao saber que Elizabeth deduziu sua habilidade única após ouvir sobre ela uma única vez e comentou: 'Como esperado de um Semi-deus Exaltado'.
Um pequeno sorriso apareceu no rosto de Amelia.
"Tenho que agradecer ao irmão Paul e à irmã Clara. Se eles não tivessem encontrado Neo, você… Hic! Hic!"
Enquanto Elizabeth acariciava as costas de Amelia.
"Eles não trouxeram Neo para mim. Neo trouxe eles."
"…?"
Amelia achou que havia algo estranho nas palavras da mãe dela.
"Neo… trouxe eles?"
"Ele precisava que o lançador de maldições transferisse a maldição."
Amelia piscou umas vezes.
O que ela tentava dizer?
Ela compreendia as palavras dela, mas as implicações por trás delas pareciam impossíveis de serem verdade.
"Clara consegue usar maldições."
As palavras fizeram o mundo de Amelia virar de cabeça para baixo.
Seu cérebro parou.
Ela olhou fixamente para o vazio enquanto Elizabeth explicava tudo.
"N-não… Isso não é possível. Esse cara. Sim, Neo, deve ter te enganado!"
"Amelia…"
"Não há como Paul e Clara quererem te matar…"
"Amelia."
"N-não pode ser… Hic! Hic!"
Elizabeth abraçou Amelia enquanto ela chorava desesperadamente.
Por mais que Amelia tentasse negar, a verdade estava diante de seus olhos.