Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 451

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Antes de mais nada, surgiu imediatamente uma suposição bem razoável sobre por que Baek Saheon estava naquela estranha vila rural.

‘…Baek Saheon estava no Tamra Express!'

Aquele mesmo trem-bala passava por Mokpo também, e foi esse que eu peguei hoje.

‘Será que esse também era o destino dele naquela época?’

Parecia que ele estava indo para a casa da família, então talvez essa vila… fosse a cidade natal de Baek Saheon?

Era uma sensação estranha.

A cena de um festival rural simples e acolhedor não combinava de jeito nenhum com Baek Saheon. Ainda mais se esse evento campestre fosse, na verdade, uma história assombrada cultista sobre uma sociedade peculiar e isolada.

“Ei, pega aquilo ali!”

“Ah, certo.”

Mas…

Observe bem os moradores e tente pedir para passar a noite na casa da pessoa com a aparência mais antipática que encontrar!

Seguindo a dica do Agente Choi, será que aquele cara era um dos candidatos ideais?

Era desconfortável e estranho, mas até ali eu conseguia acompanhar o contexto. Mas então…

Por que ela está aqui?

‘…Assistente Eun Haje.’

Virei a cabeça rápida e naturalmente, tomando cuidado para não chamar atenção do Agente Bronze, e conferi aquela silhueta de novo.

A Assistente Eun Haje estava comendo suíno cozido com soju, tendo pegado uma porção extra. Como se estivesse na copa do escritório.

“……”

Ver aquela expressão natural e despreocupada me causou uma sensação estranha.

Quase sem querer, foquei o olhar naquela direção—

Nossos olhos se encontraram.

‘…!’

Naquele instante, a Assistente Eun Haje levantou suavemente seu prato de suyuk[1] e a garrafa de soju… e começou a se aproximar da gente.

‘……?!’

Por-por que ela está vindo pra cá?

E então, ela se jogou à vontade na nossa mesa e começou a conversar naturalmente com o Agente Bronze!

“Tem bastante suyuk aqui. Quer um pouco?”

“……Quem é você?”

“Sou repórter. Ouvi falar do festival da vila, vim ver se tinha algo interessante… Pensei em fazer umas entrevistas, pegar algumas impressões.”

‘A-Assistente!’

Eun Haje agia como se não me conhecesse, puxando papo com o Agente Bronze igual a uma jornalista cansada do trabalho.

Os olhos do Agente Bronze ficaram apagados. Parecia que ele tinha sido preso por uma intrometida problemática.

“Não tenho muito o que dizer.”

“Então deixa eu falar um pouco. Pelo que vi ontem, o que realmente atrai os forasteiros nesse festival é…”

DENG DENG DENG DENG DENG!!

“…!!”

O som barulhento do gong e do tambor tocando juntos me fez virar a cabeça.

A música parou, e entre as pessoas que faziam a apresentação tradicional, um homem de meia-idade com rosto amigável subiu e pegou um megafone, gritando,

[Pessoal! É hora do sorteio! Que todos ganhem prêmios e recebam a sorte de Jisan!]

“Ah, acho que é isso. O sorteio do feriado.”

Pelo visto, eles fazem um sorteio todos os dias durante o festival de quatro dias.

A maioria dos prêmios são produtos agrícolas cultivados na vila, mas às vezes tem também artesanato ou joias.

No caso das joias, a delegacia suspeita que possam ser pertence de pessoas desaparecidas.

Os moradores se espalharam, carregando as caixas de sorteio para lá e para cá. Ouvi gente dizendo que ganhou e que não ganhou. Alguém que tirou o prêmio de ouro gritou animado e recebeu um par de brincos de ouro.

“Ah, que legal. Mas esses brincos parecem usados pra mim.”

“……”

“……”

“Bom, acho que alguém deve ter doado para o festival.”

Nenhum de nós conseguiu responder.

E então, alguém veio até nós com uma caixa para sorteio.

Uma pessoa carrancuda usando um tapa-olho médico.

‘B-Baek Saheon.’

Seria esse algum tipo de reencontro dos funcionários da Daydream Inc.? Agora estávamos prestes a ter uma reunião tripla do nada.

Mas o problema maior era esse.

O Agente Bronze reconheceu o rosto de Baek Saheon.

“Aquele…!”

A expressão do Agente Bronze ficou fria ao identificar o rosto do meu ‘colega’ da pousada do serial killer na montanha.

E enquanto o olhar dele alternava entre mim e Baek Saheon, balancei a cabeça.

“Está tudo bem.”

“…Sim.”

O Agente Bronze também se acalmou rápido.

Porque ele tinha certeza de que minha identidade não havia sido descoberta.

Isso porque…

Ele não conseguiria nos reconhecer de qualquer forma.

Durante o festival, os moradores não reconhecem conhecidos que visitam de fora.

Eles os tratam puramente como convidados bem-vindos enquanto durar o festival, e há alguns relatos de pessoas que sentiram que algo estava errado e foram embora, evitando assim o azar.

– Eu até os interroguei para saber se estavam fingindo, mas eles realmente não pareciam saber. Parece que há algum tipo de encantamento estranho em efeito. Não há registros disso na delegacia, então se eu não estiver por perto, apenas ignore.

Baek Saheon se aproximou.

O rosto dele ainda não parecia contente, mas mesmo quando nossos olhares se cruzaram, ele não demonstrou reação alguma.

Ele simplesmente…

“Por favor, tire um.”

…estendeu a caixa do sorteio na nossa mesa.

“……”

“Ouvi dizer que os prêmios estão bons… Ah, obrigada.”

A Assistente Eun Haje estendeu a mão sem hesitar e puxou um palito da caixa. Na ponta estava escrito ‘Arroz’.

“Sua vez.”

Troquei um olhar com o Agente Bronze.

Não recuse o sorteio. Se recusar, nenhum morador vai deixar você passar a noite lá. Se não quiser que acabe tendo que pedir reforço às pressas porque o resgate falhou, lembre-se disso!

[1] Suyuk – prato tradicional coreano feito de carne cozida, sendo a variação de porco a mais popular. É consumido principalmente em rituais ancestrais, na temporada de kimjang (preparação de kimchi), casamentos ou funerais.

Comentários