Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 452

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

— Com licença. Você não vai participar do sorteio?

— Ah. Vou sim.

Estendi a mão para a caixa de rifa de madeira em forma de galinha. A caixa parecia estranhamente úmida e abafada ao toque.

O que eu tirei foi…

— Uma branca.

Huu.

O agente Bronze também tirou cuidadosamente e, de novo, saiu uma ficha com a palavra “Azar”.

— Que pena. Ia ser bom se você pelo menos ganhasse alguma coisa.

A assistente gerente Eun Haje apontou para o homem de meia-idade com caixa de som na praça da vila.

[Se você ganhar o prêmio especial, a sorte chegará até você!]

No canto da faixa que o homem indicava, havia a imagem bem realista de uma estátua dourada de galo.

Não dava para saber o tamanho exato, mas pelo detalhamento pareceu ser bastante grande.

— Uau.

— Isso deve pesar pelo menos 100 don! (aprox. 4 kg)

— Alguém já ganhou essa coisa de verdade?

Se me perguntar…

Mas não há relatos confiáveis de alguém realmente ter levado o prêmio especial até agora.

É isso mesmo.

Considerando que mais da metade dos participantes são visitantes, as chances são realmente estranhas.

Suspeito que seja uma espécie de ritual de escolha dentro desse desastre sobrenatural.

(Segundo a investigação da filial, existe um folclore local que diz que alguém que ganhou há 52 anos acabou com a seca da vila e foi enaltecido como um deus no santuário da aldeia, mas a credibilidade dessa história não foi confirmada.)

E, assim como o agente Choi disse, desta vez o prêmio especial também não saiu.

Uma expressão profunda de decepção cruzou o rosto do morador com o megafone.

[Obrigado a todos! Que a sorte de Jisan esteja com vocês!]

E assim, o festival daquele dia chegou ao fim.

— Ah, que chato.

— Isso não é golpe?

— Ei, mas a bebida e a carne foram de graça, né?

Os forasteiros começaram a se levantar, mas, por causa do tanto de bebida grátis que tomaram, muitos nem podiam dirigir até em casa.

— Putz, que situação…

— Relaxa. Essa pessoa disse que podemos dormir aqui!

Vários visitantes aceitaram a gentileza dos moradores hospitaleiros e concordaram em passar a noite como se estivessem numa pousada.

Era uma cena bem acolhedora.

Mas, se prestar atenção, dá para ver que os moradores vão se agrupando silenciosamente aqui e ali, juntando as caixas vazias da rifa e cochichando entre si.

Eles também vão tirando os palitos das caixas remanescentes, aos poucos.

Depois que termina o sorteio para os de fora, os moradores se juntam e vão tirando os palitos restantes, um a um.

Até que encontrem o palito do “prêmio especial”.

Nesse momento, eles recitam uma frase estranha.

“Ó Escolhido, entregue-nos a bênção de Jisan das montanhas incontáveis.”

“Ó Escolhido, entregue-nos a bênção de Jisan das montanhas incontáveis.”

— Deve ser algum tipo de feitiço ou prece… Não é exatamente uma frase típica de xamã, mas não leve muito a sério. Maldições em fenômenos sobrenaturais quase nunca trazem resultados positivos.

E finalmente, alguém encontra o palito.

O palito com ouro na ponta.

— Ah…!

Lágrimas escorrem do rosto de quem tirou o palito.

As pessoas se aglomeram em volta do vencedor, gritando em comemoração.

“Ó Escolhido, entregue-nos a bênção de Jisan das montanhas incontáveis!”

“Ó Escolhido, entregue-nos a bênção de Jisan das montanhas incontáveis!”

Na filial, circulam rumores de que o morador que tira o prêmio especial ganha um papel especial no próximo festival.

— ……

Virei a cabeça.

Baek Saheon observava tudo com olhos calmos.

— Com licença.

Baek Saheon apenas desviou o olhar.

Perguntei educadamente,

— Tem algum lugar aqui na vila onde a gente possa passar a noite?

— … Você não está dizendo que vai comer e dormir na casa dos outros de graça, né? — ele respondeu.

A assistente gerente Eun Haje, carregando um saco de arroz, interrompeu de repente.

— Eu pago. Deve ser o destino a gente ter se encontrado assim.

— Como assim?

— Olha. Será que isso dá?

Então, a assistente gerente Eun Haje entregou um bom maço de dinheiro para Baek Saheon.

Ele pareceu um pouco surpreso, mas logo firmou o olhar e pegou o dinheiro.

— … Sigam-me.

— Certo.

— Espera! Você disse que é jornalista? Melhor voltar logo. Isso aqui é nosso—

— Quer expulsar quem pagou? O capitalismo pode ser imundo, mas algumas coisas merecem respeito. Pfft, que velho amargurado.

— ……

Ouvi o agente Bronze resmungar baixinho, “Velho?”

Credo.

Com vontade de fechar os olhos bem forte, comecei a andar atrás da assistente gerente Eun Haje, que seguia Baek Saheon como se nada estivesse errado, e perguntei,

— … Quer que eu carregue o saco de arroz para você?

— Ah, irmãozinho, vai querer pagar até a hospedagem? Pelo menos está fazendo direito.

Peguei o saco de arroz da assistente gerente Eun Haje, que claramente ainda tinha dificuldade com a mão. O agente Bronze, de cara fechada, também ajudou.

— Já era, parceiro.

— ……

Quando o agente Bronze olhava para Eun Haje com cara de incredulidade—

— Ei! Malditos caipiras do inferno! Pepinos? Você acha que eu vim até essa vila afastada por causa de pepinos?

Bang!

Uma voz alta e um estrondo perto.

Uma caixa jogada no chão se abriu e pepinos rolaram pela terra.

Um forasteiro bêbado agora rolava no chão, fazendo escândalo.

— Me dá ouro, ouro!

— Ai, querido visitante.

— Ainda tem mais duas chances!

Os moradores, ainda sorridentes, tentavam acalmá-lo e consolá-lo.

… Difícil acreditar que tinham acabado de ser xingados, mas a bondade deles não mudou.

Oferecendo a ele o jantar, sugerindo que ficasse e tentasse de novo no dia seguinte, falando sobre as boas águas termais. Puxados por essas ofertas, o encrenqueiro desapareceu com alguns moradores simpáticos em uma das casas.

Era uma das poucas casas de telhado de telha da vila.

A casa no centro da aldeia parecia excepcionalmente grande.

— ……

Virei o olhar de lado, meio tenso.

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