Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 432

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Olhei ao redor do quarto.

Como era de se esperar de um motel barato atrás da estação de trem, era um lugar meio, digamos, precário...

– Será que meu corpo esteve encostado nessa parede imunda? Céus!

"Não está suja. Eu limpei tudo minuciosamente antes do ritual de invocação... É só velha, só isso."

Parecia mais suja por causa da estampa floral!

Mas isso não convenceu o apresentador do talk show.

– “Só velha”? Não, isso é um insulto ao conceito de moradia. Meu amigo está vivendo num lugar pior que trailer, onde nem atores de terceira categoria aceitariam ficar!

– O que aconteceu com seu humilde refúgio, Sr. Veado Roe?

– Que companhia terrível!

Bem...

Na verdade, o Diretor Ho sugeriu que eu alugasse um officetel para ter estabilidade nas atividades de espionagem e uma prova clara de identidade.

Ele até disse que a empresa cobriria os custos.

Mas eu recusei.

Como explicar... eu simplesmente não queria criar um lugar que acabasse chamando de "lar".

O alojamento fornecido pela empresa parecia menos pessoal, já que era claramente da empresa, mas se eu fizesse um lugar que fosse realmente meu, sentia que minha guarda poderia baixar.

"Na real, não é tão ruim aqui. Vou cuidar direitinho do seu cantinho."

– Pelo amor de Deus...

– Amigo, apoiei suas escolhas independentes e autônomas, até torci pela sua demissão. Mas pensar que você tivesse que ficar num lugar como este.

O boneco falou num tom triste.

– Por favor, lembre-se que o Talk Show do Braun está sempre aberto pra você, mesmo agora, amigo. Embora hoje em dia você talvez precise passar por uma entrevista leve primeiro...

"Sr. Veado Roe, esse brinquedo está tentando te convencer com um talk show no melhor estilo 'o lado sombrio'?"

"Não, bem, isso sempre acontece..."

......

......?!

Me virei para olhar para o lagarto.

O cara com a cabeça de lagarto branco, que estava sentado na cama, olhava para mim com total indiferença.

Indiferença?!

"Você consegue ouvir isso?!"

"Sim."

Quase desmaiei na hora.

Espera aí. Isso significa que ele esteve ouvindo nossa conversa o tempo todo? Mesmo quando confiei o Braun ao Chefe de Seção Lee Jaheon e entrei naquela história de fantasma... não, mais que isso!

"G-geralmente, pelas características deste item, só eu deveria conseguir ouvi-lo. Como diabo você consegue ouvir...?"

"? A outra parte está manifestando a intenção de se comunicar."

Fiquei boquiaberto olhando para ele.

"...Humanos normais não deveriam ser capazes de ouvir ele."

"Sim."

"Para outras pessoas, isso pareceria suspeito."

"Está correto."

O lagarto apenas me olhava com cara de 'o que você espera que eu faça?'.

"Não há mais ninguém neste espaço."

"......"

Desisti de tudo.

Pensando bem, o Chefe Lee Jaheon me reconheceu mesmo quando virei criança, quando usava o uniforme da equipe de segurança, ou até quando coloquei a fantasia de mascote.

‘Será que ele é especializado em identificação mental ou comunicação...?’

Provavelmente é melhor simplesmente atribuir isso às habilidades de um alienígena reptiliano.

É mais fácil assim...

"Sr. Veado Roe."

"Sim."

"Quer um conselho?"

"...O quê?"

"Queime esse boneco imediatamente."

– Oh.

Aaaack.

"O ritual de invocação foi realizado conforme os protocolos de segurança, mas a entidade invocada parece ter potencial para romper as amarras do ritual a qualquer momento."

– Esse bruto rude ainda não aprendeu moderação.

Ah, pelo amor de Deus.

– Se está em algum lugar onde não foi convidado, ao menos deveria cumprir a regra não dita de ficar calado. Falar tão ignorante assim! Inacreditável, mas por respeitar meu amigo, vou dizer algumas palavras.

– Sou uma existência que respeita a privacidade do meu amigo e está pronta para ajudar com qualquer coisa para ele. Porque...

– Eu sou um Bom Amigo!

"Quando você confiou nessas amarras, Sr. Veado Roe, você desapareceu por um mês. Não se esqueça disso."

– Ah, isso foi só uma expressão do meu coração afetuoso, preocupado com o bem-estar do meu amigo. Graças a isso, Sr. Veado Roe, você pode passar um mês no lugar mais seguro, feliz e protegido para corpo e mente... Pelo menos, até você ousar colocar seus pés sujos naquele grande estúdio.

"Estão sendo feitas ameaças."

"E-espera um segundo."

De qualquer forma, já que estamos em contrato, enquanto eu existir neste mundo de histórias de fantasma, não tem saída, então não precisa ficar feio...!

"Eu disse que estava decidido a pedir demissão, e no fim você me convenceu e me deixou ir, certo?"

– Claro!

"Que lógica você usou para persuadi-lo?"

Foi...

"...Eu disse que mostraria algo mais interessante."

– Ah, é verdade. Eu realmente queria ver o resultado dessa promessa...

– Claro, mesmo que não seja interessante, esse Bom Amigo sempre vai te proteger. Gostar do sofrimento do meu amigo não é coisa de Bom Amigo!

"......"

Que jeito estranho de falar.

Pensando bem, essa versão em pelúcia do Braun usa uma linguagem muito mais amigável e solidária, muito mais do meu lado do que quando falamos no parque temático.

Igual antigamente.

‘Agora que ele foi invocado no pelúcia do Bom Amigo, será que ele está preso àquela regra de novo...?’

Mas, diferente da última vez, agora eu tinha certeza.

O outro está encarando a amarra do Bom Amigo como uma forma de diversão.

Mesmo que a amarra já não sirva para nada, ele age assim por uma espécie de nostalgia e vontade de entrar na brincadeira... ou algo assim.

Se ficar entediado, ele pode simplesmente romper as amarras e me arrastar de volta para trabalhar como membro da equipe no talk show dele.

‘...Graças ao Chefe Lagarto, estou mais alerta.’

Se não tomar cuidado, posso acabar me deixando levar pelo clima e me apegar demais a esse Bom Amigo.

É isso. Não devo levar tudo que esse "Bom Amigo" fala ao pé da letra.

Tenho que impedir que aconteça de novo o que rolou da última vez.

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