Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 362

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Os agentes do Escritório de Gestão de Desastres viraram a cabeça rapidamente.

“Ué!”

Fios com as unhas ornamentadas de Jin Nasol dispararam e agarraram a manga do filho-do-mar.

Era a arma pessoal da assistente-gerente da equipe A.

“Hã? Olha, fogos de artifício!”

A criança riu.

Ao ouvir a risada daquela criança do mar corrompida, Jin Nasol cortou primeiro o apêndice mais letal — a parte que liberava fluidos paralisantes e infecciosos.

Corte.

“Aaaah!”

“Dói! Dói!”

O contra-ataque de um agente passou raspando.

Sem hesitar, Jin Nasol puxou a criança do mar agora mancando com seu fio e a prendeu sob um dos braços.

“Eek!”

Então ela anunciou.

“Dê mais um passo e ele morre.”

“…!”

Era uma escolha perfeitamente racional.

‘As pernas dela não estão em condições perfeitas.’

A panturrilha, ainda anestesiada pela armadilha da lâmina de sino, já tinha forçado Jin Nasol a queimar itens só para acompanhar aquela ameaça felina.

Tentar lutar contra dois agentes do Escritório, pegar o prêmio e fugir nesse estado seria uma idiotice.

E Jin Nasol detestava idiotice.

Então, ela escolheu.

“Eu disse para ficarem longe.”

“…!”

Não havia palavras, mas o gesto era claro.

“Calma, Bronze-ah.”

O agente Choi, que valorizava cada vida, levantou as duas mãos como se quisesse ceder enquanto buscava alternativas freneticamente.

Mas…

— Essa não era a resposta padrão do Escritório.

‘Refém.’

O agente modelo, Bronze, encarava o vilão com olhos sombrios.

Aqueles canalhas planejavam roubar as doze conchas que poderiam salvar doze crianças.

‘Mesmo que aquelas pessoas possam escapar sem elas.’

Deixá-los ir significaria condenar aquelas crianças.

A prioridade do Escritório era cristalina.

Maximizar vidas com o mínimo de sacrifício.

— Se for preciso perder um civil para salvar muitos outros.

‘Que assim seja.’

“…Bronze-ah?”

O agente Bronze tomou sua decisão num instante.

Ergueu a pistola de vidro e avançou.

“Ei—!”

Naquele exato momento, outra criatura se moveu.

Jingle.

“E-Espera…!”

Ao som do grito surpreso de Baek Saheon, o gato pulou silenciosamente do ombro dele.

Preso em suas mandíbulas estava uma concha Suspiro do Anjo, tirada diretamente da bolsa de Baek Saheon.

“Não!”

O gato correu direto para Jin Nasol.

“…!”

Ela se preparou reflexivamente para chutar e disparar o fio, mas o gato não mirava nela.

Ele desviou levemente, para baixo e para o lado.

“Hã? Bonequinha…”

Foi direto para a criança do mar que Jin Nasol segurava.

O gato pressionou a concha, ainda presa nos dentes, contra o ouvido da criança.

“…!”

De dentro da concha jorrava uma voz formigante.

Hummm.

Era um zumbido tão belo quanto uma ária de soprano, uma canção de ninar que um pai cantou um dia.

Um trecho despertador do hino nacional, um cântico jubiloso cheio de vida.

Mas somente um trecho.

Uma única melodia flutuava suave, delicada, da concha para o ouvido da criança.

“…Hã?”

A criança sem cauda congelou.

Hm, hmmmm, hmm, hmmmmmhh…

O sangramento diminuiu.

Úlceras encolhendo no rosto e membros, a torção da infecção recuando, as cordas vocais voltando à forma correta.

Não era um retrocesso completo para uma criança saudável, mas a infecção desenfreada falhava, e a vida humana ainda dentro daquela criança acendia de novo, como brasa ganhando fogo.

No momento seguinte —

“Huuu…”

Com um suspiro profundo, a criança era novamente apenas um menino doente.

“……”

“……”

Todos, atônitos diante do milagre, hesitaram por instinto puro.

“O-O que está acontecendo? Mãe…!”

O menino explodiu em soluços histéricos, a alucinação desfeita, o Palácio Oceano Cadente desaparecido, e a realidade horrível exposta nua diante deles.

“…!”

‘Isso até desmancha a lavagem cerebral...!’

E enquanto a criança era banida daquele sonho abençoado e continuava a chorar, o gato, inacreditavelmente, se aninhou em seus braços, deixando-o se agarrar por conforto.

“G-Gatinho…”

Mesmo com a criança puxando sua cabeça com certa força, o gato ficou imóvel.

Isso só o tornou mais assustador, mas o sinal era inconfundível.

Aquela criatura era amiga das crianças.

‘Será que essa é uma história de fantasmas cujas regras mudam conforme a idade?’

Jin Nasol, sempre uma elite do Time de Investigação de Campo, continuava analisando, mas não soltava seu refém.

Ela apenas cessou a contenção ostensiva da criança. Ninguém podia prever como aquele perigo em forma de gato reagiria.

Mas…

“Sério, essas pessoas perderam o juízo.”

Alguém aproveitou aquela pequena brecha.

“…!”

Uma bala de vidro voou.

Jin Nasol viu. Um agente atirou com a pistola de vidro em suas pernas enquanto outro, já perto, tentava amarrar seu torso.

‘Hah.’

Ela deliberadamente deixou o corpo cair para trás.

Seu corpo, subitamente mole e sem ossos, escapou por um triz das amarras.

Ao mesmo tempo, jogou o refém direto nos braços do agente Choi.

“…!”

No instante em que o agente Choi pegou a criança, que ainda agarrava o gato.

‘Tem reféns por todo lado.’

Jin Nasol fez o cálculo frio e chutou a porta.

‘Estamos recuando.’

Os outros funcionários da Daydream, entendendo suas intenções, se moveram para segui-la. Baek Saheon apertou a bolsa com as onze conchas Suspiro do Anjo restantes e disparou.

[Por aqui]

O gato ergueu o olhar.

“…!”

Aquela ameaça felina saiu silenciosamente dos braços da criança segurada pelo agente Choi.

“Por que você…”

A criatura quadrúpede caminhou entre os observadores congelados. Depois, ao passar por todos, parou diante de algo.

A cauda cortada da jovem sereia, aquela que Jin Nasol havia arrancado.

Um pedaço da massa úlcera.

[Por aqui]

A forma do gato estalou enquanto ele se virava para encarar as pessoas.

“Q-Que vamos fazer com isso…?”

[Por aqui]

Seus olhos vermelho-sangue encaravam diretamente a mim.

Um olhar que parecia já saber tudo sobre mim.

“……”

Droga.

Baek Saheon rapidamente agarrou a cauda com a mão enluvada, tentando guardá-la na bolsa impermeável presa à frente da mochila.

Mas o agente Choi foi mais rápido. Tirou a cauda dele antes que conseguisse.

“Ah…!”

O agente Choi, ainda considerado ‘criança’, segurou firme a cauda que se debatia, tentando se parasitar, e falou com o gato.

“Você provocou o ataque porque precisava disso, não foi?”

Silêncio.

“De que serve essa cauda?”

O gato não falou.

E mesmo assim, respondeu.

[Por aqui]

Fixando o olhar nos funcionários da Daydream Inc.

“…!”

O agente Choi guardou a cauda numa caixa de contenção e apressadamente começou a rabiscar palavras no chão com o giz que carregava.

Um ponto de conexão onde o olhar do Palácio Dragão Cadente e o Túmulo das Sereias se cruzam.

— Vocês usam as caudas, né?

“…!”

— Se vocês me contarem onde e como usam isso, prometo que não lutarei mais até sairmos daqui~ Eu juro pela minha honra de agente! ^^

— É algo que vocês usam para fugir? Sei tudo sobre vocês fugindo na embarcação de escape. Então, onde e como usam isso?

‘Esse maluco…’

Mas o agente Choi tinha motivos para confiança.

— O gato parece querer que a gente converse também, né?

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