Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 356

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

A loja de tatuagens Moonlight, à qual voltei, estava mais escura do que antes.

Antes, parecia um lugar aconchegante, mas, ao contrário da última vez, havia um clima meio estranho.

Talvez porque eu tenha entrado pela porta dos fundos? Ou…

“Porque o luar está fraco demais?”

O feixe circular de luz que descia sobre a enorme máquina de procedimentos no centro da sala formava hoje uma sombra em forma de meia-lua.

“...acho que não está no horário de atendimento.”

……Nunca tinha lido nenhum registro sobre isso.

Andei devagar, um passo cuidadoso de cada vez... e meus olhos se cruzaram com o balcão escuro.

“…!”

A tatuadora de cabelos cacheados, com o pescoço coberto por tatuagens densas em Hangul, estava atrás do balcão.

A dona da loja.

Ela me olhou com olhos ainda mais sombrios do que antes e levantou um único aviso.

[Convidados com pelos devem vestir um roupão antes de entrar.]

Ah.

Rapidamente cuspí o carimbo que estava segurando na boca. Enquanto meu corpo crescia, voltei à forma humana, ainda que infantil. Assim que minha boca voltou a ser humana, falei apressado.

“Hum, desculpe por entrar pela porta dos fundos—”

Meu rosto foi agarrado.

“…!!”

A tatuadora, de luvas pretas, apertou meu rosto com uma mão e me examinou de todos os ângulos. Frente, costas, esquerda, direita.

Seus olhos negros me perfuravam.

Pupilas dilatadas. Pretas. Tão negras que pareciam erradas. Humanos geralmente têm a parte branca do olho visível, certo? Por que não conseguia ver brancos?

A tatuadora se impunha sobre mim. Crescia a cada segundo. Seus cachos verde-escuros se alongavam, enchendo o ar como algas marinhas.

O pequeno e aconchegante interior profissional que eu tinha na memória agora parecia alienígena, um espaço estranho cheio de técnicas e estilos incompreensíveis.

“O que? O que é isso?”

Minha mente rodopiava em confusão e alarme enquanto percebia que estava presa dentro da própria história de fantasmas…

Não.

“Hum.”

Consegui mover a boca.

“Eu poderia... estar na minha forma de gato?”

……

Baque.

A tatuadora soltou meu rosto. Empurrei o carimbo de volta pra boca antes mesmo de processar o nojo e meu corpo encolheu, voltando à forma felina.

“……Miau.”

Tudo voltou ao normal. Eu estava novamente numa loja de tatuagem pequena, aconchegante e profissional, diante de uma tatuadora gentil e cheia de personalidade.

“Tá... tudo certo assim?”

E falei com voz de criança.

“…!”

Não, eu realmente falei com voz humana.

“Ah... sim.”

A tatuadora remexeu no balcão e apontou para outro aviso.

[Comunicação confortável garantida]

“……”

Agora que penso bem…

‘A dona da loja Moonlight Tattoo nunca fala uma palavra.’

E a placa que eu tinha visto antes de entrar...

‘…Não estava escrita em Hangul.’

Mas eu conseguia ler perfeitamente. Quer dizer, se não fosse esse sentimento inquietante, teria jurado que era coreano o tempo todo.

Até as tatuagens que eu achava ser Hangul no pescoço dela talvez não fossem…

“……”

De fato. Um toque estranho e sobrenatural.

‘Fique alerta.’

A falta de maldade da dona vale só para tatuar — nada além disso. Preciso lembrar disso.

Mas a reação dela agora confirmou algo.

“…Você me inspecionou porque entrei aqui como criança pela porta dos fundos, certo?... Crianças são mais vulneráveis quando infectadas.”

!

A tatuadora ergueu a cabeça.

Claro.

‘Essa loja aceita somente itens ligados ao mar como pagamento.’

E tem a conexão com a Sepultura da Sereia. Testemunhas até mencionaram uma porta dos fundos.

Porta dos fundos geralmente é “somente para funcionários”… afinal.

“…Senhora dona.”

Estendi uma pata cuidadosamente.

“…Eu encontrei essa porta dos fundos na cidade submersa arruinada.”

Os olhos da tatuadora giraram.

“Hum… Essa loja já estava aqui originalmente?”

Silêncio.

“Você é daquela cidade?”

Silêncio.

“Por que acabou assim? Crianças estão sendo enganadas e morrendo...”

Tristeza encheu os olhos da tatuadora. Em vez do redemoinho costumeiro, eles brilharam molhados.

Eu molhei meu focinho ressecado e falei,

“Ainda tem crianças lá agora. Será que alguma criança poderia sair pela porta da frente desta loja...?”

Bum.

A parede tremeu quando a tatuadora bateu a caneta na mesa. Traços grossos tremiam, esculpindo letras enormes com seriedade.

N Ã O

“Entendi. Compreendo.”

Meu coração parecia que ia explodir, mas meus lábios se mexeram com firmeza.

“...Porque elas estão infectadas, isso não funciona? Se for assim, talvez...”

Por favor.

“Sobre a fonte da infecção, os estranhos aglomerados de carne... você poderia me contar sobre eles?”

……

A tatuadora pegou a caneta de novo.

Com a mão trêmula, arrancou uma folha de um bloco de notas do balcão e começou a escrever.

Pequenos caracteres pressionados com firmeza no papel.

Dois traços. Eu consegui ver o movimento da caneta desenhando cada linha.

Finalmente, ela virou o bilhete e me mostrou a palavra pronta.

■■

“……”

Hã?

Eu não entendia o significado, mas conseguia pronunciar.

Então... então...

“■■!”

<j>Um choque estilhaçou minha mente. Imagens passavam rápido. Criaturas estranhas surgindo da superfície luminosa. Ácaros silenciosos grudados nas bordas, mordendo, reganhando, cavando — mesmo que você arranque, arranque e arranque, eles crescem de novo e invadem a cidade das grandes ondas. Pesquisadores estudavam mortes por suicídio em laboratórios subterrâneos, espalhando contaminação. Gritos. Tentativas de fuga. O último arca afundando. O lamento da concha. NÃO. Crianças contaminadas. Cortar os cordões de infecção. Gritos. Cuidado com as crianças. Isto é o inferno. Remover a concha. Não confie. A infecção se espalha desenfreada...</j>

“Tosse—”

Sangue jorrou. Não só da minha boca, mas do nariz e olhos, de todos os orifícios mucosos. O choque os fez sangrar.

A tatuadora ofegou e apressadamente derramou um suco de limão numa tigela, oferecendo para mim. Eu nem sabia se gatos podiam tomar aquilo, mas bebi fundo.

Focando no gosto azedo da limonada com sabor de sangue na língua, forcei as imagens para fora da minha mente…

Por mais amargo que fosse, uma inspiração surgiu.

‘Agora mesmo.’

Uma explosão de significado estava enterrada naqueles dois símbolos.

Seria aquela a verdadeira língua da Sepultura da Sereia? Não tinha certeza se tinha entendido totalmente. Se tivesse, não seria humano.

Mas uma coisa eu sabia com certeza.

‘A tatuadora veio originalmente da história de fantasmas da Sepultura da Sereia.’

E por algum motivo…

‘A concha.’

Aquele item Suspiro do Anjo estava profundamente ligado a essa crise…

Curiosamente, duas imagens completamente opostas se fundiam naquela concha.

‘Cura e morte.’

Era de arrepiar.

...Se visto pelos olhos de uma criança, como a concha pareceria?

“…Tatuadora-nim.”

Engoli o gosto azedo e sanguinolento.

“Você poderia me contar... o que pensou sobre o objeto em forma de concha que lembra?”

Os lábios da tatuadora se mexeram, revelando só o formato da palavra. Eu li.

Imundície.

Nojo. Uma sensação de sujeira e desconforto. Mesmo sabendo que não representava ameaça racional, a imagem horrível deixou um forte resíduo repulsivo.

O espaço ao redor da tatuadora brilhou de novo…

“Entendo. Obrigado.”

Era só isso?

Tendo ela mais calma, comecei a reunir todas as pistas que tinha coletado até então.

“……”

Meu plano vago finalmente começou a se encaixar com essas peças menores.

Mesmo sendo só uma hipótese minha…

‘Se estiver certo.’

Levando tudo ao limite, teria algo que valesse a pena tentar.

‘Bom.’

Minha mente clareou.

O que precisava agora eram das condições para suportar esse plano, e das habilidades para realizá-lo.

E, por sorte, eu acabara de entrar justamente na loja onde poderia adquirir essas habilidades.

“Gostaria de conversar sobre tatuagens agora, se não houver problema...”

A tatuadora assentiu compreensiva e rapidamente levantou outro aviso.

[Procedimentos em menores de idade requerem consentimento do responsável.]

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