Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 352

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Tive que cuspir o selo. Algo estava errado—

……

Não.

‘Não é isso…’

Era o choque de cair do paraíso direto para um pesadelo.

Eu não estava contaminado.

"Hhu."

Prendi a respiração.

O pânico se dissipou conforme me adaptava ao ambiente. Então, tremendo, olhei ao redor com a mente fria e adulta.

Uma civilização grotescamente desmoronada. Massas infectadas semelhantes a carne espalhadas pela cidade arruinada.

Eu reconhecia aquilo.

Sim. ‘Palácio do Oceano Brilhante’ não era uma história de fantasmas desconhecida, nem algo não registrado nos <Registros de Exploração Sombria>.

Simplesmente não parecia com o que eu me lembrava.

A que eu conhecia era…

…uma aterrorizante história de fantasmas da Daydream Inc.

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Registros de Exploração Sombria / História de Fantasmas

[Covil da Sereia]

: História de fantasmas registrada nos <Registros de Exploração Sombria>

: Código de identificação da Daydream Inc. – Qterw-C-1642

Uma narrativa sobre vagar por uma cidade estranha submersa nas profundezas do mar.

Vítimas são perseguidas por enxames de formas de vida grotescas e, quando capturadas, têm todo seu sangue e mucosas drenados até a morte.

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Essa.

A cidade já estava em ruínas, e os registros indicam que caiu devido a uma infecção causada por um desastre biológico.

Vestígios do que já foi uma cidade bela contrastam fortemente com o estado apocalíptico atual, resultado de um surto biológico trágico e horrendo.

Como os registros dentro da cidade se referem ao desastre biológico como ‘merfolk’ (seres marinhos), o local foi registrado na base de dados sob a designação ‘Covil da Sereia’.

Então… as crianças do Palácio do Oceano Brilhante—

No centro da cidade repousa uma massa grotesca, o núcleo central da infecção dos ‘merfolk biológicos’, de onde fluidos infectados perseguem interminavelmente qualquer explorador.

Se capturado, você se torna infectado. Um hospedeiro dos merfolk.

Trotei cambaleando, andando de quatro pelas ruas destruídas.

Espalhados pela escura cidade submarina, vi corpos congelados em posições estranhas—meio vivos, meio mortos—arrastados por tumores semelhantes a úlceras.

Moviam-se rigidamente, como bonecos, balançando ao andar.

‘Aquelas figuras decorativas das fontes.’

Crianças,

Por favor, peguem seu mel!

Aquelas figuras coloridas de soldados, as de elefantes também.

‘Eles já foram humanos.’

Pessoas infectadas depois de serem atraídas por essa história maldita.

Então, a torneira saindo das barrigas dessas pessoas que cuspia mel…

Isso era, na verdade, sangue, extraído das entranhas por aquelas feridas ulceradas.

‘…Ugh.’

Corri.

Empurrando com as quatro patas, disparei pelas ruínas submersas dessa que já foi uma cidade costeira cheia de vida, agora infestada por imundícies biomecânicas retorcidas e pulsantes.

Finalmente, alcancei o coração da cidade.

…O que antes parecia um lindo Palácio do Oceano—

Era uma massa de aglomerados ulcerosos em decomposição.

Thump, thump.

O pulso daquela massa vil podia ser sentido ali. Um conglomerado de carne emputrecida, de cores pusentas —vermelho sujo, verde e rosa pálido— agarrado a prédios desmoronados como uma instalação de arte grotesca.

E à frente, uma bolsa escorrendo, coberta de tentáculos, como um ninho deformado de ovos.

Para quem já viu antes, sua silhueta era inconfundível.

Assemelhava-se à estátua da Princesa Sereia.

Os fluidos infecciosos extraem o sangue e as membranas mucosas dos exploradores que se tornaram hospedeiros, entregando-os ao núcleo central no coração da cidade. A massa então expulsa mucos e resíduos infecciosos.

Os resíduos foram identificados como materiais indigestos, como fibras e plástico.

Certo.

…Os brinquedos, roupas, livros ilustrados que eram dados às crianças quando elas ofereciam ‘mel’ para a estátua no ‘Palácio do Oceano Brilhante’.

Eram os pertences desgastados daqueles que desapareceram ali.

Só parecia bonito para as crianças, uma ilusão sedutora.

É isso que essa história de fantasmas faz.

E estava infectando as crianças. Aquele líquido infectado horrível, chamado de ‘mer-children’ nos <Registros de Exploração Sombria>, era, no fim das contas…

No fim das contas…

"……"

Não.

‘Isso é… isso é…’

Eu preciso sair. Não posso me comunicar com as crianças desse jeito. De costas, cambaleando, me virei para partir.

Mas, naquele momento.

Wrrggghhhgh!

Com um som repugnante, uma das úlceras no chão disparou mucos contra mim.

"…!"

Fluido contagioso.

Se isso grudar, vou acabar com uma torneira na barriga também…!

‘Droga.’

Ainda bem que gatos correm rápido.

Guiado pelo instinto, escorreguei entre becos enferrujados e ruínas podridas, agora completamente adaptado ao meu corpo felino. Talvez fosse por isso que o Agente Choi recomendara isso.

‘Enfim!’

Então a questão é.

Que porra eu faço agora?

Devo avisar os outros agentes? E se avisar, até onde eu conto?

Como resgatamos as crianças agora? Será que os agentes devem ficar em corpo infantil nessa situação?

Estar no corpo de uma criança… será que ainda é seguro?

Será que não é melhor deixar essas crianças continuar ‘vivendo’ aqui do que virar bolhas?

"Área limpa. Sem mer-children."

…!

"Continuem."

"Sim, subgerente!"

Congelei.

Três figuras entraram na viela.

Vozes calmas. Frases que reconheci dos <Registros de Exploração Sombria>. Pessoas se chamando pelos cargos.

…Daydream Inc.

‘Então uma esquadra da Equipe de Investigação de Campo realmente foi enviada…!’

Claro. A maioria dos relatos longos nos Registros de Exploração Sombria eram escritos por funcionários da empresa. Fazia sentido eu esbarrar neles aqui.

…O que significava.

Talvez eu pudesse usar isso a meu favor.

‘Se são empregados da Daydream Inc., devem ter uma ou duas ferramentas especiais, certo?’

Algo que pudesse ajudar a resolver isso. Mesmo que fosse só uma ideia…!

Se não, era melhor ter mais cartas na manga.

‘Vamos.’

Prendi a respiração e me aproximei sorrateiro pela viela por onde as figuras de máscaras e uniformes tinham passado.

"…foi o que ouvi."

"Ah. Isso aqui."

A conversa chegou aos meus ouvidos sensíveis de gato.

E quando virei a esquina, já conseguindo ver claramente os três—

……

Máscaras familiares.

"…Hmm. Não parece útil."

"Hã? Pra mim parece valioso. Vou levar."

Bode, Baek Saheon. Pônei, Kang Yihak.

E.

"Cala a boca."

Borboleta, subgerente Jin Nasol, da equipe A.

"……"

‘Maldição.’

Que lineup de pesadelo absoluto.

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