
Capítulo 341
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
…A frase “Que alívio saber que você está vivo” trazia duas premissas implícitas.
Que ele sabia quem era a outra pessoa.
E que ele havia presumido que essa pessoa estava morta.
Tudo isso apontava para uma única coisa.
O sargento da Equipe de Segurança tinha me reconhecido, eu que estava sentado no banco do motorista do táxi, como a Supervisora Kim Soleum, da Equipe de Exploração de Campo, que havia sido dada como desaparecida.
“……Desde quando?”
Olhei pelo espelho retrovisor para o sargento que estava no banco de trás. Ele vestia o uniforme surrado da segurança, quase como se fosse roupa comum, com o boné puxado para baixo.
Não consegui ver o rosto claramente.
Mas, de algum jeito… parecia aliviado.
De repente, me lembrei do que a Supervisora Park Minseong tinha dito.
– O sargento Jay, da Equipe de Segurança, perguntava de vez em quando sobre você… Eu não disse que você tinha se perdido na Escuridão ou coisa assim… mas uns dias atrás, parecia que ele já tinha descoberto a verdade.
…Considerando seus anos de experiência como sargento da Equipe de Segurança, ele já devia ter visto vários novatos da Equipe de Exploração de Campo da Daydream Inc. desaparecerem.
Ainda assim, talvez por sermos conhecidos, ele se preocupou comigo……
“Agradeço. E me desculpe.”
E além disso, era surpreendente que ele me reconhecesse e ainda assim mantivesse a pose, esperando em silêncio, sem dizer uma palavra.
Claro, considerando que eu estava desempenhando o papel de espiã corporativa, não era exatamente um reencontro caloroso.
De qualquer forma, o diretor Ho já parecia desconfiar que a equipe D sabia que eu estava viva. Eu não podia me dar ao luxo de piorar a situação.
“O sargento não é do tipo que sairia por aí espalhando que me viu, de qualquer jeito.”
Um toque sutil ao descer do táxi, pedindo para manter a discrição, já seria suficiente.
Assim que organizei tudo na minha cabeça, falei com a voz mais amistosa e típica de motorista de táxi que consegui imitar.
“Nossa, que percurso… Achei que meu coração ia parar. Então, senhor, você disse que vai para a Estação de Seul, né? Vai levar uns 40 minutos pra chegar—”
“Ah, isso… Pode deixar. Já não preciso ir.”
“……Desculpe, senhor?”
Instintivamente, olhei para o espelho para ver o sargento.
Ele encontrou meu olhar no reflexo, sorrindo levemente.
“Acho que não há mais motivo para ir…”
“……”
Espera aí.
– Hum… seria assim que faz… Por favor, me leve até a Estação de Seul, onde posso pegar o trem expresso…
Trem expresso. Estação de Seul.
…Aquele lugar também é conhecido publicamente como o ponto de partida do Expresso Tamra para a Escuridão—o mesmo local onde fui declarada desaparecida.
“Não pode ser.”
Não, não podia ser. Mantive os olhos fixos na estrada à frente.
Mas acabei falando.
“…Ah, então você decidiu encontrar a pessoa em outro lugar?”
“Não é isso… Já encontrei.”
“……”
“Está tudo bem…”
Ah, droga.
Ele realmente veio me procurar?
‘Um cara que só pode sair à noite.’
Fazia mais de um mês que eu estava desaparecida. Todo mundo já tinha perdido as esperanças e me dado como morta.
E ainda assim, esse cara… só porque éramos mais ou menos conhecidos, veio atrás de mim antes do amanhecer para pegar o trem expresso. Isso é…
Talvez seja porque conheço sua história. Antes de ser delegado à equipe de segurança, ele foi líder nomeado da esquadra B. De algum jeito, isso tornou tudo ainda mais emocionante.
E me fez pensar.
“……”
Se chegou a esse ponto… talvez ele seja confiável.
“…Ele nunca foi do tipo de ser fiel ou apaixonado pela empresa cegamente, de qualquer forma.”
Se for assim.
Decidi conferir de novo.
“Ah, senhor. Você está em missão? A empresa reembolsa a corrida ou talvez monitore sua localização para relatórios…?”
“Humm… Não. Não fazem.”
O sargento respondeu com firmeza.
“Eles nem se importam mais o suficiente pra isso… E hoje em dia são mais flexíveis quanto a sair também.”
“……”
Beleza.
“Então… antes do nascer do sol, gostaria de dar uma voltinha comigo?”
“……!”
Desliguei a navegação embutida do carro e puxei uma nova rota no meu celular.
O destino… um local acessível pelas palavras-chave: “공감.주목.장난감”.
(Nota do tradutor: “Empatia, Atenção, Brinquedo.”)
O laboratório onde o dispositivo protótipo da Daydream Inc. estava guardado.
* * *
Estacionei o táxi no destino.
Assim que saí com o sargento, chamei por ele.
“Jay-ssi.”
O sargento levantou o olhar imediatamente. Não surpreso, mas quase com um suspiro de alívio.
“Ah, então o táxi não foi contaminado pela Escuridão…”
“…Como assim?”
“O trem expresso… às vezes a pessoa se contamina enquanto está nele, e… hum… acaba realocado para outro transporte, tipo motorista, sabe…?”
“……”
Espera.
Ele realmente achava que eu tinha sido tão contaminada por uma história de fantasma que virei motorista de táxi dessas histórias e estava só seguindo o fluxo todo esse tempo?!
‘Se eu tivesse pressionado demais, ele talvez tivesse fugido do carro.’
Um suor frio escorreu pelas minhas costas.
Que bom que esse mal-entendido não foi longe demais e ele saiu do carro na hora certa.
“Não é nada. Mesmo assim… obrigado por se preocupar comigo.”
“Sim… Que alívio…”
‘Quase tive a rara experiência de entrar direto na boca de uma história de fantasma…’
Suspirei aliviada por dentro e tranquei a porta do carro assim que o sargento desceu.
Então, de repente, uma pergunta me surgiu.
“Hum, mas… por que você resolveu pegar um táxi no meio da montanha?”
Não me diga que ele tentou ir a pé da montanha até a Estação de Seul e se perdeu…
“Montanha?”
Uma voz confusa.
“Eu… estava na frente da empresa.”
“…?!”
A explicação que veio a seguir foi essa.
Como esperado, o sargento tinha andado meio perdido, da frente da empresa até a Estação de Seul.
Era tão cedo que o transporte público estava parado, e aparentemente ele tinha esquecido como chamar um táxi.
E então viu algo.
Um táxi que estranhamente chamava atenção.
“E ouvi o rádio…”
“…!!”
“Ao ouvir o rádio, hm… me lembrei da vez que peguei um táxi antes…”
Então, mesmo desajeitado, ele seguiu o táxi impulsivamente e conseguiu pegá-lo.
……Só havia uma explicação possível para toda essa história.
‘…Braun!’
Tempo e espaço distorcidos, e o foco de um holofote.
Se fosse obra do apresentador dessas histórias de fantasma do showbiz, não era de se estranhar que deixasse uma impressão tão arrepiante.
E a forma como o sargento me reconheceu foi igualmente impressionante…
“O cheiro.”
“……!”
“Tenho um bom faro…”
Um comentário que, pra quem assistisse, seria extremamente convincente vindo de alguém marcado por uma história de fantasma animal com focinho…
De qualquer forma, agora tinha uma ideia geral da situação. Balancei a cabeça e me aproximei para mostrar algo a ele.
“Por aqui, por favor.”
Uma porta camuflada como uma tampa de bueiro, encostada numa parede em um beco.
“Seria melhor entrar e conversar com mais calma.”
Então abri a porta e desci.
“Oh…”
O sargento me seguiu com um murmúrio sem vida, mas no momento em que viu a plaqueta do laboratório, parou por um instante.
Sala de Incubação de Sonhos.
“……”
“Isto é… a empresa……”
“Acho que não.”
Abri a porta do laboratório e deixei o sargento ver o interior.
“Mas parece estar conectado.”
“……!”
Entre as pessoas que conheço, ele foi quem trabalhou por mais tempo na empresa, estava profundamente envolvido, mas não tinha interesses pessoais.
O ex-líder da esquadra B, um grupo de elite, baixou o olhar silenciosamente ao olhar para o laboratório de pesquisa fundamental da tecnologia farmacêutica da Daydream Inc.
“Jay-ssi, tem algo aqui que chame sua atenção?”