Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 339

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Agora há pouco no rádio... Será que o locutor acabou de falar o nome de um certo apresentador de programa sobre histórias de fantasmas que eu conheço bem?

Por um instante, achei que estava alucinando.

Dirigindo até um cemitério às 2 da manhã com um fantasma no banco do passageiro enquanto ouvia rádio. Parecia uma delírio razoável dadas as circunstâncias.

Mas então, uma voz saiu das caixas de som.

[Oh, meu Deus, mal sei como lidar com tanto elogio!]

"……"

Uma voz familiar.

[Sinceramente, é um prazer estar aqui. Deixe-me compartilhar minha história com a máxima sinceridade...]

Preciso desligar isso.

Não importa como eu veja, ouvir uma história de fantasma nota A ou superior dizer que vai falar com “a máxima sinceridade” não é

uma

boa ideia.

Principalmente com um fantasma sentado bem ao meu lado...

“Espera, não. Peraí.”

Se eu olhar por outro ângulo, não ajudaria a me distrair?

"Kekekekekekekekekekeradiobacana kekekekeke"

...o fantasma no banco do passageiro soltou uma risada.

Ou melhor, não era exatamente uma risada.

Era uma imitação do som de risada, uma onomatopeia.

Zoação, inquietante, distorcida.

Um medo puramente instintivo.

‘Ha.’

No fim, congelei no meio do movimento, mão pairando sobre o rádio.

O locutor de voz suave e o animado apresentador do programa estavam trocando gentilezas.

Foquei nisso, mantive os olhos na estrada escura à frente e continuei dirigindo.

[Ouvi dizer que o Coro do Purgatório enviou recentemente uma instrumento especial para a banda do Programa de Entrevista Noturno. Dizem que foi um presente de desculpas e gratidão. Se foi sincero ou...]

Papos típicos para quando um apresentador famoso é convidado num programa de rádio.

Atualizações, notícias, piadas internas, perguntas dos fãs.

Tudo seguia o formato costumeiro. Mas, se você ouvia com atenção, havia algo errado, algo perturbador.

Substantivos que não combinavam com os verbos. Detalhes impossíveis. Palavras costuradas para formar algo grotesco.

[Se o coração ou o cérebro é o verdadeiro assento do amor — nosso próximo convidado fez uma análise delicada sobre isso. Sua habilidade com dissecação foi impressionante! Definitivamente, sintonizem da próxima vez.]

[Oh, absolutamente! Obrigado. Esperem ansiosamente...]

"……"

Suor frio se acumulou na palma esquerda enquanto eu segurava o volante.

Em algum momento... o fantasma começou a me encarar.

Simplesmente me encarando.

"Hum... está gostando?"

"……"

"Perguntei se está divertido."

"Ah, desculpe. Tentei prestar atenção na estrada, peguei só pedaços... mas o apresentador é realmente um bom orador."

"Hehehehehehehehehehe."

Estou enlouquecendo.

E a transmissão continuava, doce e tranquila:

[O Programa de Entrevista Noturno sempre traz emoção, medo e alegria. Mas quando você não está comandando o show, Sr. Braun, que hobbies gosta de praticar?]

[Ah! Hobbies... piano, escolher um bom vinho, um banho relaxante — essas coisas são companheiras queridas da vida. Uma aflição crônica dos artistas, escolher só os hobbies mais inspiradores. E...]

[Conversar com um bom amigo é sempre uma alegria.]

"……"

[Um amigo seu, Sr. Braun? Podemos ouvir mais? Quem sabe uma ligação — aaAAAH — algo assim...]

Caramba.

[Ah, infelizmente, andamos meio afastados ultimamente. Uma ligação pode ser difícil.]

[Ah, que pena.]

[Ah, meu coração dói com essa perda! Mas felizmente...]

[Sei de alguns detalhes sobre as atividades recentes do meu amigo.]

Minha garganta secou.

"Com licença."

[Aparentemente, ele participou de um churrasco no supermercado. E até comprou um bichinho de pelúcia feio. Você acredita? Tão tolo, tão encantador. E...]

"Está um pouco alto... Poderia baixar um pouco?"

Minha mão tremeu ao alcançar o rádio.

[Ele está usando vidro no lugar do braço agora!]

"……"

[Oh, vidro? Não é frágil demais para funcionar direito? Devo dizer isso? Me diga que é isso que devo dizer? Não é mesmo?]

[Oh, com certeza. Estou muito preocupado... especialmente quando uma criatura tola e inútil está grudada no vidro também!]

Um fio de suor frio escorreu pela minha coluna.

[Que coisa lamentável—]

Consegui apertar o botão de desligar.

Click.

"……"

"……"

Um momento de silêncio.

[—decisão, de fato! Céus!]

Mas o rádio voltou a ligar sozinho.

[Que tristeza não conseguir falar com meu amigo por causa de circunstâncias infelizes. Eu gostaria de poder dizer a ele isto...]

"Por que o rádio não desliga? Você está sendo tão rude. Hum, se não for desligar, por favor, me deixe sair... Preciso sair, por favor, abra a porta..."

Então, a voz do fantasma baixou para um sussurro.

"E me ajude a descer também. Eu não consigo sozinho... Não tenho pés."

"……"

[Conseguimos confirmar se é possível falar com ele?]

Virei a cabeça.

Só então percebi. O fantasma no banco do passageiro não tinha pernas.

Mais precisamente, as duas pernas terminavam em cotos rasgados e dilacerados nos tornozelos.

Ele apenas fingia andar arrastando-os.

"Eu não consigo andar sozinho... Tenho que ir com você."

Ping, ping.

Sangue estava caindo.

Ou melhor, devia estar escorrendo o tempo todo.

Debaixo do banco do passageiro, agora encharcado, o sangue começou a jorrar descontroladamente, espalhando-se pelo chão, passando pela borda do banco.

Continuava a fluir até o lado do motorista, sobre meus sapatos, sobre os pedais...

[Hmm, só um instante.]

"……"

[Acho que não há necessidade de confirmar isso agora. Meu amigo com certeza está se esforçando também.]

A voz ficou mais profunda.

[Ah, um ditado famoso me vem à cabeça: 'Deus ajuda quem cedo madruga.' Em muitas culturas, frases parecidas persistem como uma espécie de magia. E nesse sentido...]

[Um amigo que está se esforçando certamente merece uma ajuda especial, também.]

Aquela voz calorosa e serena continuou.

[Você pode desligar o rádio agora, Amigo.]

"……"

[Oh, veja só. Temos uma visita.]

SCREEEEECH.

Consegui pisar no freio por pouco.

Quase bati em algo.

‘Haa.’

Uma mão apareceu contra o para-brisa, como a de um carona, com o polegar para cima.

Meu braço direito, a chama dokkaebi, imitou o gesto de joinha... e então abaixou.

Não.

Suor frio escorreu pela minha coluna.

Ao que parece, desliguei o rádio sem querer enquanto me atrapalhava com o volante.

"Oh? Uma pessoa... É uma pessoa, né?"

O fantasma ao meu lado pareceu desviar a atenção.

...Para o possível passageiro lá fora.

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