
Capítulo 338
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
A escuridão pairava sobre a Estação do Terminal de Ônibus Interestadual.
Claro que, para completar, também estava garoando.
O horário regular de funcionamento do transporte público havia terminado há muito tempo, as multidões desapareceram e o silêncio se instalou.
Apenas alguns táxis como o meu estavam estacionados em fila, aproveitando o acréscimo noturno e a ausência de outras opções de transporte.
"……"
Apertei firmemente o volante.
Três civis ficaram presos e não conseguiram sair depois de ver um fantasma no banheiro perto do Terminal de Ônibus Interestadual. Por volta da 0h45, eles foram resgatados em segurança e retornaram à realidade.
Agora, se o fantasma for devolvido em segurança ao seu local de origem, o fenômeno sobrenatural será encerrado.
E a pessoa encarregada de 'devolver o fantasma em segurança ao seu local de origem'... era eu.
'O agente Bronze disse que estará esperando no destino.'
Huu...
Sozinho no carro silencioso, respirei fundo.
Embora o fantasma já tenha perdido sua oferenda escolhida, não pode causar danos diretos ao motorista. No entanto, diversos fenômenos estranhos podem ocorrer dentro do veículo. Não entre em pânico e responda com calma.
Agora, deixe-me explicar o veículo designado para você.
E foi assim que acabei neste táxi quatro lugares, com pelo menos dois números 8 na placa.
Sentado naquele carro, mal consegui me segurar ao volante.
O fantasma vai conferir a placa no ponto de táxi e, em seguida, embarcará no veículo designado para você.
Eventualmente.
Da escuridão que se aproximava lá fora, surgiu uma figura de cabelos longos, espiando pelo para-brisa.
Ela estava... com a cabeça baixa, fixando o olhar na placa.
"…!"
Fiz o possível para impedir que minhas mãos tremessem no volante, fingindo estar calmo.
Se o motorista demonstrar agitação, o fantasma pode sair do táxi.
Nesse caso, o Desastre não será concluído. Tenha cuidado.
A silhueta de cabelos longos cambaleou estranhamente em direção ao lado do passageiro.
Então—
Toc, toc.
Destranquei a porta.
Uma pessoa com o rosto quase escondido pelos cabelos longos e vestida com uma roupa de verão desbotada e fora de época entrou.
Ao entrar, murmurou,
"Por favor, me leve ao Cemitério Sajiyuk..."
Click.
A porta do passageiro se fechou.
"Entendido."
"Esse carro tem uma placa boa. O número é... boaoitooitooitooitooitooitooito... boaoitooitooito..."
Quase desmaiei.
"É mesmo."
Fazendo o possível para soar calmo, digitei o destino no sistema de navegação.
Sajiyuk... Cemi...tério...
– Busca concluída.
Um local com um nome estranho demais para ser real foi, surpreendentemente, encontrado. O GPS iniciou a orientação da rota.
– Tempo estimado de chegada: 4h04.
"……"
Duas horas.
Mal pressionei o acelerador.
O carro começou a se mover, deixando para trás o Terminal de Ônibus Interestadual…
Vrrrrrrr…
O motor era o único som dentro do carro.
Agora eu teria que passar as próximas duas horas naquele espaço apertado com um fantasma.
Dirigindo. Sem sofrer um acidente.
"……"
"……"
Um frio estranho invadiu o carro.
O aromatizador de gesso no painel balançava, mas em vez de exalar um cheiro floral, emanava outro odor.
Cheiro de algo queimando.
Silêncio sufocante.
– Vire à esquerda em 200 metros.
Minhas mãos no volante quase se contraíram.
Até a voz impassível do sistema de navegação me arrepiava a espinha.
"……"
Fiz o possível para não demonstrar emoções. Mais precisamente, para não olhar para o lado.
Mas quanto menos eu olhava, mais aterrorizante ficava. O suor escorria nas minhas palmas, e eu não conseguia me concentrar direito na estrada escura à frente.
Talvez fosse melhor olhar logo! Não saber só piorava! A imaginação, a pressão... era insuportável!
'Só um pouquinho, só um pouquinho.'
"……"
Olhei para o banco do passageiro.
A mulher de cabelos longos estava sentada em silêncio…
Com o pescoço completamente torcido.
"Não consigo respirar."
Voltei a focar no volante.
"Algo está nos perseguindo!"
Olhos fixos na estrada.
Suor frio escorria pela nuca.
Eu não conseguia parar de imaginar o que acabara de ver. A cabeça dela totalmente torta, o rosto esmagado contra o encosto, só a parte de trás da cabeça aparecendo sob toda aquela cabeleira preta…
"Ei! Motorista, eu disse que algo está nos perseguindo! Olhe para trás, para trás!"
ATRÁS DE VOCÊ!
Virei a cabeça.
E…
"……Ah. É outro carro."
Chequei o retrovisor lateral.
"Fique tranquila, senhora. Não tem muitos carros na estrada agora, deve ser só esse aí que está acelerando. Vou continuar dirigindo com segurança."
"Ah, ssiim, dirija com cuidado, dirija com cuidado—"
"……"
Não voltei a olhar para o banco do passageiro.
Também não olhei para trás.
Me esforcei muito, muito mesmo, para não olhar para lugar algum…
'Isso não vai dar certo.'
Ha. Isso está me deixando louco. Eu não consigo, realmente não consigo…
Preciso de algum som. Qualquer coisa.
"Posso ligar o rádio?"
"Sim."
Forçando minha mão congelada a se mexer, liguei o rádio.
Ligar o rádio acalma temporariamente o passageiro fantasma.
[Bem-vindo ao romance noturno que te faz companhia nas horas profundas. Olá, aqui é o Rádio Romance da Noite Profunda com Kim Miyeong.]
A voz suave e estável da locutora do rádio afastou o medo por um momento.
'Huu.'
Finalmente pude respirar.
Mas o rádio não era a cura definitiva.
Embora se pareça com uma transmissão real, quanto mais tempo você escuta, mais perturbador o conteúdo se torna.
Acidentes de trânsito datados para uma semana no futuro, condolências para desastres que ainda não aconteceram, entrevistas com mortos e por aí vai.
Recomenda-se deixar a estação na transmissão inicial. Quanto mais você troca de frequência, mais estranho — e aterrorizante — o conteúdo tende a ficar.
Essa foi a razão de eu não ter ligado antes.
Só toquei o rádio agora como último recurso e ainda estava preparado para desligá-lo a qualquer momento. Por favor, por favor, por favor, que isso me dê um pouco de paz...
[Agora, vamos receber o convidado de hoje! Este é um programa que eu pessoalmente adoro assistir — sim, é o Talk Show da Madrugada!]
"……!"
[Temos um apresentador lendário na cabine do rádio esta noite. Todos, dêem as boas-vindas calorosas!]
[Apresentador do 'Talk Show da Madrugada de Braun', o incrível e maravilhoso Braun!]
...Espera aí.