
Capítulo 333
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Daydream Inc.
Uma empresa farmacêutica conhecida por realizar o improvável feito de produzir em massa poções com propriedades que realizam desejos.
As matérias-primas consistem em histórias de fantasmas.
…Isso foi tudo o que os <Registros das Explorações Obscuras> tinham a dizer quando a empresa foi apresentada pela primeira vez.
Como não havia explicações detalhadas, isso atiçou ainda mais a imaginação. A tecnologia bizarra, o misticismo, a crueldade, os vácuos. Tudo parecia arrepiante.
Mas, conforme a wiki cresceu, as pistas também aumentaram.
“Tramas começaram a ser adicionadas.”
Claro, nem mesmo a Daydream Inc. poderia ter surgido do nada, com uma tecnologia farmacêutica perfeita e desconhecida.
Mesmo parecendo assim na superfície, se você cavasse fundo, poderia deduzir suas origens e história… porque é isso que tornava tudo empolgante e divertido.
Com o passar do tempo, registros de exploração mais significativos foram adicionados aqui e ali nos Registros das Explorações Obscuras, e os leitores começaram a criar e teorizar várias conspirações sobre a Daydream Inc.
— O que afinal é a Daydream Inc.?
E o lugar que eu acabara de visitar… era uma evidência para a Teoria da Conspiração nº 2.
Teoria da Conspiração nº 2: a Daydream Inc. originalmente não era uma empresa farmacêutica.
A verdadeira origem da tecnologia farmacêutica da Daydream Inc.
“…Huu.”
Engoli em seco e comecei a observar a Sala de Incubação de Sonhos.
O laboratório coberto de poeira parecia uma sala de ciências de escola abandonada ou um laboratório em ruínas, desertado após o fim do mundo.
Tudo parecia morto.
Mesas de trabalho e equipamentos experimentais.
Frascos e armários cheios de líquidos não identificados.
E… um aparelho enorme no centro.
“……”
As luzes estavam apagadas e, sob um tubo de vidro vazio, havia um painel de botões e um teclado, uma máquina experimental antiga, direto dos anos 2000.
Incubadora de Sonhos
E ao lado, um registro de experimentos.
Era o mesmo mencionado nos registros de exploração.
Abri as páginas desgastadas e comecei a ler.
Cada página.
Toda a caligrafia limpa que certamente já havia preenchido o diário fora deliberada e meticulosamente obliterada.
Imundície, sangue, tinta e marcas de lápis cobriam cada superfície, afogadas em rabiscos apertados de loucura e gritos…
“Uurp.”
Joguei o registro no chão como se o estivesse descartando e senti um nó na garganta.
“Eu achei que conseguiria lidar com isso.”
Não consegui.
Pensei que ao menos tentaria restaurar o texto enterrado por baixo, mas desisti imediatamente. E não foi porque isso fazia parte de um artifício narrativo, como nos <Registros das Explorações Obscuras>, onde as informações são bloqueadas de propósito para criar suspense. Eu simplesmente não consegui.
Era simplesmente insuportável.
“……”
Agora eu me lembrava.
Aquelas eram as respostas dadas por um funcionário que, por mero acaso, conseguiu realizar transações no 'Mercado Sem Rosto' — uma troca subterrânea localizada dentro de um bueiro — sem revelar seu vínculo empregatício, durante o interrogatório interno da empresa.
Assistente Administrativo ■■■ : Sim! Fui eu quem descobriu. A máquina parecia velha, mas ainda funcionava bem. Também havia documentos confidenciais sobre poções de Essência dos Sonhos e alguns tipos específicos de Trevas. Tive medo que caísse nas mãos de gente de fora, então rapidamente… com licença?
Assistente Administrativo ■■■ : ……Você está dizendo que aquela instalação não pertence à nossa empresa? …Espere, então não foi contaminada por uma Treva, mas a empresa…… E-Espere, por que está apontando isso para mim—
…Aquela ata terminava com o funcionário anônimo sendo “eliminado” pela empresa.
“……”
Um calafrio percorreu minha espinha.
Algo sinistro pairava no silêncio do laboratório. Quis me virar e sair correndo imediatamente…
“Não!!”
Era hora de avançar para o próximo passo.
Rangei os dentes e olhei atrás da máquina.
Havia uma escrivaninha comum com um computador para digitação de dados e, debaixo da cadeira… algo pesado havia caído no chão.
Um cadáver.
Eu já sabia, mas mesmo assim estremeci.
O corpo, como se tivesse acabado de cair da mesa, estava ressecado e sem vida, como se tivesse morrido há muito tempo, o que tornava tudo ainda mais perturbador.
Mas eu entendi o que havia acontecido.
Os resultados da análise indicaram que as funções motoras do corpo cessaram há cinco anos.
Dadas as circunstâncias, presume-se que apenas os sinais vitais foram mantidos de algum modo.
Era o pesquisador final daquela incubadora, mantido vivo à força até que a nota do Mercado Sem Rosto fosse repassada para outra pessoa.
O dono da mão com quem eu havia feito a troca.