Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 328

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Quando as pessoas estão de mau humor, costumam andar olhando para o chão.

Hoje em dia é um pouco menos comum por causa dos smartphones, mas antigamente, provavelmente todo mundo já passou por isso pelo menos uma vez.

E assim, todos devem ter, ao menos uma vez, olhado distraidamente, mas com atenção, para algo na calçada ou na rua.

Uma boca de lobo.

Aquele círculo cinza que você vê aqui e ali ao longo do acostamento quando nada mais está acontecendo.

Uma passagem de manutenção pela qual os trabalhadores têm acesso aos canos subterrâneos de água.

Era algo conhecido por todos.

Então, pelo menos uma vez, eles devem ter olhado para aquela tampa redonda e cinza da boca de lobo e imaginado algo.

Alguém saindo de repente debaixo dela.

Ou... imaginando eles mesmos abrindo e descendo para dentro.

Claro, não era algo que se encontrasse facilmente na vida real.

Para começar, aquelas tampas não eram coisas que qualquer um pudesse levantar com facilidade. A maioria pesava mais de 100 quilos.

Então, normalmente, aquilo permanecia só na imaginação...

“Quando algo que você imaginou de forma casual no dia a dia acontece de verdade.”

Naquele momento, as pessoas não conseguiam deixar de se sentir curiosas e concentrar a atenção.

A história de fantasma que eu procurava começava daí.

“……”

Levantei a cabeça.

Era um beco escuro.

Risos, gritos e música estridente vinham de perto. As luzes piscando e o barulho pareciam tão próximos que, se eu virasse a esquina, ouviria tudo claramente.

Um bairro de entretenimento que nunca dormia.

Mas ali, naquele beco sombrio e parado, pairava um silêncio úmido.

Local da ocorrência: chão de concreto perto de distritos de vida noturna, como lugares lotados de gente embriagada pela animação de bares, baladas e bairros universitários.

E um único poste de luz iluminava o chão sujo de concreto do beco.

A tampa da boca de lobo estava lá.

No centro daquele pequeno círculo de luz opaca, simplesmente repousando ali tão casualmente quanto qualquer outro pedaço do asfalto da cidade, estava a tampa. Porém, havia algo estranho nela.

Estava um pouco levantada, e dela —

— saia uma mão humana.

“……”

Inexplicavelmente, um braço havia escapado pela tampa ligeiramente deslocada.

Cinco dedos pálidos balançavam sob o poste, suavemente oscilando.

Como se pedissem ajuda.

Braços já vistos anteriormente :

Mão de criança do ensino fundamental com unhas decoradas; uniforme de gari; manga de malha; uniforme escolar antigo; terno social; farda militar da divisão ■■; mão de idoso coberta de verrugas; mão sem unhas coberta por tatuagens ■■■.

Normalmente, aquela visão tão antinatural fazia as pessoas gritarem, congelarem no lugar ou correrem pra avisar alguém.

“Mas se estivessem bêbadas ou contagiadas pelo clima, talvez chegassem sem pensar.”

Era exatamente isso que essa história de fantasma buscava. Atrair as pessoas.

“……”

Me aproximei devagar do braço saído da boca de lobo.

Os dedos tremiam levemente.

Um passo. Depois outro. E quando restava aproximadamente o tamanho do meu corpo entre nós—

“Huu.”

Virei de costas.

Então, remexi na mochila que carregava, tirei um punhado de sal de um pacotinho que trouxe comigo e joguei por cima do ombro esquerdo, direto na boca de lobo.

KIIIIIIIEEEEK!!

Um grito estridente ecoou atrás de mim. Um som tão forte que ninguém acreditaria que foi causado só por um pouco de sal.

Veio junto um cheiro de podridão queimando.

‘Ugh…’

Uma fumaça densa subiu e se espalhou.

Mas eu não olhei para trás.

Se eu ficasse parado ali...

Em pouco tempo, o som e o cheiro desapareceriam completamente.

“……”

Só então virei a cabeça.

O braço havia sumido.

Restava apenas a boca de lobo escura, levemente iluminada pelo poste.

E, só um pouco, a tampa continuava entreaberta.

‘...Beleza.’

Depois de expulsar o “braço” com a oferenda de sal, a boca de lobo ficava temporariamente acessível.

Enchi os bolsos laterais com sal e me aproximei da tampa. O relevo e as inscrições na tampa, iluminados pela luz do poste, ficaram cada vez mais visíveis.

Normalmente, o anel externo de uma tampa indicava seu propósito e destino, enquanto o centro mostrava o logo da agência responsável pela manutenção.

Aquela tampa não era diferente. Olhando com atenção, podia identificar tanto seu “destino” quanto sua “autoridade responsável”…

Inferno

鬼鬼鬼鬼鬼

Aquela não era uma entrada de esgoto.

Era um acesso para outro lugar, outro mundo.

“...Ha.”

Segurei a tampa com as mãos trêmulas e empurrei.

Pesava.

Mas, lentamente, a tampa preta começou a deslizar para o lado, revelando o buraco escuro sob ela…

Thunk.

Não se via nada lá embaixo.

Um vazio profundamente desagradável.

“……”

Verifiquei de novo se minhas luvas, máscara e chapéu estavam bem colocados. Depois, salpiquei sal por todo o meu corpo e desci pela escada.

Tak. Ta-tak.

Fui me afastando do barulho lá em cima.

Qualquer sinal de luz ou vida desaparecia.

Para baixo. Cada vez mais.

Sozinho.

‘…Talvez seja mais assustador justamente porque estou sozinho.’

Um arrepio me percorreu a espinha, mas cerrei os dentes e continuei.

Eu era a mesma pessoa que havia sobrevivido quatro dias inteiros dentro daquele supermercado insano poucos dias atrás...!

‘Eu consigo.’

Com a mandíbula firme, segui descendo.

Depois de vários segundos, quando uma das minhas luvas já estava úmida de suor…

Splosh.

Meus pés tocaram o chão.

Ignorei o toque viscoso e nojento o máximo que pude e continuei de forma automática.

À frente, havia um esgoto apertado e escuro, onde eu nem conseguia me esticar completamente.

Estranhamente, não havia luz, mas o corredor sombrio era nitidamente visível.

‘Isso é realmente loucura.’

Suportando o silêncio gelado, a escuridão e o cheiro gelado, avancei mais fundo.

Para um lugar tão isolado que nem sinal de celular nem câmeras funcionariam…

E então, em algum momento.

‘……Achei.’

Comentários