
Capítulo 305
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Saímos da praça de alimentação do segundo andar.
Depois, subimos cuidadosamente pela escada rolante parada. Para não sermos notados por nenhum funcionário, até tiramos os sapatos e seguimos descalços, nos movendo o mais silenciosamente possível.
Paramos de conversar.
Passo a passo, em total silêncio, suor frio escorrendo pela nossa nuca.
E finalmente, ao chegarmos ao terceiro andar…
"Ah……"
Algo estava errado.
Originalmente, no antigo Lucky Mart, o terceiro andar era reservado para promoções por tempo limitado.
Várias bancas temáticas e rotativas ofereciam descontos variados todos os dias.
Mas o que vimos agora era…
"Q-Que é isso…?"
Aquela cena se repetia infinitamente.
Um supermercado sem fim.
Se os andares 1 e 2 simplesmente recriavam o passado do Lucky Mart, causando uma sensação estranha, a partir do terceiro andar o espaço se alongava infinitamente de forma bizarra.
Até agora, foram reportadas 3.611 bancas de eventos no terceiro andar do supermercado, cobrindo uma área de 232 km².
Sempre confirme de onde você partiu.
Se se perder, talvez nunca encontre novamente a escada rolante que leva para baixo.
Um labirinto gigantesco, como entrar no projeto maluco ou na pintura de uma mente perturbada, onde linhas infinitas de bancas e vitrines especiais se repetem, perfeito para enlouquecer alguém.
Por outro lado, isso significava que era mais fácil despistar ou se esconder dos funcionários.
Algumas áreas do supermercado supostamente ficavam meses inteiros sem que um único funcionário aparecesse.
'Também é ótimo para roubar comida ou itens essenciais sem ser visto...'
…Se você desistir de escapar, é claro.
Provavelmente é ali que o rastro dos inúmeros desaparecidos está espalhado.
Quem sabe até o Agente Bronze.
"……"
"……"
"Fiquem colados na parede. Se virem a porta de emergência, avisem na hora."
"S-Sim…!"
Nos encostamos na parede do fundo da escada rolante e avançamos devagar, entrando naquele caminho vertiginoso de prateleiras sem fim.
No ponto escuro da loja, iluminada apenas por luzes de emergência após o fechamento, uma esquina se repetia após outra entre as estantes.
[Promoção de Equipamentos para Acampamento]
[Liquidação de Temporada de Inverno]
[Promoção para Presentes de Casa Nova]
[Venda da Sua Carne no Looky Mart]
[Super Promoção de Utensílios para Limpeza de Primavera]
Logo, as placas começaram a ficar cada vez mais perturbadoras. Sempre que via uma daquelas bancas ou letreiros, desviava o olhar e escolhia outro caminho.
Por cerca de meia hora, cruzamos de uma banca à outra, confirmando a localização da escada rolante e a distância até ela.
Então, ouvi um som fraco.
Um ruído apagado, distante, vindo além da próxima fileira de prateleiras.
– ……
Acelerei o passo.
Pouco a pouco, o som ficou mais nítido, até que finalmente…
– Hã? Tem alguém aí…?
"Hã?"
O garoto do ensino médio levantou a cabeça de repente.
– Quem está aí? Precisa de ajuda?
Uma voz chamava lá de longe.
"É… mais uma pessoa…"
"Shh."
Abaixei-me junto com o garoto e dei um aviso em voz baixa.
"Pode não ser humano."
"…!"
"E… mesmo que seja humano, se estiver aqui há algum tempo, será que ainda está… normal?"
"…!!"
Não tinham a menor chance de estarem em sã consciência.
Aquela possibilidade era ínfima demais.
E o fato daquela voz soar tão amigável.
'Isso é perigoso.'
Era mais assustador se fosse uma pessoa.
– Ei! Você aí, é gente, né? Eu posso ajudar.
Começamos a correr, colados na parede. A voz de tom amigável continuava chamando:
– Se eu ficar falando, os funcionários vão aparecer. Eu sei a saída. Posso ajudar vocês.
O suor escorria na nuca do garoto. Continuei andando, medindo a distância até aquela voz.
– Depressa. Você não quer que um funcionário te veja.
'Droga.'
Deveria tentar dominá-lo, mesmo que por pouco tempo? Mas se os funcionários realmente aparecessem… certo, se for uma pessoa de verdade, talvez seja melhor deixá-la ser pega antes que chegue até nós.
Só seguir em frente… Espera um pouco.
'Aquilo…'
De repente, ao levantar a cabeça, algo apareceu na parede que estávamos seguindo.
Uma porta de metal.
Uma saída de emergência iluminada em verde. E…
Uma placa.
[ 3º ANDAR ↗ 4º ANDAR ]
"I-Isso…!"
Era ela.
A saída de emergência que levava ao quarto andar.
Corri até lá e agarrei a maçaneta de metal. Então, apressadamente, dei um aviso crucial ao garoto.
"Não importa o que aconteça, não suba aquelas escadas."
"Hã?"
"Depois que abrirmos a porta e entrarmos, fique parado ali — não se mexa, entendeu? Nunca saia daquele lugar."
O garoto assentiu, com medo nos olhos.
Certo.
Essa era a minha teoria.
Agente Choi: Parece normal, só uma saída de emergência antiga… Tem uma escada… Nada estranho… A porta de saída ainda está lá.
'…Mas quando ele começou a subir as escadas, a porta sumiu, certo?'
Ou seja.
—Se não subirmos as escadas, a porta no terceiro andar não desaparece.
Porque ainda não saímos realmente do terceiro andar.
Se essa suposição estivesse certa, aquele lugar seria mais seguro que qualquer outro.
'Não há registro de funcionários subindo até o quarto andar.'
Porque aquele andar nem faz parte do supermercado.
Então, o espaço dentro da saída de emergência que leva ao quarto andar seria uma zona segura acessível só por pessoas.
Isso simplificaria tudo.
'Posso até usar a comida que guardei na minha tatuagem ali.'
Porque, ao passar por aquela porta, não estaríamos mais dentro do supermercado.
Poderíamos ficar no patamar da escada e olhar pra fora às 10 horas todo dia pra ver se o funcionamento tinha voltado.
'É a aposta mais segura que temos.'
Tentar escapar com um garoto machucado sem um estoque infinito de Doces da Nostalgia… essa era nossa melhor chance.
Por mais assustadores que fossem os boatos sobre o quarto andar, tínhamos que encarar.
Rangei os dentes e abri a porta de metal.
Chiiirrrrr.
Fez exatamente o barulho descrito nos relatos, revelando uma escadaria antiga lá dentro.
"Vamos lá, cuidado."
"S-Sim…!"
Entramos juntos. E para evitar imprevistos, rasguei um pedaço de papel do meu bloco de anotações e o enfiei na porta para que ela não fechasse completamente.
De fora, ninguém percebe que ela está entreaberta.
'Ufa.'
Isso deveria ajudar a despistar aquela pessoa louca que vinha atrás da gente.
E, assim que respirei aliviado—
"A-Agente Grapes…!"
O garoto me puxou pelo braço, com a voz trêmula…
Apontando para cima.
"Olha…!"
Para as escadas.
Senti um arrepio e levantei a cabeça.
Alguém estava parado na escadaria do quarto andar.
Uma mulher pálida, com olhos fundos e cabelos curtos.
"…U-uma pessoa!"
Go Yeongeun.
Minha colega de turma que é ex-estudante de medicina.
"……"
'…O quê?'
Meu cérebro não conseguiu assimilar o que estava acontecendo.
Mas então percebi o que ela vestia.
Um distintivo de metal preso na gola, a identificação oficial dos agentes do Escritório de Gestão de Desastres Sobrenaturais.
'Ah.'
Palavras da minha memória vieram à tona.
– Dois agentes que entraram antes estão atualmente com status de desaparecidos temporários neste desastre.
O Agente Bronze tinha mencionado isso antes.
Havia dois agentes desaparecidos.
"…!"
E uma das pessoas desaparecidas era a espiã que havia se infiltrado no Escritório como recrutada nova.
Go Yeongeun.