
Capítulo 308
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Naquela escada escura.
Nós três nos agachamos, olhando para o chão.
Espalhei o papel preto que vinha com o kit, desenhando cuidadosamente padrões intricados para a vela.
Então sugeri,
“Vamos tirar uma carta cada um.”
“Huu…”
“Uau…”
Go Yeongeun e o garoto do ensino médio tiraram uma carta aleatoriamente pelo verso. As cartas deles determinariam os atributos da vela:
[Confusão]
[Sonho]
‘Nada mal.’
Estranhamente, combinava com o estado de espírito deles naquele momento, mas funcionou.
Agora era minha vez de escolher a última carta. Virei as cartas restantes para cima.
Honra, Cura, Meditação, Ferida, Engano, Ira, Interferência, Proteção, Golpe, Olhar…
‘Na última vez, escolhi “Engano”.
Usamos Honra, Interferência e Engano para enganar as máquinas automáticas da exposição e fingir que éramos clientes legítimos.’
‘Nesse caso…’
Escolhi sem hesitar.
[Proteção]
Uma ilustração de duas mãos segurando delicadamente um cristal lavanda brilhante.
Transformei as três cartas escolhidas em cinzas, polvilhei-as dentro do contorno feito com giz de cera da vela no papel preto e então dobrei o papel — exatamente como fiz uma vez antes.
Depois de esperar um pouco…
“Pronto.”
“U-Uau.”
Uma vela de um azul índigo pálido deslizou de dentro do papel dobrado e caiu na minha mão.
Obviamente, eu não poderia usar aquilo, e o garoto, que já vivia por um fio graças ao Doce da Nostalgia, também não.
Além disso, havia alguém ali com experiência direta.
Ofereci a vela a Go Yeongeun.
“Vou deixar com você de novo desta vez.”
“...Tá.”
Segurando a vela pronta, Go Yeongeun falou num tom sutil.
“Dessa vez, vou fazer direito.”
Com essas palavras, ela acendeu a vela recém-feita. A chama explodiu do pavio e.
Um portador de preces erguerá a vela para qualquer ser confuso, concedendo o poder dos sonhos e manifestando proteção.
E o portador será agraciado com uma bênção.
Visitante entre a Névoa
Whoosh.
A luz da vela brilhou sobre nós.
“Ah…”
Fiquei atrás de Go Yeongeun, com o garoto seguindo atrás.
Me lembrou quando Braun apagava as luzes. Mas mais frio, e mais etéreo.
Era como se uma névoa fria acompanhasse a luz da vela, envolvendo-nos…
“……”
Devagar, abrimos a porta e saímos para o terceiro andar.
Embora carregássemos uma chama numa loja escura e devêssemos nos destacar, de alguma forma parecia natural, como se estivéssemos envoltos em névoa.
E então esbarramos em um funcionário.
“Hiek—”
Cobri a boca do garoto quando ele fez um som.
O funcionário, fazendo um pequeno som ao se aproximar, simplesmente…
“……”
…passou por nós sem qualquer incidente.
“Ha…”
Go Yeongeun soltou o ar, mais aliviada do que assustada.
‘Graças a Deus.’
Dessa vez, o item alienígena provou seu valor novamente.
Mas, diferente da nossa experiência na exposição, a duração daquele item era uma preocupação ainda maior.
Teríamos que aguentar até a loja reabrir.
“Assim que a vela queimar até o fim, acabou, então temos que agir rápido se quisermos usar de novo quando o expediente recomeçar.”
“Entendi. Para onde vamos?”
“Aqui.”
Indiquei um ponto no mapa que Go Yeongeun tinha trazido.
Quando ela olhou, recuou horrorizada.
“…! E-Espere…”
“Vai dar certo. Vamos.”
“……”
Já estávamos com a vela, apagá-la por algum desentendimento seria uma péssima ideia.
Então, apesar de querer protestar, ela começou a andar.
‘Obrigada…’
Eu entendia o motivo da relutância dela. O lugar para onde eu estava indo…
[Vender sua Carne no Looky Mart]
…era uma barraca de “evento” bizarra, com uma placa insana.
“……”
Se as outras barracas apenas imitavam as promoções antigas do Lucky Mart, essas aberrações pareciam falhas, algo anormalmente encaixado.
Naquele ponto específico, não havia nada no chão branco além de fileira após fileira de grelhas.
E no silêncio, algo chiava na chapa.
“Hiieek.”
“Fica quieto.”
Coloquei a mão no ombro do garoto que começava a tremer. Ele não estava exagerando…
“Haa.”
Na grelha exposta na frente, uma carne carbonizada preta estava assando como demonstração... dava para ver de cara que era de algum bípede com uma forma assustadoramente familiar.
Provavelmente pessoas desaparecidas, reaproveitadas como “suprimentos” da loja.
‘Já senti vontade de vomitar.’
Mas me contive.
Acima de nós, um banner.
...Exatamente como as anotações do agente indicavam.
Evento Instantâneo de Churrasco!
Participe vivo e ganhe um cupom de presente garantido!
Um cupom de presente.
Quem diabos quer ganhar um cupom numa lugar desses? Isso só atrairia as pessoas desaparecidas há muito tempo, e elas atacariam você. Elas praticamente não são mais humanos — nem adianta tentar salvar.
Mas, por enquanto, conseguimos nos misturar temporariamente ao ambiente do supermercado, nossa presença amparada pela névoa protetora da vela.
Toquei de leve no ombro de Go Yeongeun.
“Você pode se afastar um pouco? Preciso ficar na frente de uma dessas grelhas vazias.”
“Hã? E-Espere um pouco, isso…”
“Tá tudo bem.”
Não estava.
Eu realmente queria que outra pessoa fizesse isso.
‘Será que tem alguém são o suficiente para isso?’
Mas…
Uma das minhas companheiras estava presa na escada, contaminada há mais de uma semana. O outro, era um menor civil.
Não eram exatamente pessoas que eu poderia colocar numa situação tão extrema.
Além disso, era uma oportunidade.
‘Eu preciso daquele cupom.’
Se eu encarasse isso, conseguiria a moeda diretamente, podendo controlar como ela seria usada.
‘Quero empurrar meu próprio plano de fuga, então preciso tomar a frente.’
Rangei os dentes.
...Primeiro, usei uma seringa do Happy Maker para não entrar em choque. Minhas mãos tremiam.
‘Calma... Fica calmo.’
Dos itens que roubei no caminho até aqui, puxei um, tentando não deixar os dedos trêmulos cair.
Uma enorme faca de açougueiro.
A lâmina brilhava cortante.
“E-Ei...!”
“Tá tudo bem. Desde que a gente não estrague o item e devolva ao estado original, a loja não registra como compra.”
“Esse não é o problema, agente—!”
Levei a faca de açougueiro ao meu próprio antebraço direito.