Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 298

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Um supermercado estranho, poucos momentos antes do fechamento.

As luzes se apagam e a loja fica às escuras.

Na-na-na-na, na-na-nan-na-na-na, na-na-nan~

Em meio ao animado jingle da marca, eu podia sentir a respiração em pânico do adolescente que tinha a boca tampada, transmitida em vibrações.

Meu corpo inteiro estava tenso, no limite.

E além do barulho da música e dessas vibrações, ao longe, um som fraco de raspagem mexia com meus nervos…

Riiiisque.

Uma porta de metal se abriu.

Se tem uma porta de metal em algum lugar neste supermercado e não de vidro…

'…A área dos funcionários.'

Era o som de funcionários saindo.

'Ha.'

Engolindo um suspiro que ameaçava escapar, virei a cabeça e espiei por trás da gôndola…

Vamba, vamba.

Figuras com uniformes da loja começaram a aparecer na escuridão, uma por uma…

Como balões moldados para imitar formas humanas, esses ‘funcionários’ bizarros andavam desengonçados.

[ LOOKY MART ]

O logo da Looky Mart, imitando o Lucky Mart.

Um troféu tosco preso nos bonés e nos peitos deles piscava brevemente sob a luz, para depois sumir novamente na escuridão.

Naquele momento.

“Vamos logo, eles disseram que vão fechar.”

“Tá.”

Alguém passou pela seção de bebidas alcoólicas, bem ao lado de onde estávamos escondidos, indo em direção ao caixa.

“…!”

Eram dois ou três daqueles consumidores de outra época ainda na loja.

Então… um dos ‘funcionários’ que entraram na seção de bebidas esbarrou neles leve.

Tap.

“Ah, desculpa.”

A cabeça do funcionário virou.

“Bem-vindo à Looky Mart!”

“Vamos logo.”

“Obrigado por comprar conosco!”

Os clientes não perceberam nada estranho.

Eles só passaram pelo funcionário e seguiram para o caixa…

O adolescente cuja boca eu tapava continuava respirando de forma ofegante.

“Adeus, querido cliente!”

A figura do funcionário, ainda de cabeça virada, rangeu ao sair da seção de bebidas.

Depois, naquele estranho andar arrastado, seguiu pelo corredor novamente…

Passando pela área de salgadinhos.

Bem ao lado da gôndola onde estávamos agachados.

Riiiisque, riiiisque.

“……”

“……”

O som assustador parecia balões se esfregando uns nos outros.

Nos praticamente grudamos no chão, prendendo a respiração.

Riiiisque… riiiisque.

O som foi ficando distante…

“……”

'Ha.'

Tap-tap!

Um dos adolescentes bateu de leve na mão que cobria sua boca.

Ele estava todo choroso, mas continuava em silêncio.

“Você não vai gritar mais, certo?”

Ele assentiu sem uma palavra.

Quando soltei, o estudante deu um suspiro como se tivesse estado sufocado.

“Es-esses funcionários estranhos... A gente não pode deixar eles nos verem, né? Né? O folheto dizia…”

Exatamente.

Depois que o Looky Mart fecha, os funcionários começam a fingir que continuam operando a loja, mas agem de forma bizarra. Se algum deles te vê, todos os funcionários daquele andar viram atrás de você.

Para sobreviver no Looky Mart depois do expediente, você tem que se mover como se estivesse num jogo de survival horror.

Mas… será mesmo seguro sair com esses dois adolescentes desavisados?

'Por mais que eu olhe, o equipamento que me deram não parece adequado pra essa situação.'

Eles deviam achar que sairíamos durante o horário de funcionamento.

Com certeza a Agência de Gestão de Desastres deve ter algum plano B, mas ainda parecia que havia muitas variáveis fora de controle.

'Droga.'

O suor frio escorria pelo meu queixo.

Será que deveríamos simplesmente ficar escondidos? O que o Agente Bronze está planejando? Talvez o melhor seja ficar na moita por enquanto?

Espere!

‘Ele parece prestes a atacar aquele funcionário…’

O Agente Bronze, com a pistola na mão, observava silenciosamente o funcionário que se afastava.

Parecia que ele estava planejando uma rota de fuga, mas aquele funcionário podia atrapalhar.

…Será que devo ajudá-lo?

Se Braun estivesse aqui, teria pedido para ele ativar sua habilidade ‘Luzes Apagadas’… Não. O fato de esse método, que eu nem podia usar agora, ter sido a primeira coisa que me veio à cabeça como prioridade… Eu tive que cortar esse pensamento na hora.

‘Pense, pense…’

Forçava a mente, vasculhando minhas memórias dos Registros da Exploração Sombria o mais rápido que podia.

Então, depois do horário de fechamento, Looky Mart…

……

Não, espera.

[ 20:25 ]

"Agente...!"

Engatinhando até o Agente Bronze, sussurrei com urgência.

“Ainda faltam cinco minutos para o fechamento. O horário de funcionamento não acabou!”

“…!”

“As portas ainda devem estar abertas.”

Podemos sair agora mesmo!

O Agente Bronze olhou rápido para além da escada rolante perto do caixa. Ao ver que a escada rolante para sair do subsolo ainda estava funcionando, decidiu na hora.

“Vamos sair. Agora.”

Então, agarrando o adolescente que se apegou a ele, começou a se mover rapidamente.

“…!”

Certo. Cada um de nós precisava levar um deles.

Eu me virei para o adolescente cuja boca eu havia acabado de tapar.

Ele balançou a cabeça, assustado.

“Eu corro sozinho, sou mais rápido que eles…!”

“……”

Talvez eu devesse parecer um pouco mais confiável? Não, não era hora de pensar nisso!

Comecei a correr junto com o adolescente, empurrando pelas costas para que ele não ficasse para trás.

Corremos pelos caixas vazios, atravessamos a escada rolante onde os clientes ainda subiam, numa corrida louca rumo à saída antes do fechamento.

“Ah!”

“Você tá bem?”

“Sim. Acho que escorreguei num degrau.”

Ignorando a multidão, nos espreitamos entre os clientes, correndo para a saída minutos antes do fechamento da loja.

E na entrada do primeiro andar…

“……”

Algo estava parado na frente das portas.

Parecia um daqueles anúncios de papelão recortado.

O sorriso clássico e confiável de um homem branco loiro de meia idade, presumivelmente o famoso empresário fundador do Lucky Mart, fazendo sinal de positivo com o polegar.

Mas…

Ele estava vivo.

– Mmph!! Uuuurgh! Mmph, mmph! Uurgh!

Quem quer que fosse, tinha sido esmagado à força numa forma como um display, como se um cadáver humano tivesse sido prensado numa forma bidimensional e depois reanimado.

Embora sorrisse, os olhos rolavam sem controle, com lágrimas e saliva escorrendo.

Ele estava olhando para nós.

…Ele nos reconhecia.

Seus olhos vagavam desesperados, como se implorasse por ajuda — ou talvez tentasse passar seu tormento para outra pessoa —, enquanto o display tremia…… Droga!

"Eek."

"Silêncio."

Mais adiante, eu via o Agente Bronze acalmando o adolescente que conduzia.

‘Fantasma’ é uma palavra tão abrangente. Ela consegue encaixar esse tipo de monstruosidade numa só definição.

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