
Capítulo 293
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Kim Soleum, ainda com a cabeça baixa, fez um pequeno aceno.
Foi como se um martelo tivesse batido na parte de trás do crânio de Ryu Jaekwan.
“Não pode ser…!”
Seu olhar varreu o outro homem mais uma vez.
Aquele era alguém que já fora organizado, calmo, meticuloso.
Mas agora, reagia a tudo ao seu redor com uma hesitação silenciosa e cuidadosa.
Como alguém que havia sido... irreversivelmente marcado por um longo e angustiante período vivido dentro de um pesadelo.
“Não me diga... você fez isso de propósito—”
“Não, senhor.”
Claro.
Quem em sã consciência escolheria ficar preso em uma história de fantasmas por mais de um mês?
Especialmente alguém que já tinha passado por esses incidentes pessoalmente enquanto trabalhava lá.
“Mas depois que saí, eu não avisei a empresa... de propósito.”
“……!”
Ryu Jaekwan reagiu instintivamente.
“Porque essa era a única maneira... de sair sem alarde—sem ‘causar problemas’?”
“……”
Kim Soleum respirou fundo—e enfim assentiu.
“Sim.”
Mentira.
A Daydream Inc. era o tipo de lugar que, se alguém quisesse sair, acenaria alegremente dizendo: “Dobby está livre!”
Não era que não deixassem você sair.
Era só que ninguém jamais o fazia — porque significava jogar fora todos os pontos que tinha acumulado com tanto esforço.
“Não me arrependo, senhor.”
Mas para Ryu Jaekwan, um agente que desconhecia o funcionamento real da empresa, a situação parecia um caso clássico de fuga de seita.
Uma vítima de trauma psicológico, TEPT, gaslighting, que sofreu tanto que precisou forjar a própria morte para escapar...
“Hum... quero dizer, sei que não posso impedir se decidir me denunciar, mas... por favor, não torne isso público, senhor...”
“……”
Ele tinha medo de ser rastreado pela Daydream Inc.
Ryu Jaekwan percebeu isso imediatamente.
Mas não demonstrou externamente. Apenas apertou o cerco.
“E seu ‘desejo’? Era por isso que você trabalhava para eles, não era?”
Kim Soleum, ainda com a cabeça baixa, soltou uma risada pequena e vazia.
“Isso… não importa mais.”
“……!”
“Aconteceu algo enquanto eu trabalhava lá. O progresso que eu tinha acumulado pelo meu desejo foi completamente zerado.”
“……”
“Foi aí que finalmente percebi.”
O sistema Wish Ticket da Daydream Inc. realmente concedia desejos.
Mas a empresa podia decidir, a qualquer momento, negar a recompensa a alguém.
Completamente a seu critério.
De forma absurda e injusta.
“Que eu estava jogando minha vida fora, trabalhando indefinidamente naquele lugar de pesadelo por algo que podia ser apagado num piscar de olhos...”
Ryu Jaekwan cerrou os dentes.
As palavras “Eu te disse para não acreditar nessa bobagem de desejos” quase escaparam, mas de alguma forma ele se conteve.
“Ah! Não se preocupe. Já que oficialmente estou declarado morto… não posso mais acumular pontos nem resgatar nada.”
O sorriso amargo desapareceu lentamente do rosto de Kim Soleum.
O que restou foi vazio.
“E quando isso aconteceu... eu não tinha mais nada a fazer.”
“……”
“Então… lembrei do cartão de visita que você me deu e me candidatei ao Bureau de Gerenciamento de Desastres.”
Depois, ele se encolheu um pouco.
“…Se te ofendi, peço desculpas.”
De repente, Ryu Jaekwan sentiu como se tivesse pressionado alguém por algo completamente injusto.
Uma culpa que se alojou fundo no peito.
Era o tipo de culpa que alguém sentiria se, depois de resgatar um civil de um desastre sobrenatural, agarrasse o pescoço do civil e exigisse uma explicação detalhada do que havia acontecido.
Aqui estava uma vítima que tentava, contra todas as probabilidades, viver moralmente apesar das circunstâncias. A culpa de pressionar psicologicamente alguém que mal escapara do controle imoral de uma empresa corrupta...!
Durante a entrevista, Ryu Jaekwan havia-o destacado, chegando a colocá-lo sob escrutínio excessivo? E ainda agora, o chamava à parte e praticamente o interrogava?
Além disso, Kim Soleum já havia perdido tudo — seu objetivo, sua afiliação, até mesmo aquilo que o mantinha ligado àquela empresa.
Ryu Jaekwan pensou,
...E, ainda assim, talvez com alguma esperança, Kim Soleum escolheu vir até aqui.
O trabalho que a Divisão de Gerenciamento de Desastres Sobrenaturais realizava — proteger os cidadãos de desastres sobrenaturais, fantasmas, seres desconhecidos e fenômenos inexplicáveis — era o completo oposto do que a Daydream Inc. representava.
Dadas suas experiências anteriores, se Kim Soleum havia entrado nessa agência com uma fagulha de esperança ou um sentido de propósito—
“Então...”
Ryu Jaekwan fechou o punho.
* * *
“Ele não vai me socar, vai?”
Encarei, com suor frio formando na testa, enquanto a mão do Agente Bronze se fechava em punho.
Eu havia dito tudo que precisava.
“Parece que ele está acreditando.”
Então, por que diabos ele estava fechando o punho?!
Manteve minha cabeça baixa, com o rosto cuidadosamente neutro, e esperei em silêncio alguns segundos. E então…
Bbee-bee-bee-bee-beep!
“…!”
O relógio no pulso do Agente Bronze disparou um alarme estridente.
“...Espere aqui.”
“Sim, senhor.”
Ufa.
“Então é por isso que ele fechou o punho.”
Click.
No momento em que o Agente Bronze saiu, soltei um suspiro longo e afundei no chão.
Haa.
“A única vez que já menti tanto para uma pessoa boa foi num jogo de máfia...”
E agora eu estava enganando um servidor público para espionar uma agência governamental.
Estava suando frio pra caramba. Do jeito que as coisas estavam, acho que poderia tomar banho nesse suor gelado.
Mas o que importava era...
“Ele acredita em mim, né?”
Parecia que sim.
Reparei como o Agente Bronze falava cada vez menos, e seu olhar se transformava em algo quase compassivo.
Desde que aquela compaixão não fosse do tipo reservado a criminosos a caminho de uma cela de segurança máxima, então “Candidato Kim Soleum” não estava mais sob suspeita.