
Capítulo 287
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
A noite em que Kim Soleum concordou em se infiltrar no Escritório de Gestão de Desastres como espião...
Naquela mesma hora, na sua unidade na moradia da empresa, Baek Saheon desfrutava do maior luxo da sua vida recente.
Ou seja — o fato de seu colega psicopata ter desaparecido!
Aquele desgraçado, sempre metido onde não devia... Baek Saheon achava que aquele cara acabaria morto algum dia.
Ele sorriu com profunda satisfação.
Claro, o quase idêntico líder maluco da D-Squad o perseguia incessantemente com entrevistas sobre o Expresso Tamra.
E sim, por causa disso, ele tinha passado por uma contaminação profunda e assustadora. Mas agora as coisas tinham se acalmado. Ele até conseguia pensar em conversas “legais” — droga, seja lá o que fosse — sem vomitar ou pirar.
O que significava que finalmente poderia usar a Sala de Aconselhamento Fox.
De graça!
“Normalmente, é preciso ser pelo menos supervisor para ter acesso a esse benefício... mas o acordo não foi nada ruim.”
Graças à intervenção do chefe da seção da D-Squad, Baek Saheon tinha conseguido um crachá só para ele na Sala de Aconselhamento Fox. Isso já era uma grande vitória.
E o melhor? Aquele terapeuta meio macabro sempre dava crachás extras depois das sessões.
Graças ao “tratamento” que recebeu na empresa, ele tinha permissão para usar o serviço “até se recuperar o suficiente”.
O que significava...
“Eu poderia passar um crachá para outra pessoa se jogar minhas cartas do jeito certo.”
Nesse ritmo, dava para enrolar por pelo menos mais três meses — até conseguir a promoção.
Mas antes disso — naquela noite, ele usaria o serviço ele mesmo.
Cantando baixinho, Baek Saheon caminhou até o quarto de seu saudoso ex-colega e colocou o crachá na porta.
Mas ao empurrar a porta...
“...Ah. Estão fechados hoje.”
“...??!!”
Um funcionário de escritório, de cabelos escuros e olhar afiado, estava logo além da entrada, falando com ele casualmente.
Então saiu da sala.
Um rosto que Baek Saheon jamais conseguiria esquecer.
Era... era...
“...K-Kim Soleum.”
Seu ex-colega — oficialmente desaparecido e dado como morto — olhou para ele...
E sorriu maliciosamente.
O quê?
…Q-que???
“……??!”
A mente de Baek Saheon entrou em parafuso.
‘I-Isso é um sonho?’
Será que ele tinha caído em algum tipo de hipnose na Escuridão?
Porque, se não, por que diabos um lunático dado como morto e desaparecido estava saindo despreocupadamente da Sala de Aconselhamento Fox?!
Estalo!
Baek Saheon deu um tapa na própria cara.
A bochecha queimava.
Ok. Não era sonho.
‘Droga.’
Ele sentia o olhar de pena de certa pessoa, como se fosse um idiota que acabara de se bater no rosto.
“...Hm. Agora entendo por que você tentava agendar uma sessão.”
“...?!”
“Mas estou dizendo, está fechado hoje. Tira seu crachá e tenta de novo depois.”
Solto.
Kim Soleum saiu completamente da sala e fechou a porta atrás de si.
Depois, com força física — e não espiritual — arrancou o crachá da porta e o jogou de volta para Baek Saheon.
“...!”
No reflexo, ele o pegou.
“Mas, hein... justo agora você tinha que abrir a porta?”
“……”
“Não esperava trombar com você assim.”
Baek Saheon engoliu em seco.
A mente rodava loucamente tentando absorver o absurdo da situação.
Mas, em meio ao choque e confusão, uma certeza lhe atingiu.
Uma luz persistente brilhava na sua visão, bem atrás do tapa-olho.
Alarmes internos dispararam.
—Acabei de ver algo que não devia ter visto.
Se um funcionário declarado morto pela empresa estava vivo na sua frente...
Significava que havia algum tipo de acobertamento — seja pela corporação, ou algo ainda maior.
‘E usaram a mim como testemunha do desaparecimento dele...!’
Baek Saheon forçou-se a não pensar na pressão horrível e alucinante que sentiu quando o interrogaram sobre o último paradeiro conhecido de Kim Soleum.
A cabeça latejava com uma mistura de raiva, inquietude e puro instinto de sobrevivência.
Mas, acima de tudo — um alerta disparou dentro da sua mente.
‘……Espera. Se esse psicopata está vivo aqui...’
Será que eu deveria...
Será que eu deveria estar vendo isso?!
“……”
“……”
A maneira mais eficiente para um psicopata eliminar um problema seria...
—Erradicação.
‘N-Não!’
Baek Saheon corrigiu imediatamente essa linha de pensamento absurda.
Era a era moderna — quem é que usaria um método tão primitivo?!
‘E esse desgraçado ainda tem minha caneta de controle mental.’
O mesmo objeto que ele trocara pelo olho.
Certo. Esse cara com certeza ia hipnotizar Baek Saheon ali na hora. Eles podiam simplesmente seguir a vida como se isso nunca tivesse acontecido. Uma solução simples disponível — então não precisava —
“Você quer que eu apague sua memória com a caneta, não quer?”
“...!!”
Os pensamentos de Baek Saheon pararam abruptamente.
“Mas eu não vou fazer isso.”
A mente dele passou por todas as opções possíveis — socar, usar seus equipamentos especiais, pedir ajuda, implorar pela vida...
E no momento em que considerou todas, as descartou.
‘N-Nem pensar.’
Se ele fizesse um movimento errado, não dava para prever o que esse lunático faria.
Por mais que odiasse admitir, Kim Soleum era implacável e eficiente como um psicopata de verdade.
Se quisesse evitar ser arrastado para um inferno ainda maior — ou pior, morrer na hora — precisava manter a calma.
O que esse maluco diabólico quer?
Será que ele realmente veio me matar...
‘...Não!’
Uma faísca de percepção atingiu Baek Saheon enquanto ele arrumava as peças na cabeça.
—Esse cara quer alguma coisa.
Aquele desgraçado estava parado ali porque queria algo.
Baek Saheon controlou a respiração.
Cruzou os braços, tentando parecer calmo.
“...Então, pelo visto, você está aqui porque quer algo, Supervisor?”
“Mm.”
Já sabia!
“...Ah. Você precisa do meu testemunho ou alguma coisa? Tipo da última vez? Quer que eu relate para a empresa que acho que te vi na moradia?”
“Não.”
Droga.
Baek Saheon engoliu os palavrões que ameaçavam escapar e forçou uma expressão séria.
Kim Soleum, por sua vez, observava-o com um sorriso divertido e tranquilo.
Agora que Baek Saheon olhava melhor, o sujeito ainda usava roupa formal, mas o cabelo estava um pouco mais curto e ele tinha uma tala no braço.
Não estava em plena forma, então.
Onde diabos ele se machucara?
E o terno — era um pouco diferente.
Parecia... estranhamente sofisticado. Nada que um funcionário comum usasse. Era feito sob medida, estiloso — quase como algo para ser mostrado...
‘Como algo usado na TV...’
...Hã.
Algo naquele pensamento quase se encaixava —
Então Soleum falou.
“Você parece ser bem ganancioso com itens.”
“...!”
“Não se contenta com migalhas — quer coisa boa. Hipnose, supressão, cura... Não gostaria de ter itens mais úteis assim?”
O desejo explodiu, jogando todos os outros pensamentos para longe.
Baek Saheon ergueu a cabeça de repente.
Kim Soleum sorria.
“Então me mantenha atualizado sobre o que rola dentro da Daydream Inc. Me mande relatórios regulares.”
“……”
Ele estava propondo um acordo.
Um acordo de informações.