Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 289

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Ryu Jaekwan se lembrava claramente.

A cabana na montanha onde ocorreram assassinatos em série.

A pessoa que, apesar de presa naquele desastre horrível, conseguiu encontrar pistas para evitar novas mortes e ainda tentou salvar os verdadeiros culpados.

Aquele que possuía o Coração de Prata.

– As pessoas ficaram escondidas enquanto encenávamos suas mortes. Usar partes reais dos corpos fez com que ninguém suspeitasse de nada.

– Pensei que o verdadeiro assassino poderia ficar confuso e calar-se se eu agisse primeiro.

E também, a devoção e o sacrifício que ele demonstrou naquele estranho pesadelo chamado Escola Técnica Sekwang.

– Eu consegui uma carteira funcional, mas não a tenho mais comigo.

– Dei para a pessoa que estava viva na sala de aula.

Entregar uma tábua de salvação a alguém em uma situação extrema não era algo que qualquer um poderia fazer.

Ryu Jaekwan, que já tinha visto todo tipo de gente no Departamento de Gestão de Desastres, ficou sem palavras diante de escolhas tão firmes.

Claro que, ao mesmo tempo… ele também descobriu a chocante verdade de que o dono do Coração de Prata não era um civil inocente.

– …Roe Deer?

Uma pessoa tratada como mera ferramenta por uma farmacêutica imoral e insana.

Um funcionário tolo e egoísta, fascinado pela absurda promessa de um “Bilhete do Desejo”, como um seguidor de seita.

Esse era Kim Soleum.

O fato de Ryu Jaekwan ter chegado a dar a alguém assim uma carteira temporária de agente o fez arrepiar.

Sem dúvida, foi um erro.

– Vocês dois. Me deixem aqui.

"……"

Às vezes, as atitudes de uma pessoa revelam mais do que qualquer descrição poderia.

Mesmo com um buraco no estômago, ele deu prioridade à segurança da colega e do agente que viajavam com ele.

Kim Soleum.

Agora, aquele mesmo homem estava do outro lado do vidro.

Se candidatando ao exame para agente do Departamento de Gestão de Desastres.

"……"

Mas, estranhamente, havia algo diferente nele.

‘…Por que ele não me encara nos olhos?’

Kim Soleum sempre parecia organizado e calmo, mesmo nos encontros passados. Mesmo quando foi arrastado para aquele pesadelo ainda no colégio, sua aparência permanecia impecável.

Mas agora, a pessoa além do vidro tinha cabelos despenteados e desgrenhados, mantenha a cabeça baixa, com os óculos quase caindo.

Como alguém fazendo sua primeira entrevista de emprego, perdido em meio à multidão.

Ou talvez…

Alguém que recebeu um golpe forte na mente e se fechou em si mesmo.

'……'

Mesmo assim, Ryu Jaekwan estreitou os olhos cansados e desconfiados através do vidro.

O nome estampado claramente na ficha de pessoal em suas mãos.

Nome: Kim Soleum

Era isso.

‘Sem histórico de trabalho na Daydream Inc.’

Além de um breve registro da época da universidade, a seção de histórico profissional estava completamente em branco.

Ryu Jaekwan cerrou a mandíbula.

Era tão óbvio que quase dava para rir.

‘Será que ele está infiltrado como espião daquela empresa tipo seita?’

Era possível. Na verdade, muito provável.

‘Será que ele realmente achou que eu não reconheceria o nome dele e se candidataria descaradamente assim?’

Como se achasse que passaria despercebido.

…Ele precisava ser investigado a fundo.

Não podia se deixar enganar pelas aparências.

– Me dá.

– “Ack…!”

O Agente Bronze arrancou o microfone do entrevistador assistente, sua voz completamente sem emoção enquanto assumia o controle da sessão.

– Candidatos 1, 2, 3, 4.

– Coloquem as máscaras de oxigênio à sua frente, por ordem.

Os candidatos hesitaram ao pegar as máscaras de oxigênio dispostas no centro da sala.

Manchadas de sangue, com tubos partidos — como se alguém tivesse sabotado de propósito.

Elas não deveriam funcionar.

Mas, inexplicavelmente, as luzes indicadoras acenderam com sucesso.

Os candidatos engoliram em seco.

Mas nenhum recusou.

Cada um colocou a máscara de oxigênio no rosto.

Um frio cortante percorreu suas mãos e pés.

– Essas máscaras têm origem em um desastre sobrenatural. Uso incorreto pode trazer consequências terríveis.

– A partir deste momento, sempre que vocês mentirem, serão fornecidas substâncias que não são oxigênio.

"…!"

Do outro lado do vidro, os candidatos estremeceram e fecharam os olhos com força, o medo tomando conta das expressões.

Até o candidato 4, Kim Soleum, recuou um pouco.

Sim. Ele deveria estar com medo.

Principalmente se estivesse infiltrado ali para cometer algo tão desprezível quanto espionagem.

– Falem apenas a verdade.

Um teste psicológico, usando o poder de um “fenômeno sobrenatural” liberado para uso limitado pelo Departamento de Gestão de Desastres.

Um detector de mentiras.

Uma ferramenta para detectar a má intenção.

Um processo para expor criminosos.

Uma salvaguarda essencial para a integridade ética.

Ryu Jaekwan encarava através do vidro.

Os candidatos sentaram imóveis, os rostos rígidos por baixo das máscaras de oxigênio.

– Agora, começaremos o questionário.

Uma pergunta implacável e universal veio em seguida.

– A partir deste momento, vocês devem escolher um dos quatro candidatos aqui para eliminar.

"…!!"

– Essa é uma ação necessária para resolver um desastre sobrenatural.

– Digam quem irão matar.

Os lábios dos candidatos tremiam de choque.

Ninguém respondeu até então.

Mas na sala de observação, além do espelho, os entrevistadores já “recebiam respostas”.

Candidato 1:

M-Matar alguém? Vocês estão loucos?!

Candidato 2:

…Quem eu devo escolher? Talvez dizer que não mataria ninguém seja a resposta certa? Não, será que agentes precisam ser implacáveis? Ai, que droga…

Candidato 3:

Que porra é essa? Eles estão falando sério?! Devo primeiro observar a pessoa do meu lado?

Cada pensamento estava registrado com clareza na tela, junto aos seus números.

Em vez dos pulsos cardíacos que o aparelho seria originalmente programado para mostrar, a tela exibia algo anormal — texto afiado e carmesim.

Os pensamentos interiores deles.

O “Respirador da Verdade”.

Um fenômeno residual deixado após a resolução de um desastre sobrenatural de alto nível, A Última Confissão, ocorrido em um asilo em Gangwon-do.

E embora o método fosse eticamente questionável, o Departamento de Gestão de Desastres já adotava há muito tempo testes similares como prática padrão.

Porque, se não selecionassem os candidatos com rigor, um desastre poderia acontecer.

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