Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 268

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Pouco antes do início do talk show ao vivo, os bastidores estavam uma verdadeira movimentação.

A equipe silenciosa se movia em perfeita coordenação, checando e resolvendo situações em tempo real.

“Ufa.”

Respirei fundo.

Já conseguia entender melhor as expressões deles—

Os sussurros da equipe sem rosto.

– Iluminação extra para o ponto #5.

– Os sapatos do apresentador precisam ser trocados.

– Verificar a disposição das almofadas para o convidado.

Cada um cumpria seu papel com dedicação, todos empenhados em fazer um programa excelente.

E como o apresentador nunca deixava de reconhecer pessoalmente o esforço de cada um, o clima sempre era animado.

Sinceramente, era um ótimo lugar para trabalhar.

No começo, o fato de meus colegas não terem rosto me deixava desconfortável, mas agora—acho que me acostumei totalmente!

‘O ser humano é mesmo uma criatura do ambiente, né?’

Eu nunca me acostumava a entrar em histórias de fantasmas, não importa quantas vezes fizesse isso, então… talvez o Braun estivesse certo—pode ser mesmo uma questão de aptidão.

‘Tudo bem.’

Costumeiramente, conferi o anel de prata no meu dedo antes de finalmente pisar no palco.

“...Huu.”

Hoje era o dia.

O dia em que eu apareceria em um quadro do ‘Talk Show de Final de Noite do Braun’ pela primeira vez.

[Sr. Soleum!]

O apresentador, já pronto, se aproximou de mim.

[Sua roupa combina perfeitamente com você. Sim, muito bem… oh, maquiagem, precisamos cobrir essa tatuagem um pouco melhor.]

O apresentador examinou minuciosamente até a tatuagem que aparecia por baixo da manga do meu paletó.

Num piscar de olhos, a tatuagem sumiu sem deixar vestígios.

E, em pouco tempo, cheguei bem ao meu lugar designado—justo a tempo do programa ao vivo.

[Excelente. Muito bom… Agora, Sr. Soleum, as câmeras vão entrar no ar a qualquer momento.]

“Sim.”

[E logo o público estará sentado à sua frente—então, concentre-se em entretê-los. Pois bem, vamos começar…]

O contador apareceu no telão retrô à minha frente.

3.

2.

1.

0.

[Boa noite! A alegria da noite, o rosto novo que você encontra todo dia, e… seu apresentador amigável!]

Talk Show de Final de Noite do Braun

Enquanto as luzes do estúdio piscavam e a banda tocava—

A transmissão ao vivo começou.

“Hã?”

“Eita?”

“O que… que diabos?”

Os assentos da plateia foram ocupados num instante.

Um a um, as pessoas se materializavam em suas cadeiras—cada qual com uma expressão de confusão ou choque diante do estúdio brilhante.

“Por que estou vestido assim?”

Todos trajavam roupas de escritório diferentes—como esperado para nosso episódio especial ‘Trabalhadores Corporativos’.

[Sejam bem-vindos, profissionais esforçados! Hoje à noite, temos um talk show eletrizante, chamativo, e arrepiante só para vocês—garantido para tirar o cansaço do seu dia!]

Palmas, palmas, palmas…

Braun bateu palmas sozinho, depois exibiu um emoticon envergonhado e triste na tela da TV.

[…Nenhuma palmas? Nem uma sola?]

Clap! Clapclapclapclapclap!!

A plateia perplexa se apressou para acompanhar as palmas.

“Que diabos é isso…?”

“Ah, bom… ele é bonito, então vamos deixar rolar.”

Ao meu lado, dois funcionários de escritório—aparentemente conhecidos—murmuraram antes de bater palmas novamente.

O apresentador ia interagindo com o público, um a um, afinando o clima da sala aos poucos.

Havia algo meio estranho no ar, mas no fim, as piadas eram engraçadas, os temas interessantes, e as notícias uma mistura de assustadoras e fascinantes.

“Ah.”

À medida que a tensão diminuía, o público começou a aceitar naturalmente aquele ambiente surreal.

Como assistir a um show de mágica ou um filme sci-fi elaborado, a familiaridade com conteúdo ficcional embaralhava os limites entre realidade e programa.

E então—aconteceu.

[O convidado de hoje é… Olhem só quem está chegando agora!]

As lâmpadas em forma de estrela brilharam ao passo que a porta luxuosa do camarim se abriu.

O convidado que eu escolhera…

…Entrou cambaleando.

Um ursinho de pelúcia surrado.

Seus olhos de botão eram desiguais, as costuras tortas—mas era até fofo.

[Não é adorável? Apresento a vocês o convidado de hoje… o ‘Ursinho Happy Ending’!]

Enquanto o pequeno ursinho se acomodava no sofá, murmúrios percorreram a plateia.

“Que diabos é isso?”

“Espere, é até fofo.”

“Está se movendo… onde estamos? Isso é um sonho? Que tipo de talk show é esse… ah, já sei, comprei ingresso para a plateia!”

Os sussurros confusos logo se dissiparam, convergindo numa única reação—

Fascínio e imersão naquele talk show surreal.

[Este segmento é patrocinado pela Delusion Home Shopping! Ah, sim, este é um item de colecionador que marcou época—edição limitada de 1999, que já não está mais à venda.]

[Para quem o conservar até a morte, garante o ‘Final da Vida’—um sono tranquilo. Mas quem o descartar? Ele vai visitar à meia-noite e transformar essa pessoa numa boneca igualzinha a ele!]

Braun avançou, segurando o microfone na direção do ursinho.

[Como você está se sentindo? ……Ah, entendo. Você está tão abalado que quer visitar a cova do seu primeiro dono e chorar até não aguentar mais.]

“Hahahaha!”

A reação foi ótima.

Me senti aliviado.

Fofo e amigável, mas inegavelmente perturbador—o conceito inquietante de um objeto inanimado ganhar consciência e buscar vingança sempre fazia sucesso.

Era por isso também que, com o Bom Amigo, eu estava… Não. Melhor não falar.

‘De qualquer forma, se a reação do público está boa, os telespectadores provavelmente vão gostar também.’

Isso era reconfortante.

Como nem todos os espectadores eram humanos, a estrutura do programa foi pensada para que eles também apreciassem a reação da plateia—como se assistissem a um vídeo de reação.

Interessante.

Uma história é sempre melhor apreciada à distância segura.

[Pois bem, vamos ouvir a história de nosso convidado e as últimas novidades!]

O show seguiu tranquilo.

O ‘Ursinho Happy Ending’ compartilhou, através do apresentador, uma despedida agridoce com seu dono querido—seguida de uma história arrepiante de crueldade e uma vingança satisfatória.

A apresentação foi enriquecida com adereços, fotos e ilustrações para aumentar a imersão e o clima.

E finalmente—o clímax.

[Ah, então quem te queimou com cigarro e bateu na criança que brincava com você… está bem aí, na plateia!]

[Essa pessoa é… VOCÊ!]

BUM!

Um holofote iluminou um membro da plateia.

[Venha até aqui… Haha! Vamos receber nosso segundo convidado com uma salva de palmas.]

Era o antigo dono—aquele que havia descartado o ursinho.

Ele havia sido plantado entre a plateia.

Agora, foi levado ao palco…

…onde o ‘Ursinho Happy Ending’ o transformaria pessoalmente em um novo ursinho de pelúcia.

Gritos e sangue espirraram pelo palco, mas o público—imerso profundamente—sentiu uma mistura de horror e catarse.

Alguns da primeira fila, que receberam capas de chuva da equipe, até aplaudiram.

Era como ler uma história de terror eletrizante.

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